Supera dor, o preconceito e dá uma lição!

Mesmo com todas as dificuldades, a formatura, em dezembro de 2009, marcou mais uma vitória para Valdete Dias | Foto: Arquivo Pessoal
Mesmo com todas as dificuldades, a formatura, em dezembro de 2009, marcou mais uma vitória para Valdete Dias | Foto: Arquivo Pessoal

É com imenso prazer e grande admiração que posto aqui no blog uma matéria sobre a história de vida e superação de Valdete Dias (foto), uma guerreira natural de Piúma-ES que, em 1990, teve as duas pernas amputadas em decorrência de um acidente de ônibus quando estava – acreditem – à caminho da Lua de Mel. A matéria, escrita por Luciana Maximo, foi publicada no último dia 30 de outubro no Jornal Espírito Santo Notícias.

Val (ao centro) na companhia de outros pacientes do CMW, clínica que a acompanha desde 2011 | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Val (ao centro) na companhia de outros pacientes do CMW, clínica que a acompanha desde 2011 | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

Tive a honra de conhecer a Val (como os amigos costumam chamá-la) em novembro de 2011, quando iniciava – ainda temeroso e apreensivo – o meu processo de reabilitação com prótese no Centro Marian Weiss (CMW), em São Paulo, de onde somos pacientes. Acompanhada de uma amiga de mesmo nome, aquela moça me encantou não apenas pela beleza, mas também pela grande história de superação e pelo belo sorriso, marca registrada de sua fisionomia.

O caso dessa piumense arretada nos ensina que, por mais difícil e intransponível um problema possa parecer, temo um Deus que é superior a todos eles e nos auxilia a superar qualquer adversidade! Confira a matéria e veja como a vida pode nos surpreender…

Lázaro Britto

Também no CMW | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Também no CMW | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

Perde as duas pernas na lua de mel, supera a dor, o preconceito e dá uma lição!

Por Luciana Máximo

Ela tinha apenas 21 anos. Estava a caminho da lua de mel em Cabo Frio/RJ, após dois dias do seu casamento na década de 90. Um acidente de ônibus mutilou a jovem que se preparava para começar uma vida repleta de projetos. 23 anos depois, Valdete Dias conta sua história de vida e deixa uma lição de superação e se recusa a culpar Deus e o destino.

“Estava no ônibus a caminho da lua de mel dois dias após o meu casamento. A viagem até Cabo Frio foi interrompida no trevo de Piúma. O veículo capotou e fiquei presa nas ferragens. Tive uma amputação imediata. Oito dias mais tarde, perdi a outra perna, na altura da coxa, devido a uma infecção hospitalar.

Meus planos nunca mudaram, o que mudou completamente foi a vida. Tive que reaprender a andar, fiquei um ano internada por causa da reabilitação. Após sair do hospital, precisei voltar a viver. Eu precisava viver! E era uma nova vida onde eu tinha que adaptar tudo. Três anos após o casamento, chegou meu filho Felipe. O casamento acabou após alguns anos.

Na prática, minha vida se tornou “normal”. Vivo em função das próteses, me aposentei e nunca mais pude trabalhar.

Tive contato com a arte na terapia ocupacional. Sempre fui professora da rede municipal de Piúma, trabalhando com educação infantil. A nova vida fez com que eu me apaixonasse pela arte. Isso me levou a pintar as telas que hoje são o meu sustento. Especializei-me e dou aulas em meu ateliê, em casa. Durante vários anos ministrei cursos na Associação das Famílias de Pescadores de Piúma e hoje, graças a Deus, levo uma rotina normal e sou muito feliz. Para muitos, a vida acaba quando uma tragédia ocorre na vida delas, para mim, foi um recomeço”.

Na companhia do Dr. Marco Guedes, fundador do CMW, em uma confraternização promovida todo fim de ano pela clínica | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Na companhia do Dr. Marco Guedes, fundador do CMW, em uma confraternização promovida todo fim de ano pela clínica | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

BARREIRAS – Valdete bateu esse papo na praia, tomando água de coco, de bem com a vida. Mas, nem tudo são flores para a artista. O preconceito e a falta de acessibilidade são barreiras que ela precisa transpor diariamente. Segundo ela, não há calçadas adaptadas e os prédios acabam por excluir as pessoas com necessidades especiais, inclusive a Prefeitura e demais órgãos públicos, que deveriam dar o exemplo.

“Piúma é um problema para quem tem deficiência. Se eu tiver de sair de casa de cadeiras de rodas, não tenho como andar. Os bares não têm rampas, os hotéis não são adaptados. Tenho amigos que gostariam de passar uma temporada aqui, mas não há hotel adaptado. Já fiz uma pesquisa e no momento não tem nada. Para vir à praia é outro problema, não temos um calçadão, rampas. Outro dia uma amiga me perguntou se aqui não tinha a cadeira anfíbia (uma cadeira de rodas para o deficiente entrar na água). Eu disse: ‘aqui não tem nem um calçadão apropriado… quem dirá uma cadeira anfíbia!’”, brincou.

Valdete vai além: “Sem direito de entrar no mar, de curtir um show na orla. Se houver um show não dá para vir, não tem vagas de estacionamentos para pessoas com necessidades especiais, é um problema para estacionar. Eu tenho carro adaptado, posso me locomover para alguns lugares, mas quem não tem, fica impossível. Não tem como andar de cadeira na rua”.

Desta vez, na companhia de Jenifer Patricia e Mônica Yamaoka, enfermeira e fisioterapeuta do CMW, respectivamente | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Desta vez, na companhia de Jenifer Patricia e Mônica Yamaoka, enfermeira e fisioterapeuta do CMW, respectivamente | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

PRECONCEITO É O PIOR – Solteira, a professora afirma que o pior não é conviver com a deficiência e a falta de acessibilidade. Valdete sente na pele o preconceito velado da sociedade. Ela relata uma experiência que mostra o despreparo do ser humano para conviver com as diferenças. Um dia, em um barzinho, um rapaz a paquerava. Ela estava sentada. Quando se levantou e pegou as muletas, ele se transformou, passou a olhá-la de outra forma.

“Sempre tem preconceito. Às vezes as pessoas acham que, por não ter as pernas, sou incapaz de fazer alguma coisa, até mesmo de ter namorados. Outras vezes quando chego a algum lugar as pessoas param, olham, acham que é uma coisa de outro mundo. Quando estou sem as próteses, as pessoas se impressionam mais ainda”, segredou.

A artista deixa uma lição. “Uma coisa eu aprendi: A gente deve sempre olhar para o lado e para trás, porque sempre há alguém em situação pior que a nossa. Muitas das vezes sempre reclamamos que não temos algo. Conheço pessoas que não tem os quatro membros e são felizes. Eu só não tenho dois, eu tenho meus braços, minha cabeça boa. Existem pessoas que não conseguem nem se locomover e também são felizes. Aos acomodados, digo que devem agradecer pelo que tem e não reclamar do que não tem”.

Val ao lado de algumas das pinturas em tela que ensina em seu ateliê, em Piúma-ES | Foto: Arquivo Pessoal
Val ao lado de algumas das pinturas em tela que ensina em seu ateliê, em Piúma-ES | Foto: Arquivo Pessoal

Atualmente Valdete ministra aulas de pintura em tela e tecido, três horas diárias, na própria casa. Para os interessados, o ateliê fica na Rua Manoel Português, 950, no Centro de Piúma.

Fonte: Espírito Santo Notícias

Passo Firme – 05/11/2013
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Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 3 – A influência do fator emocional no processo de reabilitação

O apoio emocional por parte da família é essencial para o êxito da recuperação do paciente
O apoio emocional por parte da família é essencial para o êxito da recuperação do paciente

Por Marilda Pires e Simone Bastos (*)

Como dissemos no início (veja a parte 1 do artigo), a dor tem uma memória e sofre grande influência do fator emocional como nos estados de depressão, ansiedade, etc. e pela proximidade das áreas cerebrais. Pesquisadores têm investigado o modo como estes estados alteram ou estimulam o retorno da dor fantasma.

Nesta fase de luto, deve-se dar uma atenção especial ao tratamento
Nesta fase de luto, deve-se dar uma atenção especial ao tratamento

Cabe a observação que ocorre um luto pela perda daquele segmento e nesta fase deve se ter uma atenção especial no tratamento. Tem sido também relacionado que em datas próximas ao evento do acidente ou da doença que levou a amputação com o aparecimento das sensações e de transtornos emocionais, com relatos dos amputados de sentirem novamente dor, câimbras, tristeza, depressão, mal estar e alteração da pressão arterial.

No nosso dia a dia de trabalho como terapeutas ocupacionais, é comum que no momento de receber a prótese, mesmo passando pelas provas na confecção e modelagem para a mesma, ainda não tenha sido superado o conflito da amputação e comumente há a lembrança do trauma novamente, acontecendo um novo luto.

O processo é longo para absorver a tecnologia assistiva, fazer as adaptações pessoais e para o ambiente que ajudarão na realização das atividades de vida diária e Instrumentais, produtivas e de lazer, incorporando a prótese ao seu cotidiano, para que ela faça parte dos seus movimentos e ações de maneira natural.

Para quem se interessou sobre o assunto, segue alguns links de leituras recomendadas:

Amputados de membros superiores e Terapia Ocupacional | por Eliana Queiroz.

A atuação da terapia ocupacional em Traumato-ortopedia, enfatizando as intervenções em casos de amputações e fraturas | por Janne Azevedo.

Membro Fantasma | por Percepto.

Uma Nova Mão para Bruno | por Mariana Fulfaro.

Cérebro “reconhece” nova mão após 35 anos | por Ana Cristina.

Autoconhecimento: Conheça a história de um campeão anônimo | por Mariana Uchôa.

Como dar apoio psicológico a pacientes amputados | por Mariane Boanato.

(*) Autoras:

20130826 - Marilda PiresMarilda Coelho Barçante Pires | Terapeuta Ocupacional do grupo de amputados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), centro de referência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades.

20130826 - Simone BastosSimone Maria de Bastos | Terapeuta Ocupacional pela Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Mottae; coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Funcional da Terapia Ocupacional, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 2); e coordenadora nacional do Grupo de Saúde Funcional da Associação Brasileira de Terapia Ocupacional (Abrato).

Leia também:

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 1 – O que são e como acontecem

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 2 – Como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos comuns a vida da pessoa amputada

Passo Firme – 29/08/2013
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Primeiro transplantado de duas pernas precisou ser amputado

O cirurgião espanhol Pedro Cavadas, que conduziu a operação de 10 horas do transplante, em uma entrevista coletiva em no Hospital La Fe, em Valência.
O cirurgião espanhol Pedro Cavadas, que conduziu a operação de 10 horas do transplante, em uma entrevista coletiva em no Hospital La Fe, em Valência.

O primeiro homem a ter duas pernas transplantadas precisou ser amputado “devido a complicações de uma doença que não está relacionada com o transplante”, anunciou nesta terça-feira o hospital espanhol onde ele foi submetido a operação em julho de 2011.

“O paciente transplantado no Hospital La Fe em 2011 precisou ser submetido a uma cirurgia para amputar as duas extremidades enxertadas (…), porque sofria de complicações por uma doença que não está relacionada com o transplante”, indicou o hospital público, localizado em Valência, na costa leste da Espanha, em um comunicado.

“Para receber o tratamento adequado para esta doença, ele precisou parar de tomar o tratamento imunossupressor que precisava após o transplante, já que estes medicamentos dificultam o processo de recuperação”, explicou a instituição.

“Nestes casos, o protocolo estabelece que, se o órgão transplantado não é um órgão vital, deve ser removido do paciente, de modo que ele possa receber um tratamento para a doença que parece ser a mais grave e urgente”, afirma o hospital, que explicou não ter sido autorizado pelo paciente a dar mais informações sobre o seu estado de saúde.

O transplante foi realizado em julho de 2011 pelo cirurgião espanhol Pedro Cavadas em um jovem biamputado, que foi condenado a viver numa cadeira de rodas. Este cirurgião realizou em 2008 o primeiro transplante duplo de braço na Espanha, o segundo no mundo, e em 2009 o primeiro transplante de rosto na Espanha. O transplantado, cuja identidade não foi revelada, tinha perdido as duas pernas em um acidente de carro e teve de ser amputado acima do joelho.

A Espanha manteve-se em 2011 como o primeiro país no mundo em transplantes de órgãos, apesar da crise, de acordo com dados da Organização Nacional de Transplantes (ONT), com mais de 4.200 transplantes realizados e uma taxa de 35,3 de doadores por milhão de habitantes, contra 28,1 em Portugal, 26 nos Estados Unidos e 25 na França.

Fonte: Terra Saúde | Via AFP

Relembre o caso:

PRIMEIRO TRANSPLANTE DUPLO DE PERNAS NO MUNDO É REALIZADO NA ESPANHA
PRIMEIRO TRANSPLANTADO BILATERAL DE PERNAS JÁ ANDA
VIDA X TRANSPLANTES – PLACAR 0 X 0

Passo Firme – 12/06/2013
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Kit cirúrgico de amputação do século 19 em exposição nos EUA

Até meados do século XIX, antes de certas descobertas que possibilitarem a realização de grandes cirurgias, as opções limitavam-se a operar com tais equipamentos um paciente acordado, com grande risco de infecção
Até meados do século XIX, antes de certas descobertas que possibilitarem a realização de grandes cirurgias, as opções limitavam-se a operar com tais equipamentos um paciente acordado, com grande risco de infecção

Se você apenas olhasse para a imagem sem saber do que ela se trata, acharia o kit bonito e mesmo elegante – isso até imaginar alguém sendo realmente amputado com essas ferramentas.

Sim, temos que agradecer imensamente pelo desenvolvimento da medicina, especialmente porque essas simples facas (pra quê será que servia aquela curvada?) eram usadas nas pessoas provavelmente sem anestesia – o único jeito de lidar com a dor era desmaiar para ter pelo menos alguns segundos de alívio.

Até meados do século XIX, antes de certas descobertas que possibilitarem a realização de grandes cirurgias, as opções limitavam-se a operar um paciente acordado, com grande risco de infecção (nem precisamos mencionar que eles não tinham antibióticos, outra invenção abençoada de 1929).

Mas, na década de 1840, dentistas americanos se tornaram pioneiros no uso primeiro de óxido nitroso e depois de éter como anestésicos. Este último foi logo adotado na Europa para fins cirúrgicos.

Os instrumentos mostrados acima fazem parte de uma exposição encerrada nesta sexta-feira (31) na Universidade de Drexel (EUA) na Filadélfia, intitulada “A Legacy of Art, Science & Industry: Highlights from the Collections of Drexel University” (em português, “Um legado de arte, ciência e indústria: destaques da coleção da Universidade de Drexel”).

Aproximadamente 90 objetos dos séculos 15 a 20, incluindo pinturas, esculturas, gravuras, desenhos, livros raros, documentos históricos, cartazes políticos e figurinos históricos também estão na amostra.

“Esta exposição lindamente reúne exemplos de criatividade e habilidade que foram preservados por toda a universidade para as gerações”, disse o Dr. Luther Weldon Brady Jr, presidente honorário da exposição. “Estou emocionado por fazer parte de tornar essa coleção disponível, cumprindo o papel pessoal e histórico das coleções da universidade: iluminar o passado e informar e inspirar as novas gerações”.

Fonte: Hype Science | Via Mundo Estranho

Passo Firme – 31/05/2013
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Um recomeço para a jovem Aimee Copeland

Aimee exercendo atividades normais com as novas próteses
Aimee exercendo atividades normais com as novas próteses

Um ano após o acidente em que a jovem americana Aimee Copeland contraiu a bactéria conhecida como fascite necrosante, vídeo mostra a jovem exercendo atividades normais com as próteses biônicas

Creio que todos ainda lembram da história de Aimee Copeland, que em maio do no passado contraiu uma bactéria que devora a pele e a fez perder as mãos, pés e uma de suas pernas. Pois bem, no último dia 17 a jovem americana apareceu em um programa da emissora NBC onde exibiu suas novas mãos biônicas, doadas pela empresa Touch Bionics.

No vídeo abaixo, da emissora Today.Com, Aimee aparece cortando morangos, dobrando roupas, escrevendo e até utilizando um alisador de cabelos. A jovem recebeu treinamento de técnicos da empresa, que a ensinaram a usar as próteses, que respondem aos sinais musculares e são capazes de realizar 24 tipos de movimentos diferentes.

Um porta-voz da companhia informou que a empresa decidiu doar os membros após tomar conhecimento de que a família de Aimee teria que pagar pelas próteses. Veja o vídeo:

ACIDENTE – Em 2012, Aimee Copeland sofreu um acidente com uma tirolesa improvisada sobre um rio no estado da Geórgia. Ela cortou a perna e caiu no rio, onde foi infectada por uma bactéria e desenvolveu uma doença rara chamada fasceíte necrotizante.

A bactéria Aeromonas hydrophila vive em clima quente e em água fresca, como a de rios onde a estudante se acidentou. O germe raramente causa a doença, mas quando ela se manifesta, a infecção é extremamente grave e pode levar a morte.

A infecção destrói as camadas internas e externas da pele, porque a bactéria libera toxinas que destroem os tecidos. Os médicos tiveram que amputar a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos de Aimee.

Em meados de maio do ano passado, a estudante de psicologia já tinha dado sinais de recuperação. Primeiro, ela voltou a respirar sem aparelhos. Dias depois, conseguiu se sentar sozinha e passou a se alimentar.

Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)
Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)

Em 27 de maio, Aimee Copeland conversou pela primeira vez com médicos e familiares. “Oi. Nossa. Uau, como minha cabeça está confusa”, foram as primeiras palavras da garota de 24 anos, segundo seu pai, Andy Copeland.

A primeira coisa que pediu à mãe, aliás, foi um café da manhã reforçado: salsicha vegetariana, pão, molho branco, ovo frito e frutas frescas. “Ela provavelmente vai comer só um pedacinho, mas é claro que eu vou fazer. Que mãe não faria?”, emocionou-se a mãe, Donna.

Fonte: G1 Ciência e Saúde

Leia também:

LUTA DE JOVEM AMERICANA CONTRA BACTÉRIA CARNÍVORA CONTINUA

Passo Firme – 18/05/2013
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Britânico quase perde a perna por causa de “bactéria carnívora”

Steven Holzman

Segundo médico que tratou o caso, a infecção pode matar se não for diagnosticada e tratada a tempo

Creio que todos ainda lembram a história de Aimee Copeland, uma jovem americana de 24 anos que, em maio do ano passado, foi vítima de um ataque brutal de uma “bactéria carnívora” de pele, contraída em água de rio. A infecção, conhecida como “fasceíte necrosante”, custou-lhe a amputação de uma das pernas, um pé as duas mãos. Pois mais recentemente, um homem britânico – embora tenha tido mais sorte que Aimeé – quase morreu após um pé-de-atleta evoluir para o mesmo problema.

Steven Holzman (foto) ficou mais de dois meses internado tentando tratar a doença, que ameaçava necrosar sua perna. Após várias semanas de internação hospitalar, Steven Holzman conseguiu livrar-se da bactéria, mas ainda tem de andar com a ajuda de muletas e não pode trabalhar.

Inicialmente Holzman tratou o pé-de-atleta com um creme comprado sem receita numa farmácia. No dia seguinte, com o pé inchado, ele teve de ser internado às pressas em um hospital local, onde passou por três operações em quatro dias. Foi ái que veio o diagnóstico: os médicos descobriram que ele havia desenvolvido uma doença conhecida como “fasceíte necrosante”, uma infecção extremamente grave, que necrosou parte de seus tecidos do pé até o quadril.

Eles acreditam que Holzman tenha contraído a rara infecção bacteriana por meio de um pequeno corte em seus dedos enquanto trabalhava como pedreiro, quando mantinha pés sempre úmidos.

Holzman conta que quando as gazes foram retiradas após a primeira operação, havia “um buraco no topo do pé”. “Fiquei absolutamente aterrorizado. Não sabia quando aquilo ia parar, ou se ia parar alguma hora”, disse. A infecção continuou crescendo até chegar ao osso do quadril. “Fui para a minha última operação sabendo que eu podia voltar da sala de cirurgia só com uma perna, em vez de duas”, contou Holzman. “Tenho muita sorte de ter sobrevivido, mas tenho ainda mais sorte de ainda ter minha perna”, afirmou.

Segundo o cirurgião Anthony Armstrong, que tratou de Holzman no Hospital de Wexham Park, no condado de Surrey, a infecção contraída por ele era conhecida no passado como “pé de trincheira”, comum em soldados da Primeira Guerra Mundial submetidos a longa exposição a condições úmidas, frias e insalubres. “Mesmo nos dias de hoje, com a medicina moderna e os cuidados e as técnicas cirúrgicas modernas, os pacientes ainda podem morrer desse problema se ele não for diagnosticado e tratado efetivamente e rapidamente”, afirma.

Aimme Copeland

Sobre a Aimme Copeland (foto), veja aqui como ela superou a “bactéria carnívora”, mesmo perdendo parte de todos os seus membros.

Fonte: BBC Brasil

Leia também:

Jovem tem perna amputada por doença de pele contraída em água de rio

Passo Firme – 11.01.2013
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Luta de jovem americana contra bactéria carnívora continua

Todos lembram da história de Aimee Copeland, a jovem americana de 24 anos que foi vítima de um ataque brutal de uma bactéria “carnívora” de pele, contraída em água de rio. A infecção, conhecida como fascite necrosante, inicialmente custou-lhe um das pernas, mas de lá para cá já obrigou à amputação do outro pé e das duas mãos. Apesar da mutilação em série, a família agora festeja uma vitória: Aimeé já respira sem ajuda de aparelhos.

A semana passada foi dramática para a jovem norte-americana, com a amputação das duas mãos e do pé lhe restava (uma perna já tinha sido cortada), mas esta começa com o que a família considera ser um motivo de festa: Aimee respira sozinha, apesar de ter ainda de receber oxigênio.

A estudante da Universidade de West Geórgia contraiu a infecção – uma doença conhecida como fascite necrosante – no último dia 1º de maio, quando caiu em um rio enquanto praticava rapel, ferindo-se numa perna. Levou 22 pontos, mas, três dias depois, ainda tinha dores e foi às urgências, onde os médicos fizeram o diagnóstico: infeção pela bactéria Aeromonas hydrophila.

Apesar de não falar, Aimee tem mostrado boa-disposição, comunicando-se com a família e amigos movendo apenas os lábios e já pede livros e acesso ao computador. Quando o pai lhe explicou, na semana passada, que seria preciso amputar as mãos, a jovem mostrou-se um pouco confusa, mas anuiu: “Vamos lá.”

A coragem de Aimee, internada na unidade de cuidados intensivos do Doctors Hospital, na Geórgia, EUA, está comovendo todos quantos seguem o desenrolar da sua história. Este tipo de infecção é fatal para uma pessoa em cada quatro casos.

Fonte: ABC News

Conheça o caso:

Jovem tem perna amputada por doença de pele contraída em água de rio

Passo Firme – 25.05.2012
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Jovem tem perna amputada por doença de pele contraída em água de rio

A doença, conhecida como fasceíte necrotizante, deixa a pele com aspecto necrosado e pode causar amputação de membros.

Depois de contrair uma rara doença de pele, que deixa os tecidos com aspecto necrosado, como se a pele fosse devorada aos poucos, uma estudante norte-americana de 24 anos teve a perna amputada e deve perder ainda os dedos das mãos e parte do abdome. As informações são da rede de televisão ABC.

Aimee Copeland (foto) estava andando em uma tirolesa artesanal próxima ao um rio quando a linha se rompeu. Ao cair, um grande corte se fez em sua perna esquerda. Apesar de a ferida ter sido tratada, uma bactéria se alojou em sua pele, deixando toda sua perna com um aspecto de necrose.

A doença é conhecida como fasceíte necrotizante. A infecção destroi as camadas internas e externas da pele, porque a bactéria Aeromonas hydrophila libera toxinas que destroem os tecidos. A bactéria vive em clima quente e em água fresca, como a de rios onde a estudante se acidentou. O germe raramente causa a doença, mas quando ela se manifesta, a infecção é extremamente grave e pode levar a morte.

Apesar de Copeland estar mostrando sinais de recuperação, a garota respira com ajuda de aparelhos e, por causa do tubo de respiração, não consegue falar.

A família ainda acredita na recuperação da jovem, que já mostrou avanços nas funções cerebrais, que também estavam sendo afetadas. Assim como seus amigos de faculdade onde ela estudava psicologia, que se reuniram para fazer vigilía em nome da colega.

Fonte: ABC News / Por G1 SP

Passo Firme – 16.05.2012
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Como dar apoio psicológico a pacientes amputados?

O apoio emocional por parte da família é essencial para o êxito da recuperação do paciente

Mariane Bonato*

O apoio psicológico durante a reabilitação do amputado é fundamental tanto para o paciente como para sua família. Para o paciente, a importância está na sensibilização para o tratamento, na aprendizagem de novos modelos de vida para superar os desafios impostos pela amputação.

A pessoa que perde um órgão sofre modificações bruscas em sua vida, afetando diretamente seu comportamento e a maneira de agir. Indivíduos que passam por uma amputação de membro têm o desafio de se ajustar psicologicamente de algum modo à perda desse membro.

O apoio da família e do grupo social é fundamental para o sucesso da reabilitação, o indivíduo busca nos relacionamentos a confiança e a aceitação de suas limitações, além de sentir-se mais amado e estimado, com sensação de controle de sua própria vida.

Muitos pacientes se adaptam favoravelmente à reabilitação, principalmente quando se sentem amparados por uma rede de relações afetivas, vividas no âmbito familiar. Vale ressaltar que os familiares também precisam de apoio para aprender a lidar com a nova situação, pois as mudanças estendem-se a todos os membros da família.

Há alguns fenômenos psicológicos que podem ocorrer com o indivíduo em virtude da perda de um membro, que são considerados mecanismos acionados pela pessoa para suportar a situação traumática. Estas reações emocionais podem ser a negação, a raiva, a culpa, o sentimento de impotência, e por fim a aceitação.

A aceitação tanto da deficiência como das limitações impostas por ela é um dos melhores indicadores de ajustamento positivo após a amputação. Se o paciente consegue aceitar a sua nova condição, fica mais fácil encarar as atividades com naturalidade e vencer os desafios, e desse modo, a reinserção social é mais efetiva.

* Psicóloga, Curitiba-PR.

Fonte: Portal Bonde

Passo Firme – 09.03.2012
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Primeiro transplantado bilateral de pernas já anda

Paciente do sexo masculino, entre 20 e 30 anos, foi submetido a transplante de ambas as pernas em julho deste ano e – acreditem – já consegue dar passos dentro de piscina.

O jovem que foi submetido a uma pioneira e inédita cirurgia de transplante de ambas as pernas num hospital de Valência, em Espanha, já dá passos na piscina e, dentro em breve, vai começar a andar em barras paralelas. A confirmação foi feita à agência espanhola EFE pelo cirurgião Pedro Cavadas (foto).

A operação ocorreu em julho deste ano no hospital La Fe de Valência e três semanas depois o jovem recebeu alta. Desde então, o transplantado iniciou uma série de exercícios de reabilitação e até ao momento não sofreu nenhuma complicação relevante.

De acordo com o médico Pedro Cavadas, ainda que faltem muitos meses até que possa caminhar sem ajuda, de forma autónoma, “tudo ocorre conforme o prognosticado” e o paciente está muito contente. O transplante bilateral de pernas envolveu cinquenta profissionais de saúde durante muitas horas de intervenção. O mesmo cirurgião tinha feito, em agosto de 2009, o primeiro transplante do mundo de rosto, incluindo mandíbula e língua a um homem de 43 anos.

Fonte: Agência EFE / Site Tvnet

Saiba mais:

Primeiro transplante duplo de pernas no mundo é realizado na Espanha
Jovem que recebeu transplante duplo de pernas poderá caminhar em alguns meses
Vida X Transplantes – Placar 0 X 0

Passo Firme – 27.12.2011
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Vida X Transplantes – Placar 0 X 0

Rita de Cássia Oliveira *

O maior desejo de um amputado é poder ter outra vez a parte do corpo que por alguma fatalidade lhe foi retirada de forma invasiva, traumática, fato esse que muda toda a rotina da pessoa desde o momento trágico da amputação. Afinal, a mutilação de um membro não fere apenas a parte física do corpo, mas também a parte emocional, a auto-estima da pessoa, chegando a podar sonhos e desejos planejados, um fato que acaba atingindo toda a família.

Por mais que o amputado tente refazer a sua vida, nada será como antes, sempre terá que encarar as adversidades da sua nova condição. Existem aqueles que conseguem passar por cima das cicatrizes e prosseguir, seja com muletas, próteses, cadeiras de rodas, mas a realidade é que nem todos possuem a mesma força mental ou espiritual e, para esses, as adversidades estarão sempre presentes para lembrar que a vida se divide no antes e depois da amputação.

Em decorrência disso, conflitos sérios são gerados, distúrbios que nem o melhor dos analistas consegue mudar a visão do quadro. Não existe analgésico capaz de amenizar as dores, sejam físicas ou fantasmas, o cérebro humano jamais vai aceitar que um membro foi retirado do corpo, porque o ser humano é a máquina mais perfeita, nenhum cientista será capaz de reproduzi-la com a mesma eficiência.

Entretanto, se não fosse a burocracia que rege a lei dos transplantes no Brasil, cobrando ética quando isso poderia ficar no fundo da gaveta, ah!… como tudo poderia ser simplificado e isso vale para transplante de membros e órgãos.

Para quem não sabe a importância que isso pode representar na vida de quem precisa tanto de uma mão estendida a doar a um órgão ou um membro, pode achar que este artigo não passa de uma bobagem, uma chatice, no entanto, existe um público que sente na pele esse drama e sabe discernir a importância do perder e adquirir a mesma capacidade de antes mediante o gesto da doação, e vai compreender a essência desta sopa de letrinhas capaz de fortalecer corpo e alma.

É preciso maior conscientização de que não há nada que se possa fazer por um morto, no entanto, há muito que pode ser feito por um vivo, e como há! Bastam leis mais flexíveis, profissionais mais capacitados e parentes de quem acaba de deixar de vestir as vestimentas do espírito capazes de abrir mão de peças de reposição que não podem ser encontradas expostas em vitrines e nem fabricadas com o mesmo rigor de qualidade de fábrica da que vem acoplada ao frágil corpo, já no nascimento, tudo em prol de quem precisa continuar por mais algum tempo nesse estágio na Terra.

Em julho deste ano, o médico Pedro Cavadas (foto) revolucionou o mundo ao realizar na Espanha uma das cirurgias mais esperadas os transplantes mais esperados: um transplante duplo de membros inferiores (veja a matéria) num paciente entre 20 e 30 anos de identidade preservada que, se não fosse o transplante, estava renegado a uma cadeira de rodas, pois não tinha condições nem mesmo para usar próteses.

Segundo prognósticos do médico, o paciente deverá andar entre seis ou sete meses após o procedimento realizado na madrugada do dia 12 de julho de 2011, no Hospital La Fé em Valência, na Espanha. A cirurgia durou a noite toda daquele domingo para segunda-feira e reuniu cerca de 50 integrantes da equipe do conceituado cirurgião.

Se no Brasil existissem políticas públicas mais sensatas e o Ministério da Saúde fosse provido de pessoas mais humanas, talvez nós, brasileiros, tivéssemos um destino com mais qualidade, com direitos a receber transplantes de forma legal, sem práticas ilícitas, sem membros ou órgãos marginais, adquiridos por quem detém condições socioeconômicas e se sujeitam a pagar o preço pedido por quem quer fazer o procedimento às escusas.

Quando alguém que perde um ente querido abre mão de órgãos e membros desse que não mais vai precisar dessas partes em doação a outrem, promove um bem estar que não tem preço, sem falar que em cada pessoa que recebe a doação, o doador continuará com uma parcela viva, o que traduz, que o ente querido vai continuar vivendo. Além disso, este gesto de amor é uma forma de estreitar laços e abraçar quem recebeu a doação, como sendo parte de sua família, afinal, ao receber o órgão de um parente querido, simultaneamente, o mesmo ingressa na família do doador e a gratidão supera o amor, a doação supera a perda, com isso, todos saem confortados nessa troca mútua de sentimentos.

É hora de todos se reunirem e lutarem por políticas nesse sentido, afinal, os mortos merecem ser lembrados e respeitados, mas não precisam de órgãos e membros, já os vivos mutilados, ou aqueles presos às máquinas de hemodiálise, porque os rins não funcionam; ou aqueles condenados à morte e torturados dia-a-dia porque o fígado pifou; além daqueles que os pulmões cansaram de aspirar; bem como os deficientes visuais que poderiam voltar a enxergar a luz do sol, o olhar dos filhos; e quantas pernas poderiam devolver os passos de quem sofre pelas lembranças bonitas de quando podia caminhar sem medo de ser feliz; e braços que poderiam devolver os movimentos e a independência a quem sofre com próteses rudimentares que só machucam e ainda têm um custo altíssimo.

Ninguém precisa ficar preso a antigos mitos ou tabus de que os mortos precisam estar completos no caixão. E no caso dos mutilados, não vão incompletos também? É só uma questão de amadurecimento de que um corpo pode ser enviado à sua última morada, bem acomodado num caixão, com espumas, algodões e muitas flores, que ninguém vai perceber nada, o espírito, esse sim, precisa estar inteiro.

Enquanto as partes doadas, será uma forma de o doador continuar vivo, andando, enxergando através dos receptores. É uma matemática simpática, pelo lado lógico, perde-se um e ganha-se o mesmo, porém, fracionado em várias partículas de vidas em pessoas, que juntas, formarão em elo e a família cresce, o que significa que a dor diminui, no lugar de lágrimas surgem sorrisos nos semblantes de quem foi beneficiado e com certeza nos dos parentes que permitiram a doação, afinal, na realidade, espíritos não morrem. E mais, o corpo que servirá para que outros readquiram formas de continuar vivendo com qualidade, o seu ex-dono, em alguma dimensão, o espírito com certeza ficará satisfeito, pois mesmo depois que partiu, foi capaz de ser útil a outros irmãos e nesse jogo do ficar contente, a brincadeira vira coisa séria, não é um mero conto de fadas, um artigo fictício, é um jogo entre a ciência e a vida, e o vencedor aclamado é a VIDA e o troféu pode ser seu.

* Reside em Nanuque (MG), Rita de Cássia Oliveira é professora e advogada formada pela UNB do Rio de Janeiro. Redige textos para jornais e revistas da região. Vítima de acidente, teve a perna direita amputada e vem erguendo  a bandeira em prol dos direitos dos amputados e necessitados de transplantes diversos.

 

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Passo Firme – 13.11.2011
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