Cérebro pode reagir a estímulo visual como se estivesse sentindo por tato

O cientista Miguel Nicolelis (à direita) observa macaco caminhando em esteira durante experimento em seu laboratório nos EUA (Foto: Reprodução/TV Globo)
O cientista Miguel Nicolelis (à direita) observa macaco caminhando em esteira durante experimento em seu laboratório nos EUA (Foto: Reprodução/TV Globo)

Pesquisa da equipe de Miguel Nicolelis mostra reação integrada do cérebro. Estudo pode ajudar no projeto para construção de exoesqueleto.

A equipe de pesquisa liderada pelo brasileiro Miguel Nicolelis publicou novo artigo na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, em que os cientistas mostram que os neurônios responsáveis pelo tato e aqueles ligados ao controle de movimentos podem também responder a estímulos visuais devido à forma integrada como o cérebro os trabalha.

O trabalho pode ter implicações para a melhor integração de próteses, um dos objetivos do projeto “Walk Again” (andar de novo, em inglês), uma iniciativa de Nicolelis que pretende fazer com que um paraplégico dê o pontapé inicial da Copa de 2014 usando um exoesqueleto robótico comandado pelo cérebro.

No trabalho publicado na última segunda-feira (26), é descrita uma experiência na qual dois macacos assistem a imagens de um braço sendo tocado por uma bola, enquanto seus braços são tocados simultaneamente. Em seguida, os animais deixam de ser tocados fisicamente, mas seguem vendo o “braço virtual” entrando em contato com a bola.

Os pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, verificaram que o sistema somatossensorial do corpo, aquele responsável por unir informações de tato e posição corporal, e o sistema motor, reagiam ao estímulo visual, numa evidência que o cérebro funciona de forma integrada.

As respostas cerebrais aconteceram 50 a 70 milésimos de segundo mais tarde que quando há o toque físico, mas esse ‘atraso’ é consistente com o tempo esperado para que os caminhos cerebrais conectassem a área ligada com a visão à somatossensorial e motora.

“Essas conclusões corroboram nossa noção de que o cérebro funciona como uma rede que interage continuamente”, diz Miguel Nicolelis, em comunicado de divulgação do trabalho. O pesquisador brasileiro espera usar as descobertas no Projeto Walk Again.

A criação de próteses biônicas que se incorporam plenamente aos circuitos sensoriais e motores do cérebro poderia permitir que esses equipamentos se integrassem na imagem que o cérebro cria do próprio corpo, também conhecido como esquema corporal.

“Quando nos tornamos proficientes no uso de ferramentas – como um violino, um mouse de computador ou um membro artificial – nosso cérebro provavelmente está alterando a imagem interna dos nossos corpos, para incorporar as ferramentas como extensões de nós mesmos”, diz Nicolelis, ainda segundo a nota da Universidade Duke.

Fonte: G1 Ciência e Saúde

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Passo Firme – 30/08/2013
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