Mesmo sem pernas e um braço, “meio-homem, meio-câmara” quer voltar ao trabalho

Quando ouviu o clique, Giles Duley (foto) soube logo o que ia acontecer. Já tinha ouvido o mesmo som outras vezes, e sabia o que acontecia a seguir a quem tinha esse infortúnio. A mina atirou-o pelo ar.

Caiu no chão e começou a ver bocados do seu corpo à volta. Pensou que ia morrer. Era a sequência normal nesse tipo de cena, tão frequente em pontos como aquele no Afeganistão.

Os jovens soldados à sua volta aplicaram-lhe torniquetes para estancar a hemorragia e chamaram ajuda. Ele pensou: sobrevivi à explosão, agora tenho de aguentar até chegarem os médicos.

Percebeu logo que nunca mais seria o mesmo. Quase com tranquilidade, reconheceu os membros que lhe faltavam. Saldo final: uma perna amputada abaixo do joelho, outra amputada acima, e um braço perdido. Mas Giles não se deixou desanimar.

Da moda ao humanitarismo

Logo à partida os soldados que estavam com ele viram que não era uma vítima como as outras. Desde então, o sentido de humor que conseguia manter, e o agradecimento que, no meio da sua dor, lhes dirigiu.

Assim que teve frieza suficiente, Giles avaliou a situação. Olhos intactos, braço direito à disposição. Podia continuar a trabalhar.

Enquanto fotógrafo, há muito que se ocupava de questões humanitárias. Após um falso começo a cobrir moda e entretenimento, descobrira a sua verdadeira vocação um dia, quando tomava conta de um rapaz severamente autista.

Era voluntariado, mas dava-lhe mais satisfação do que qualquer outra coisa que tinha feito. E quando os pais do rapaz lhe pediram que o fotografasse, acedeu com gosto.

Uma namorada persistente

Daí até a alguns dos lugares mais perigosos do mundo – sempre atrás de algum problema humanitário, geralmente obscuro – foi apenas um passo. Giles começou a tornar-se notado pelas suas imagens obtidas em África e na Ásia.

Antes da mina que o atingiu, viu outras a rebentar, e sabe que a sobrevivência é rara nesses casos. Mais rara ainda quando há uma tripla amputação. Muito poucas pessoas tiveram a sorte. Com ele, deve ter ajudado o passado desportivo, e a atitude positiva.

O instinto humanitário, pelos vistos, não desapareceu. Após uma recuperação notável, Giles conta regressar brevemente ao Afeganistão, já com as suas duas pernas postiças. E é para trabalhar.

A namorada apoia-o. Os dois só se conheciam pela internet antes do acidente, mas ele disse logo que não o deixava. Passaram a dar-se mais intimamente depois. Assim é mais fácil.

Até os amigos, diz, acham graça a ele ser “meio homem, meio câmara”.

Fonte: Site Expresso

Passo Firme – 04.01.2012
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