Complicação devido ao diabetes pode ser tratada

O maior problema de quem é diabético, além de controlar a glicemia, é manter a circulação em ordem. O número de vítimas com partes do corpo prejudicadas por causa da má circulação cresce de forma espantosa. Um estudo recente realizado pelo hospital universitário de Curitiba aponta como uma das principais causas de gangrena no sexo masculino a presença da diabetes mellitus.

O trabalho, coordenado pelo professor Adriano Antonio Mehl, responsável pelo serviço de oxigenoterapia hiperbárica do Hospital Universitário Cajuru, aponta para a necessidade de se diagnosticar de forma precoce doenças que possam levar à neuropatia diabética, e que um dos tratamentos mais indicados para esses casos são as câmaras hiperbáricas.

Segundo os médicos Carlos Carvalho e João Armando Padovani, da Clínica de Medicina Hiperbárica de Rio Preto, o tratamento combate infecções em lesões (feridas) onde a falta de oxigenação tenha causado prejuízo desta importante função das células.

Segundo Carvalho, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, “a câmara, com esse grau elevado de oxigenação sob pressão, pode ter várias indicações, entre elas queimaduras, embolias, úlceras e feridas que não cicatrizam; dessa maneira, o tratamento tem a eficácia de chegar a locais onde o processo de cicatrização estava parado e permite reativar a oxigenação nessas regiões críticas, estimulando as células”, diz.

SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO – “O açúcar em excesso no sangue é tóxico para os nervos da mesma forma que o excesso de álcool, isto é, ambos são neurotóxi-cos”, afirma o endocrinologista Luiz Clemente Rolim, coordenador do Setor de Neuropatias do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Rolim também é membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e de Endocrinologia e Metabologia (Sbema).

Segundo ele, a doença é também conhecida como neurite diabética e é uma das complicações mais frequentes nos portadores de diabetes (cerca de 50% das vítimas). Isso porque algumas pessoa não levam em conta que o descontrole glicêmico pode provocar a inflamação dos nervos periféricos.

“Define-se a neuropatia diabética como um grupo heterogêneo de disfunções do sistema nervoso periférico que podem afetar virtualmente todas as fibras nervosas do corpo”, diz Rolim. Isso sem contar que o açúcar em excesso nos diabéticos favorece a proliferação de agentes oxidantes no sangue, substâncias que seriam prejudiciais às células dos nervos, o que promove o estresse oxidativo.

A dona de casa A.N.C., 68 anos, conta que só soube que sofria de neuropatia quando foi levada ao hospital para ter o dedo do pé amputado. “Nem sabia que existia isso, pensei que a diabetes só afetava mesmo o meu olho, que estou acompanhando há muitos anos, para não sofrer sangramento. Mas já vi que esta doença é triste, pode acabar com a gente”, diz.

A neuropatia é prejudicial a todo o sistema nervoso periférico e provoca desde disfunção erétil ao descontrole da evacuação, perda de sensibilidade nas extremidades do corpo, dores nas pernas e nos pés, entre outras. Os efeitos são mais comuns em pessoas acima dos 60 anos e nas mulheres. Em geral, os membros inferiores são os mais afetados, embora a doença também acometa as mãos em casos mais avançados.

Os sintomas podem ter início a partir do momento em que o indivíduo apresenta descontrole glicêmico. Mas, em geral, quando surgem, é sinal de que a neuropatia já se desenvolve há anos. “Por isso mesmo não se deve esperar o aparecimento de sintomas para fazer o diagnóstico”, explica o endocrinologista Rolim.

FALTA DE SENSIBILIDADE – Cerca de 20% a 30% dos portadores de neuropatia diabética sofrem com dor intensa nas pernas ou nos pés. Porém, essas dores não são o problema, alerta o médico. “Este é um bom sinal, pois mostra que o nervo ainda está vivo. O pior é quando para de doer”, diz o endocrinologista Luiz Clemente Rolim.

O passo seguinte é o risco do paciente desenvolver feridas nos pés, já que lesões ocasionais não são percebidas. Se não tratadas, elas podem evoluir para úlceras irreversíveis que, nos casos mais graves, resultam na amputação do membro. No estudo de Curitiba, os médicos observaram que os homens que foram vítimas de gangrena eram em sua maioria portadores de diabetes do tipo 1 e do tipo 2, além de hipertensos. Portanto, é importante que os médicos chequem a sensibilidade dos pacientes diabéticos a cada consulta.

Rolim diz que é preciso submeter os membros inferiores dos diabéticos aos quatro testes clínico-neurológicos: o térmico, o reflexo aquileu, o teste de sensibilidade dolorosa e a sensibilidade vibratória.

”Por meio desses testes, o diagnóstico fica mais preciso e podemos classificar a neuropatia em leve (que pode ser reversível), moderada ou grave (sempre irreversível). Se realizado nos primeiros anos após o desenvolvimento do diabetes, o diagnóstico pode significar a possibilidade de cura da neuropatia diabética, doença que representa uma séria ameaça à qualidade de vida dos pacientes”, diz.

Fonte: Diário Web

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Passo Firme – 04.06.2012
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5 comentários em “Complicação devido ao diabetes pode ser tratada

  1. Gostaria de informar que sou ADRIANO ANTONIO MEHL, médico, e ao ler esta matéria (04 junho 2012) informo q a mesma tem informações incorretas, pois não sou o responsável pelo Serviço de Medicina Hiperbárica do H. Cajuru (desde 2007) e que também a câmara hiperbárica não é tratamento para neuropatia diabética. Gostaria que estas informações fossem atualizadas, pois nunca fui procurado por vocês para esta entrevista.

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    1. Dr. Adriano,

      Em resposta so seu comentário registrado junto à matéria “Complicação devido ao diabetes pode ser tratada” no Blog Passo Firme, informo que a mesma foi extraída do site Dário Web (veja o link: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Saude/96374,,Complicacao+devido+ao+diabetes+pode+ser+tratada.aspx), com a assinatura de Cecília Dionizio.

      Não nos responsabilizamos por matérias extraídas de outros sites, apenas identificamos a fonte de onde o texto foi extraído, para dar os devidos créditos.

      Atenciosamente,

      Lázaro Britto
      Blog Passo Firme

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