Neuropatia diabética exige cuidados especiais com os pés

O diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento de açúcar no sangue. A doença pode ser do tipo 1, quando as células do pâncreas que fabricam insulina – hormônio que ajuda a glicose a entrar nas células – foram destruídas. No tipo 2, a produção de insulina não é suficiente ou as células não conseguem aproveitá-la da forma correta.

A doença é considerada um dos problemas mais graves de saúde. Um dos cuidados que o portador de diabetes deve ter é com os pés, já que pode desenvolver a neuropatia diabética.

O especialista em tratamento e cura de neuropatia diabética, diabetes e obesidade Luiz Clemente Rolim, responsável pelo Setor de Neuropatias do Centro de Diabetes da Unifesp-EPM, explica que as neuropatias podem ser definidas como um grupo heterogêneo de disfunções do sistema nervoso periférico, que são atribuídas unicamente ao diabetes mellitus, e podem afetar virtualmente todas as fibras nervosas do nosso corpo, isto é, nervos sensitivos autonômicos e motores.

“Os nervos são estruturas parecidas com fios elétricos, que transmitem a sensibilidade ou desencadeiam os movimentos do corpo ou controlam funções involuntárias, que independem da vontade, como o batimento cardíaco, a digestão, o sono, a ereção e a evacuação”, explica.

A podóloga Márcia Souza, de São Paulo, diz que a neuropatia é um dos maiores fatores de risco para o pé diabético – as pessoas podem ferir seus pés sem notar, pela diminuição da sensibilidade da dor e do calor e do toque. Uma das formas de prevenção é a higiene, o uso de calçados adequados e a inspeção diária cuidadosa dos pés.

O especialista em neuropatia afirma que a principal causa da doença é o excesso de açúcar no sangue, que provoca o chamado estresse oxidativo nos nervos, tornando-os inflamados, por isso a neuropatia diabética também é chamada de neurite diabética. “Eu costumo dizer que o açúcar em excesso no sangue é tóxico para os nervos da mesma forma que o excesso de álcool, isto é, ambos são neurotóxicos.”

Segundo o especialista, a neuropatia diabética inicia-se pela ponta dos dedos dos pés. Isso porque os nervos mais longos do corpo humano são justamente os que mais sofrem com a hiperglicemia e o estresse oxidativo. É por esse motivo também que os homens mais altos costumam ter neuropatias mais graves.

Quem sofre de diabetes deve privilegiar calçados de bico quadrado e sem salto, além de meias de algodão e sem costuras

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO – O especialista em neuropatia Luiz Clemente Rolim explica que somente 25 a 30% dos pacientes com neurite diabética apresentam algum sintoma, que pode variar desde um simples formigamento nos dedos dos pés até dores insuportáveis nas pernas, que impendem o paciente de dormir a noite toda.

“Esse tipo de dor chamamos de ‘dor neuropática’, e é realmente uma das mais difíceis de tratar em toda a medicina. Felizmente, as pesquisas médicas caminham muito rapidamente neste campo e, hoje, há muito que fazer pelos que sofrem de dor neuropática crônica”, afirma o especialista em neuropatia diabética.

Rolim diz que o diagnóstico nunca deve basear-se apenas nos sintomas dos pacientes e sempre devem ser realizados testes objetivos para avaliar a função dos nervos. De acordo com o médico, devem ser realizados o exame neurológico, para testar as sensibilidades térmica, dolorosa, vibratória e táctil, que pode ser realizada em qualquer consultório por médico treinado.

Outro exame que deve ser realizados são os testes que exigem aparelhos e preparo do paciente: análise da variabilidade da frequência cardíaca e outros testes neurofisiológicos. “Na prática, para fechar-se o diagnóstico de neurite diabética, são necessárias duas condições: haver pelo menos dois testes alterados dos descritos e afastar outras causas de neurite, como hipotireoidismo e hérnia de disco, por exemplo”, explica o especialista.

O diagnóstico correto é o primeiro passo para o sucesso do tratamento, segundo Rolim. A cura da doença só será possível se diagnosticada no início, e mesmo assim exigirá um controle rígido do diabetes e autodisciplina do paciente em relação à alimentação e ao estilo de vida saudável.

“Eu sempre digo que a melhor cura é a prevenção. Para isso, deve-se zelar por um bom controle glicêmico, não só da glicemia de jejum, mas especialmente das glicemias pós-refeição, desde o início do diabetes.” A recomendação do especialista é que o portador da doença deve consultar o médico regularmente pelo menos a cada três meses e os pés devem ser inspecionados e apalpados em todas as consultas, além de medir sempre a frequência e a pressão arterial em pé e deitado.

O podólogo é o profissional indicado para ajudar na prevenção e orientação caso ocorram lesões nos pés, como micoses nas unhas e entre os dedos

APRENDA A SE PREVENIR DE FERIMENTOS – A prevenção de ferimentos nos pés é essencial para evitar o desenvolvimento da neuropatia diabética. A podóloga Márcia Souza recomenda observar diariamente os pés, verificar se não estão em atrito com os sapatos, para evitar a formação de bolhas e calosidades.

Para o médico Luiz Clemente Rolim, a neuropatia diabética pode ser prevenida desde que diagnosticada a tempo, ou seja, nos primeiros três a cinco anos do início do diabetes. “É crucial conscientizar todos os diabéticos e profissionais da saúde que lidam com diabetes que a neurite diabética é a complicação crônica mais comum do diabetes mellitus e que sua evolução é inexorável se não for diagnosticada a tempo. Ou seja, se descoberta muito tardiamente, não haverá mais nada a fazer para preveni-la ou curá-la”, explica.

A higienização dos pés deve ser feita com sabão neutro e água morna, secando bem entre os dedos. “O mais importante é que os diabéticos devem estar convencidos de que os cuidados regulares com os pés vão reduzir muito a chance de apresentar ulcerações ou fatores bem mais graves, como o risco de amputações”, explica a podóloga.

Para prevenir ferimentos causados pelos calçados, a especialista orienta que o sapato deve ter tamanho ideal e ser confortável, não podem machucar os pés, e não podem ser apertados. “Uma orientação importante sobre calçados é comprá-los sempre na parte da tarde ou noite, quando o fluxo sanguíneo já está normal e os pés assumem inchaço normal do dia a dia. Cuidado também ao cortar as unhas, não usar nada pontiagudo”, recomenda.

Mas se mesmo com esses cuidados o diabético ferir os pés, vai precisar tomar alguns cuidados especiais, como não utilizar pomadas ou água oxigenada para tentar limpar a ferida, pois, segundo Márcia, esses produtos destroem as células vivas do machucado, provocando macerações e retardando a cicatrização.

“Apenas use soro fisiológico, o jato de soro vai remover a sujeira e corpos estranhos sobre a ferida. Em seguida, procure um profissional médico, podólogo para orientações.”A especialista lembra que o podólogo pode ajudar na prevenção e orientação caso ocorram lesões nos pés, como micoses nas unhas e entre os dedos, conhecidos como frieira, unha encravada, calos, calosidades e verrugas.

Fonte: Diário Web

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Passo Firme – 04.09.2012
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