Lembranças num dia mundial de combate ao câncer…

Era tarde de quarta-feira, dia 23 de novembro de 1999. Após meses de tentativas frustradas em se descobrir qual o meu problema, lá estava eu para enfim receber o diagnóstico da doença. Lembro-me como ontem as palavras do médico:

“Bem Lázaro, o resultado de sua biópsia saiu. Como havia lhe alertado, seu problema poderia ser uma simples inflamação óssea ou algo mais sério. Infelizmente não tenho boas notícias… pois o que você tem no joelho é Osteossarcoma, um câncer no osso. Você vai iniciar um tratamento chamado quimioterapia que tem por objetivo combater o tumor até que seja possível fazer uma cirurgia para retirá-lo.”

Durante todo o momento em que o médico ortopedista Alexandre Andrade – na época chefe do Serviço de Ortopedia Oncológica do Hospital Aristides Maltez, em Salvador – conversava comigo, a única coisa que eu fazia era balançar a cabeça como uma tartaruga, concordando com tudo que ele falava. Todo o meu corpo e minha e minha mente foram tomados por uma dormência que até hoje não consigo explicar.

Cheguei à conclusão de que o diagnóstico de um câncer é, deveras, uma das piores notícias – se não a pior – que alguém pode receber. Só mesmo quem passa pode compreender a sensação que se sente… um verdadeiro abalo! Naquele momento eu pensei que minha vida tivesse acabado… que dali em diante entraria numa contagem regressiva pactuada de dor, angústia e sofrimento que, por fim, me lavaria à morte. Veio-me à memória tudo que já havia lido, ouvido e estudado sobre a doença.

Além disso, por mais que se esteja preparado para o pior ou por maior que seja o apoio de familiares e amigos, manter a serenidade num momento como esse é quase impossível. Entretanto, procurei me controlar e sustentar, pelo menos à frente do médico e do meu irmão que comigo estava, a serena e ao mesmo tempo falsa aparência de que tudo corria bem.

No fundo eu sabia que a realidade era outra. Nada estava bem. Sabia que daquele momento em diante, manter a saúde e providenciar minha sobrevivência era algo que dependia apenas de mim. O papel da medicina e do profissional de saúde em qualquer enfermidade, acredito, é apenas o de auxiliar, orientar e mostrar qual o melhor caminho a ser seguido. O resto é com o paciente. Trata-se de uma trajetória que, embora deva ser traçada com a ajuda e na companhia de muitos, o doente é o comandante, o soldado de linha de frente que, apesar dos riscos, tem todas as chances de vencer a guerra que é a luta contra o câncer.

Por mais absurdo que possa parecer, embora o meu estado mental e psicológico estivesse abalado, eu sabia o que estava à minha espera. Encorajado principalmente por amigos, familiares e irmãos de fé, sempre soube o que deveria fazer e estava disposto a tentar.

No meu caso, a notícia de que eu estava doente não foi pior recebida porque eu fora ao médico aquele dia apenas para confirmar uma suspeita que há dias vinha se concretizando. Várias pessoas e até mesmo os próprios médicos já haviam me alertado da possibilidade de eu estar com uma doença grave. Ainda assim, por mais nítida que fosse a verdade, por medo, receio, esperança…  hesitei em reconhecê-la!

Almejava desesperadamente que meu exame diagnosticasse qualquer coisa… menos um tumor. Mas isso não aconteceu. Embora não aceitasse, eu estava com câncer!

Passo Firme – 08.04.2012 Curta e compartilhe a página do Blog Passo Firme no Facebook!

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