Fixador llizarov evita amputações, mas nem todo mundo aceita usar


A rejeição estética, o longo período de recuperação e a dor que o aparelho provoca são as principais causas da resistência ao uso do fixador, segundo especialista

Vítimas de amputações gostariam de ter uma chance de poder evitar a sequela.O fixador externo Ilizarov, um aparelho que ajuda na fixação de ossos, pode representar essa oportunidade. Porém, o tratamento esbarra na rejeição e resistência de pacientes ao procedimento por preocupações estéticas. Os que superam esse e outros obstáculos, a exemplo da dor que o aparelho provoca e o longo período de recuperação, voltam rapidamente às atividades cotidianas, como trabalhar e estudar.

O estudante de engenharia civil Nelson Pio Neto, 27 anos, permaneceu 13 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais 62 dias de internação hospitalar, depois de um acidente de motocicleta. Além de um edema cerebral, o rapaz fraturou a tíbia e a fíbula da perna direita e corria risco de amputação do membro. “O tratamento com o fixador foi a fase mais complicada. É bem desagradável. Para suportar a dor tomava relaxantes musculares, precisava fazer curativo e uma higienização cuidadosa do aparelho para evitar infecções. Apesar das sequelas que ainda tenho, como alguma dificuldade de movimentação do pé, eu durmo, acordo e posso olhar para o meu pé. O pé é meu e está ali”, avalia Neto, os bons resultados do tratamento, destacando que a preocupação estética é algo menor em comparação ao benefício de preservar a perna condenada à amputação.

O Ilizarov foi desenvolvido em 1951, no Centro Ortopédico de Kurgan, na Rússia, pelo professor Gavrill Ilizarov para tratamento de fraturas expostas e alongamento ósseo. O tratamento é indicado para pacientes que perderam tecido ósseo das pernas ou braços por fraturas ou infecções, permitindo recuperar a função dos membros. Acidentes de motocicleta estão entre as principais causas. O aparelho chegou ao Brasil na década de 1990, mas apesar da eficácia do tratamento e de vantagens, como poder voltar a trabalhar e estudar em poucos meses, algumas pessoas resistem à colocação dele.

A principal causa da rejeição ao aparelho é motivada por questões estéticas. O Ilizarov se parece com uma espécie de gaiola de aço inoxidável presa ao osso por pinos e fios. Os dois modelos mais comuns são o circular e o tubular. O próprio paciente manipula os fios presos dentro do osso, que se move um pouco estimulando o organismo a produzir mais massa óssea na região acima da fratura, fazendo com que aconteça a regeneração lentamente.

“É preciso um trabalho de convencimento do paciente. Contra a resistência ao Ilizarov temos o argumento da salvação do membro. Muitas vezes, a pessoa só aceita porque não tem outra opção. Cem por cento dos que usam se queixam de dor nos locais em que fios prendem o aparelho ao osso, mas receitamos analgésicos e antibióticos para combater esse inconveniente”, explica o ortopedista Arício Tavares, acrescentando que existem outras técnicas de tratamento, mas que o aparelho é a técnica mais acessível por ter cobertura de planos de saúde, oferecida também pelo SUS.

ABANDONO COMPROMETE RESULTADOS – A recuperação de fraturas e outros problemas ósseos com uso do Ilizarov é um processo longo, que pode representar até um ano e meio de sessões de fisioterapia. “Os resultados são relativos e dependerão também de cada paciente. Pessoas que têm perda muscular e de osso ficam com alguma debilitação, mas poderão ter uma vida normal. Considerando que poderiam ter o membro amputado, os resultados são ótimos”, avalia o fisioterapeuta Caio Menezes.

Especialista em Fisioterapia Ortopédica Funcional, Menezes ressalta que é comum pacientes abandonarem o tratamento, principalmente quando ainda estão usando o aparelho e percebem algum progresso ao voltarem para as atividades cotidianas. A volta ao trabalho e à escola pode acontecer em quatro meses, depois do início do tratamento. O prognóstico é muito relativo e dependerá da evolução de cada paciente.

Outros deixam as sessões de fisioterapia ao retirarem o Ilizarov. Nas duas situações, o fisioterapeuta afirma que o tratamento ficará comprometido. Para o fisioterapeuta, o aparelho oferece uma nova chance aos pacientes com indicação de amputação. “O tempo de tratamento fisioterápico dependerá de fatores, como a região do corpo tratada, da capacidade de reabilitação de cada paciente e do comprometimento com trabalho realizado”, aponta Menezes.

Os pacientes fazem exercícios fisioterápicos principalmente com pesos para ganhar mais força, trabalham a movimentação das articulações e realizam alongamentos. É comum a perda de massa muscular, mas a fisioterapia buscará a recuperação a mais próxima do normal.

As sessões de fisioterapia também ajudarão no desenvolvimento ósseo. Menezes acrescenta que nos casos de fragmentação óssea a recuperação pode ser mais rápida. O contrário acontece em situações de perda de osso. “O mais clássico é a fratura em que há perda óssea e aí tem indicação do Ilizarov. O importante é que os pacientes não abandonem o tratamento, apesar de alguns incômodos, como a dor que o aparelho provoca, já que fica em contato com a pele”, argumenta Menezes.

Fonte: Jornal de Londrina

Passo Firme – 19.12.2011
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