Mão ou braço podem ser reimplantados até seis horas após amputação

CICLISTA

No último domingo (10), o caso do ciclista que teve o braço arrancado após ser atingido por um motorista em São Paulo chocou o país. A equipe que atendeu o rapaz no Hospital das Clínicas (HC) estava pronta para tentar o reimplante, mas o braço, atirado em um córrego pelo atropelador, não foi encontrado. “O tempo de tentativa já se foi e só nos restou somente a opção de limpar e suturar a ferida”, desabafou uma das médicas no Facebook.

Quanto mais próxima do tronco for a parte amputada, menor o prazo para se tentar o reimplante. Em casos de braços ou mãos extirpados, o limite é de seis horas, segundo os médicos. Já quando se perde um dedo ou parte dele, por exemplo, o limite aumenta para até 20 horas. Isso se as condições do paciente permitirem e se o membro for conservado adequadamente até a chegada ao hospital – ele deve ser colocado em um saco plástico com água ou envolvido em um pano limpo, e então guardado em um recipiente com gelo.

“Nem sempre é possível tentar o reimplante”, frisa o ortopedista e microcirurgião Marcelo Rosa de Rezende, do Instituto de Ortopedia do HC. Em primeiro lugar, é preciso considerar o estado geral da vítima – se ela sofreu algum trauma mais importante, o foco dos médicos deve ser em salvar a vida e evitar sequelas mais graves. A cirurgia para recolocar o membro amputado é longa e nem todo paciente tem condições de ser submetido ao procedimento.

Outro aspecto importante é a maneira como ocorreu a amputação: os casos de arrancamentos são sempre mais complexos que decepamentos provocados por máquinas industriais, algo que ocorre com muito mais frequência no Brasil.

Por fim, é importante lembrar que não é qualquer hospital, nem qualquer profissional, que está habilitado a fazer esse tipo de cirurgia. Em geral, reimplantes são feitos por cirurgiões-ortopedistas ou cirurgiões plásticos com especialização em microcirurgia, uma técnica muito específica.

RISCOS – Passado o prazo para a tentativa de reimplante, o risco para o paciente é muito grande. “No período sem circulação, a estrutura começa a sofrer decomposição e libera substâncias que, depois, quando o sangue volta a circular, são levadas para órgãos como pulmões ou rins e podem até levar à morte”, explica Rezende.

Além de estimar todos esses riscos, o médico precisa avaliar se o membro reimplantado terá alguma função após o procedimento. “Às vezes um dedo sem movimento pode até atrapalhar os outros”, comenta. Nesse caso, é preciso ser firme e não ceder às pressões da vítima e de seus familiares, que às vezes estão mais concentrados na questão estética.

Quando a amputação é de membros inferiores, aliás, a indicação para reimplante é bem mais restrita. As próteses, nesse caso, funcionam bem e podem ser a melhor opção para que o paciente volte a andar e leve uma vida normal.

A cirurgia de reimplante é bastante delicada, por isso só pode ser feita por um profissional capacitado. No caso de um dedo, por exemplo, pode levar até quatro horas. Uma mão, cerca de oito horas.

O ortopedista e especialista em cirurgia de mão Mario Vieira Guarnieri, do Hospital Israelita Albert Einstein, conta que, ápós a limpeza dos cotos, o primeiro passo é a fixação óssea, que às vezes requer pinos ou placas. Em seguida, é preciso suturar todos os principais tendões, e então partir para as artérias e veias disponíveis e, por último, para os nervos envolvidos. A reabilitação, depois, também é longa.

o que fazerPRIMEIROS SOCORROS – Caso uma pessoa presencie uma amputação, o procedimento mais importante é socorrer a vítima, usando um pano ou algo parecido para fazer uma compressão forte no local a fim de conter a hemorragia. “Geralmente as artérias cortadas entram em espasmo e param de sangrar depois de alguns minutos”, diz o cirurgião do Einstein.

A parte do corpo que foi amputada precisa ser conservada em baixas temperaturas para adiar sua deterioração. Mas, atenção: nunca se deve colocar o tecido diretamente em contato com o gelo. Lembre-se dos documentários sobre exploradores que perderam os dedos pela exposição ao frio extremo.

Não tente lavar ou desinfetar a parte amputada, para não correr o risco de deteriorá-la ainda mais. A vítima e a parte amputada devem ser levadas o mais rápido possível para um grande hospital, se possível um centro que tenha um setor especializado em atendimento a trauma.

Fonte: UOL Notícias

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Passo Firme – 14/03/2013
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