Imprevistos prorrogam minha protetização em São Paulo

Atraso na chegada de componentes me faz ‘esperar sentado’ e atrofia acentuada em musculatura do coto põe em xeque o tempo mínimo necessário para uma protetização eficaz e bem sucedida

Lázaro Britto

Deveria estar escrevendo este texto já em Salvador, minha terrinha querida, narrando a retrospectiva de como foi meu processo de reabilitação com prótese no Centro Marian Weiss (CMW), mas infelizmente isso vai ter que ficar para depois. Em razão de algumas dificuldades encontradas no processo de protetização – como a não chegada de alguns componentes e uma rápida atrofia na musculatura do coto nos primeiros dias de uso contínuo da prótese –, minha estadia em São Paulo será prorrogada até a próxima terça-feira (13).

Se tudo saísse conforme o planejado, voltaria para a Bahia na noite desta terça-feira (6). Fiquei irritado e descontente, sobretudo pelo fato de ter de ficar mais uma semana longe da família, do trabalho e das demais rotinas diárias. Porém, por se tratar de imprevistos, aceitei a prorrogação como parte natural do processo e procurei, na medida do possível, aproveitar o tempo adicional na intensificação de exercícios para fortalecimento muscular e deambulação com a prótese – alguns dias com a disposição de um paulistano, outros com a caricata preguiça de um baiano (o contrário também é verdadeiro).

ENCAIXE E COMPONENTES – Comecei a sentir os primeiros sinais de folga no encaixe da prótese no início do mês, após gravação daquele depoimento em vídeo (veja), no último dia 30, no qual relatei uma parcial dos primeiros 15 dias de treinamento com a prótese. De acordo com a fisioterapeuta do CMW, Mônica Yamaoka, a folga do encaixe em um período tão curto – apesar do enfaixamento diário – se deve a uma atrofia natural ocasionada tanto pelos exercícios de fortalecimento muscular quanto pelo uso contínuo do equipamento. “Daí a importância do paciente não ter pressa nesta etapa inicial, quando é comum e natural que ocorram alterações”, ressaltou.

Com relação ao atraso na chegada de algumas peças da prótese, o descontentamento foi maior. Quando programei minha vinda a São Paulo, o combinado foi que os componentes já estariam à minha espera, de modo que não perderia tempo. Além disso, planejei dedicar 20 dias nesta etapa inicial, sob a promessa de que seriam suficientes para fisioterapia, confecção e treino com o encaixe de prova, ou seja, período suficiente para poder voltar para casa minimamente adaptado à prótese.

O atraso na chegada do rotador e do pé Axtion, ambos da Otto Bock, adiou minhas expectativas diversas vezes. A última promessa – de que o danado do pé chegaria nesta quarta-feira (7) – também não se concretizou, de modo que continuo treinando com o pé Elite, da Endolite, uma peça usada do estoque da clínica, do qual não gostei muito, em função da grande flexibilidade, o que interfere em fatores como impulso e equilíbrio.

Além disso, um segundo encaixe de prova foi confeccionado nesta quarta (7), tendo em vista a folga do primeiro cartucho, e a impressão que tenho é que recomecei do zero. Imagino que a maioria dos amputados tem essa sensação quando uma alteração precisa ser feita na prótese. Daí a ansiedade pela chegada do componente, quando então terei real noção do desempenho com a prótese, bem como dos aspectos que precisam ser mais bem trabalhados.

FATOR TEMPO – Não me considero um paciente problemático, mas os imprevistos e inconvenientes que vem acontecendo me fizeram questionar o tempo mínimo necessário para uma protetização eficaz e bem sucedida. Penso nisso porque já recebi de diversas ortopedias a promessa de que é possível fazer tudo em uma semana ou dez dias, no máximo, o que posso afirmar por experiência própria que a probabilidade de uma prótese assim dar errado é muito grande.

Por mais bem preparado que o paciente acredite estar, e mesmo quando tal veredicto é dado após avaliação médica, somente quando inicia o processo, usando a prótese todos os dias, que ele tem real noção de que muita coisa ainda precisa ser feita – principalmente na questão do fortalecimento muscular do coto e da correção de todos aqueles vícios (hiperlordose, postura inadequada, contratura muscular, entre outros), que o amputado naturalmente adquire ao passar do tempo. Mas o que você acha disso? Qual o tempo mínimo necessário para uma protetização eficaz e bem sucedida? Deixe sua opinião.

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Passo Firme – 07.12.2011

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13 comentários em “Imprevistos prorrogam minha protetização em São Paulo

  1. Infelizmente a gente recebe muitas promessas falsas,é precizo ter muita paciencia,e pedir um cartucho defenitivo so depois de 3 meses de uso continuo e com as condições naturais para andar,dentro da clinica é uma coisa na rua é outra,rs…siga firme,abraço

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    1. Neto,

      É incrível o quanto altera tanto o desempenho de uma marcha dentro da clínica – cujo piso é plano e sem alterações – e na rua, enfrentando calçadas deniveladas, buracos de todos os diâmetros e profundidades, passeios inclinados por conta de garagens e rampas suicidas fazem de qualquer caminhada no meio externo uma verdadeira aventura.

      Apesar disso tudo, é gostoso perceber que com o tempo, driblamos tais obstáculos com mais habilidades e eles, embora continuem existindo, não nos amedrontam tanto quanto no início.

      Quanto ao encaixe provisório após os três meses, no mínimo, assino em baixo.

      Abraço forte!

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  2. É Lazaro, realmente vc não deu muita sorte, isto porque vc esta numa das melhores ortopedias, era para os componentes esterem ja ai antes de vc chegar, enfim, é dificil mesmo, acho que tudo é muito amador mesmo com empresas que estão a muito no ramo, parece que se importam pouco conosco mesmo vc pagando por isso.

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    1. Marco,

      Creio que foi questão de época – final de ano é fogo – e deve ter faltado peças na representante da Bock em Campinas. Concordo de eles poderiam ter previsto esta situação e avisassem aos clientes acerca da possibilidade do atraso. Não foi culpa da ortopedia, que planejou minha vinda com base nas previsões dadas pela Bock.

      Mas são imprevistos, que podem acontecer nas melhores famílias!

      Abração

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  3. Sinceridade Lazaro, 90 dias no mínimo para um encaixe aceitável…ou melhor um coto estável. Mesmo assim depois de um ano, um encaixe melhor e , aí sim, definitivo até o próximo…é um trabalho que nunca acaba…Fica bom mas pode melhorar. Um amigo e cliente escreveu certa vez,” O amputado é um escravo do ajuste”, mais ou menos por aí…nada para apavorar .
    Boa sorte e sucesso, bom ouvir sua impressões…e divulga-las.

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    1. Marcelo,

      “O amputado é um escravo do ajuste?”, será Marcelão???

      Qunto ao tempo de maturação do coto, o prazo médio de 90 dias funciona legal com aquele paciente que já vinha se preparando para a protetização desde a amputação, fazendo fisioterapia de fortalecimento muscular, enfaixamento contínuo, além de bons hábitos em relação ao coto e peso dentro do ideal para idade e altura. Fora isso, mesmo com três meses, nada ainda será definitivo, principalmente na primeira protetização.

      É bom ouvir suas observações também! Me dão toques bem pertinentes!

      Abraço forte!

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  4. Os atrasos e falta de peças estão ficando corriqueiros. Divulgam-se as novidades mas nunca as popularizam. A estrutura é precária, a burocracia de importação cruel e a vontade de vender maior que a de providenciar…. Paciência pq o pior ja passou…

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  5. Isso pra mim não é nenhuma novidade, estou a espera do meu joelho a mais de 1 mês, e a cada vez que ligou ou apareço por lá, me dizem que em 15 dias vai chegar. Bom, isso acontece em qualquer lugar. Moro em Buenos Aires e busquei a melhor ortopedia do país!
    E qndo comprei, nunca me disseram que teriam que fazer o pedido….
    Não sei se há um tempo mínimo pra protetização, estamos sempre a merce da ortopedia, do nosso coto… esse último muda mto, e é como já foi dito, só depois de uns 2 a 3 meses usando a prótese diariamente é que deveria fazer o encaixe permanente.
    Boa sorte pra voce!

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    1. Paula,

      É mais ou menos aquilo que falei para o Marcão. Creio que esta época de final de ano que tenha complicado e contribuído para a falta de peças na representante da Bock em Campinas. Concordo de eles poderiam ter previsto esta situação e avisassem aos clientes acerca da possibilidade do atraso. Não foi culpa da ortopedia, que planejou minha vinda com base nas previsões dadas pela Bock.

      Mas são imprevistos, que podem acontecer nas melhores famílias!

      Abração

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