Os primeiros passos de um novo homem…

Lázaro Britto

Foram tão desajeitados como os de um bebê aprendendo a caminhar. Refiro-me ao primeiro dia de deambulação com a prótese, nesta segunda-feira (21), no Centro Marian Weiss (CMW), em São Paulo. Desde o último dia 16, quando dei entrada no CMW para iniciar o processo de protetização – e mesmo antes de vir para São Paulo com esta finalidade –, tenho feito fisioterapia de preparação e fortalecimento muscular do coto de amputação.

Na quinta-feira (17) à tarde testei o primeiro encaixe de prova que deverei usar nos próximos três meses de adaptação – se tudo ocorrer conforme planejado – e  foi bem tranquilo. O soquete entrou direitinho e ficou confortável. No dia seguinte (sexta-feira, dia 18) foi a vez de testar pela primeira vez o encaixe com os demais componentes da prótese já montados. A sensação de sentir o encaixe já com a prótese montada difere bastante da primeira, quando se experimenta apenas o soquete.

Nos primeiros dias deambulação, ou treinamento, caminhei entre barras paralelas, frente a um grande espelho vertical, para poder visualizar o desempenho com a prótese (veja o vídeo). Os primeiros passos são os mais difíceis. O equipamento pesa, aperta, incomoda, irrita a pele, prende a circulação e me faz suar bastante: sensações normais, que variam a depender do paciente, mas que no meu caso só ratificaram que eu teria um longo trabalho de condicionamento físico pela frente.

Assim como para o bebê, os primeiros passos com uma perna mecânica são uma grande conquista para o amputado. Afinal, trata-se do resultado de um enorme processo de reabilitação que para a maioria inclui cirurgia, fisioterapia e adaptação à nova realidade, etapas essas que são mais bem enfrentadas com muita dedicação e compreensão dos familiares.

O início desta nova fase merece bastante cuidado e atenção. O ambiente precisa estar seguro, os estímulos devem ser dados na hora e da maneira certas, e os tombos encarados com naturalidade. Já a ansiedade e as comparações com outros usuários em estágios mais avançados deverão ficar bem longe do amputado, principalmente no começo, quando as dúvidas são muitas e a insegurança insiste em marcar presença.

Apesar disso, tenho consciência de que os primeiros passos com a perna mecânica só serão postos à prova quando eu levá-la para casa e passar fazer uso contínuo do equipamento não apenas em casa, mas nas ruas, com seus altos e baixos, níveis e desníveis, buracos, ladeiras e escadarias. Constatarei certamente que a adaptação é um exercício complexo, mais do que se imagina!

Parece complicado? Pode até ser, mas com o tempo acostuma, pois como bem disse Euclides da Cunha… “viver é adaptar-se”.

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Passo Firme – 23.11.2011
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2 comentários em “Os primeiros passos de um novo homem…

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