Como escolher a prótese ideal para seu tipo de amputação

Dr. Marco Antonio Guedes de Souza Pinto*

Você é amputado, está em processo de reabilitação e chegou a hora de escolher a prótese. E agora?

Eu acho que dificilmente um amputado terá condição de, sozinho, sem nunca ter ao menos visto uma prótese, fazer uma escolha acertada de maneira consciente. O paciente, marinheiro de primeira viagem, deve procurar um médico de reabilitação que tenha, sabidamente, conhecimento para orientá-lo e fazer a sua prescrição protética. Mesmo o profissional experiente, dependendo do caso, pode ter alguma dúvida em relação a componentes e tipos de encaixe. O ideal é que o paciente receba a maior carga de informação possível e, baseado nisso e no custo dos componentes, ajudar o médico a fazer sua escolha.

Esta situação é bem diferente da situação do amputado experiente, que já vem usando prótese há alguns anos e, ao optar por uma troca de aparelho por qualquer razão, tem bem delineado na mente o aparelho que melhor lhe convém. Ou seja: se você é um amputado recente, procure um médico que possa ajudá-lo a escolher o aparelho mais adequado para o seu caso.

O tipo de protético, joelho mecânico, hidráulico ou computadorizado, o encaixe a ser usado, tudo isso pode variar muito, dependendo da causa da amputação, da idade do paciente, do nível de amputação, e outros critérios mais.

O coto de amputação precisa ser preparado cuidadosamente antes de ser moldado para a feitura do encaixe. Este preparo inclui, além dos exercícios para recuperar e manter a função das articulações, o enfaixamento do coto com faixa elástica até que a sua forma se estabilize. Ainda assim, com o uso da prótese, o coto deve mudar a sua forma ainda mais, necessitando ajustes frequentes e até mesmo a troca do encaixe protético depois de alguns meses.

Para prevenir problemas como dor, ferimentos, calosidades, pistonagem excessiva da prótese, etc, são necessárias visitas constantes ao centro de reabilitação, para que os problemas sejam detectados e corrigidos o mais rápido possível, evitando, desta forma, consequências mais graves.

Nenhuma prótese pode ser entregue acabada sem que o paciente tenha sido treinado exaustivamente no seu uso, no ambiente adequado, até que o encaixe esteja confortável e o alinhamento dinâmico tenha sido feito. Isto vai ocorrer à medida que o paciente conseguir descarregar melhor o peso do corpo sobre o aparelho.

Também o encaixe da prótese, caso seja necessário, poderá ser trocado a um custo muito menor, enquanto ela não estiver acabada. Um aparelho protético só estará bem ajustado depois de testado, treinado e alinhado durante o uso pelo paciente. Não existe outra possibilidade. Qualquer proposta diferente deve ser entendida como uma tentativa de iludir. Tirar “medida”, fazer uma ou duas provas e depois chegar com uma prótese acabada, dizendo que a dor e os ferimentos são normais e que no fim tudo se ajusta como numa dentadura, é mentira deslavada, e quem faz isso está agindo de má fé.

O amputado recente é presa fácil de indivíduos inescrupulosos por não conhecer o assunto, estar fragilizado e cheio de expectativas que muitas vezes não são reais. A melhor maneira de evitar estes danos é procurar um serviço de reabilitação reconhecido e ser tratado como paciente, nunca como freguês.

Fonte: CMW

Ortopedista e traumatologista formado pela USP, Marco Guedes (foto) é fundador do Centro Marian Weiss (CMW), clínica especializada no tratamento de pessoas portadoras de problemas nos pés, pé diabético e amputados dos membros superiores e inferiores.

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Passo Firme – 1º.05.2012
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4 comentários em “Como escolher a prótese ideal para seu tipo de amputação

  1. Esta dica do companheiro e ótima, pois passei por grandes problemas por não ter uma boa orientação.
    É ainda estou passando por grandes problemas.

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    1. Verdade, meu caro Newton, eu também já passei por bons bocados por falta de orientação realmente confiável. Isso porque, além de ter de lidar com a ignorância que nos é nata no começo da amputação, temos que lidar com alguns acougueiros que se dizem ‘profissionais’ e acabam por mais prejudicar do que ajudar neste processo de definição.

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  2. estou na iminência de trocar o encaixe,apos quase sete meses de uso.preciso me sentir melhor,com menos cansaço físico,me sentir “normal”,apesar da condição de amputado acima do joelho,ser comprometida, pela deficiente condição da perna “boa”,cujo joelho recebeu 03 cirurgias…este novo encaixe precisa corresponder…muita expectativa!

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