SOS Reimplante chega ao 100º caso de sucesso em pacientes com membros amputados

Um homem de 36 anos teve polegar esquerdo reimplantado no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias

O programa SOS Reimplante, da Secretaria de Saúde, atendeu na última segunda-feira (11) o seu 100º paciente: o pedreiro Heleno Jesus do Nascimento (foto), de 36 anos, que teve o dedo polegar esquerdo decepado pela lâmina de uma serra circular. Atendido pela equipe especializada do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN), em Duque de Caxias, ele teve o membro reimplantado após uma cirurgia de 4h de duração. Com isso, o programa chega ao 100º caso de sucesso em pacientes com membros amputados.

“Foi tudo muito rápido. Não tinha noção do que iria acontecer. Mas deu tudo certo e, se Deus quiser, vou logo voltar ao trabalho e com a atenção redobrada”, disse Heleno, que foi socorrido pelo irmão e um outro colega de trabalho. Ele deve ter alta ainda esta semana. Depois, será acompanhado pelo atendimento ambulatorial por cerca de seis semanas, até a retirada do pino. Na sequência, começa o tratamento com fisioterapia, tudo como parte do programa SOS Reimplante. Ele deve estar apto a voltar ao trabalho dentro de três a seis meses.
A operação foi dirigida pelo microcirurgião Rudols Kobig, da equipdo SOS Reimplante, e comandada pelo coordenador do programa, o médico João Recalde. Segundo ele, apenas um terço dos casos que chegam à unidade não têm condições técnicas de serem reimplantados. Dos que seguem para a cirurgia, 80% são reimplantados com sucesso. “Trata-se de uma microcirurgia delicada, porém muito comum. Uma equipe de especialistas reimplanta o dedo por meio das reparações de nervos, tendões, artérias e veias. O importante é restabelecer a função do paciente para que ele consiga ser reinserido na sua rotina e voltar a ter uma vida normal – pondera João Recalde.

O INÍCIO DO PROGRAMA – Em dezembro de 2008, o microcirurgião João Recalde (foto) recebeu uma ligação do secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, com um pedido urgente: deslocar-se com uma equipe para o HEAPN para tentar reimplantar o braço da menina Ana Catarina, na época com 10 anos, que teve o membro direito amputado enquanto tentava tirar roupas de uma máquina de lavar industrial no abrigo onde morava, em Areal. A criança foi transferida de helicóptero para a unidade e, menos de quatro horas depois, estava na mesa de cirurgia. O sucesso do procedimento foi o pontapé inicial para a criação do programa SOS Reimplante no hospital, único que oferece esse tipo de atendimento no estado.

Formado há 33 anos, Recalde se especializou em cirurgia plástica no Hospital dos Servidores e, em 1983, foi para a França estudar cirurgia de mão e microcirurgia técnica. Durante15 anos, o médico teve sua própria clínica de cirurgia reconstrutiva de mão, nos mesmos moldes da França. “No Adão Pereira Nunes estamos dentro de uma estrutura voltada para emergência, atendendo pacientes muito graves. Os casos que surgem na rede privada volta e meia esbarram na burocracia da autorização do convênio e isso, algumas vezes, vai de encontro à urgência da operação. Não dá para, no meio de uma tragédia como essa, discutir questões financeiras com o paciente ou a família. No serviço público, vencemos toda essa burocracia”, explica Recalde.

Formadas por cinco profissionais, as duas equipes da unidade são responsáveis pelo surpreendente índice de sucesso nas cirurgias: 80%. Para garantir este resultado, além do reimplante em si, muitas vezes é preciso realizar cirurgias complementares de reparação de nervos e procedimentos em tendões.

OUTROS CASOS – Nesses quase quatro anos de programa, o caso que mais o marcou o médico João Recalde foi o do menino Lucas de Oliveira. Em dezembro de 2010, Lucas, na época com 10 anos, foi atropelado na porta da casa do avô, em Xerém, e teve a perna direita esmagada. As chances de sucesso do reimplante eram de apenas 30%, mas Lucas superou o prognóstico inicial e, menos de dois anos depois, já recuperou quase todo o movimento do membro.

“Esse foi um caso limite que nos surpreendeu muito. Ver o paciente retomando sua vida, não tem nada que pague. O médico, em princípio, é um idealista e sempre teve o ideal de fazer o bem à população de baixa renda, a pessoas que não têm acesso à medicina de ponta. Por isso, sempre acreditei e desejei que o reimplante fosse oferecido pelo serviço público, pois lá está a grande maioria dos casos”, afirmou o médico.

SOCORRO – Ao socorrer a vítima de amputação traumática de extremidades, um dos pontos mais importantes é acondicionar de forma correta o material amputado, que deve ser mantido a 4ºC. A maneira mais simples para isso é colocar a parte amputada em um saco plástico resistente, lacrar com fita adesiva e colocá-lo em um ambiente com água e gelo picado, distribuídos meio a meio, como numa caixa de isopor. Quanto mais rápido o paciente chegar ao hospital, melhor. Para ser realizada com sucesso, a cirurgia de reimplante deve ser feita em até seis horas após o acidente.

Fonte: Governo do Rio

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Passo Firme – 14.06.2012
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