Estudo revela: aprendemos a andar da mesma forma que a contar

Descoberta indica que se podem utilizar próteses para uma variedade de aplicações

Uma equipa de neurocientistas da Fundação Champalimaud, liderada por Rui Costa (foto), e outra da Universidade de Berkeley, nos EUA, acabam de demonstrar que os circuitos cerebrais utilizados para aprender habilidades motoras podem ser utilizados para desenvolver tarefas puramente mentais.

“Descobrimos que o cérebro muito rapidamente aprende esta habilidade mental e que os mecanismos são similares aos utilizados para aprender habilidades físicas”, afirma o investigador ao Ciência Hoje.

Para além disto, continua, “vimos que estas acções abstractas que não requerem movimento físico são intencionais”.

Estas conclusões indicam que o cérebro aprende a utilizar regras arbitrárias para controlar próteses neurais ou interfaces cérebro-máquina, o que “sugere que se podem utilizar próteses neurais ou interfaces cérebro-máquina para uma variedade de aplicações” como, por exemplo, para restaurar a mobilidade a pessoas que sofram lesões medulares, acidentes vasculares cerebrais, com deficiência nos membros ou com doença de Lou Gehrig, explica Rui Costa.

A ideia para este estudo, publicado na revista Nature, surgiu de conversas com o José Carmena, da Universidade de Berkeley, que começaram em 2008. “Queríamos perceber como é que o cérebro aprende a utilizar novos instrumentos e mais concretamente como aprende regras arbitrárias”, conta o cientista.

Assim, para chegar às respostas agora publicadas, as equipas ensinaram ratinhos a controlar um cursor auditivo através de um computador utilizando apenas a actividade dos neurónios no cérebro. Quando o som era tornado muito agudo os ratinhos recebiam um líquido açucarado e quando o som era tornado grave recebiam um pedaço de comida.

Os próximos passos na investigação incluem “várias coisas”. Segundo Rui Costa, o objectivo é agora “ver se é possível aprender várias habilidades mentais ao mesmo tempo, se é possível utilizar diferentes áreas do cérebro e perceber se pessoas com doenças motoras podem aprender a controlar interfaces cérebro-máquina utilizando regras arbitrárias”.

Fonte: Ciência Hoje

Passo Firme – 06.03.2012
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