Supera dor, o preconceito e dá uma lição!

Mesmo com todas as dificuldades, a formatura, em dezembro de 2009, marcou mais uma vitória para Valdete Dias | Foto: Arquivo Pessoal
Mesmo com todas as dificuldades, a formatura, em dezembro de 2009, marcou mais uma vitória para Valdete Dias | Foto: Arquivo Pessoal

É com imenso prazer e grande admiração que posto aqui no blog uma matéria sobre a história de vida e superação de Valdete Dias (foto), uma guerreira natural de Piúma-ES que, em 1990, teve as duas pernas amputadas em decorrência de um acidente de ônibus quando estava – acreditem – à caminho da Lua de Mel. A matéria, escrita por Luciana Maximo, foi publicada no último dia 30 de outubro no Jornal Espírito Santo Notícias.

Val (ao centro) na companhia de outros pacientes do CMW, clínica que a acompanha desde 2011 | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Val (ao centro) na companhia de outros pacientes do CMW, clínica que a acompanha desde 2011 | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

Tive a honra de conhecer a Val (como os amigos costumam chamá-la) em novembro de 2011, quando iniciava – ainda temeroso e apreensivo – o meu processo de reabilitação com prótese no Centro Marian Weiss (CMW), em São Paulo, de onde somos pacientes. Acompanhada de uma amiga de mesmo nome, aquela moça me encantou não apenas pela beleza, mas também pela grande história de superação e pelo belo sorriso, marca registrada de sua fisionomia.

O caso dessa piumense arretada nos ensina que, por mais difícil e intransponível um problema possa parecer, temo um Deus que é superior a todos eles e nos auxilia a superar qualquer adversidade! Confira a matéria e veja como a vida pode nos surpreender…

Lázaro Britto

Também no CMW | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Também no CMW | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

Perde as duas pernas na lua de mel, supera a dor, o preconceito e dá uma lição!

Por Luciana Máximo

Ela tinha apenas 21 anos. Estava a caminho da lua de mel em Cabo Frio/RJ, após dois dias do seu casamento na década de 90. Um acidente de ônibus mutilou a jovem que se preparava para começar uma vida repleta de projetos. 23 anos depois, Valdete Dias conta sua história de vida e deixa uma lição de superação e se recusa a culpar Deus e o destino.

“Estava no ônibus a caminho da lua de mel dois dias após o meu casamento. A viagem até Cabo Frio foi interrompida no trevo de Piúma. O veículo capotou e fiquei presa nas ferragens. Tive uma amputação imediata. Oito dias mais tarde, perdi a outra perna, na altura da coxa, devido a uma infecção hospitalar.

Meus planos nunca mudaram, o que mudou completamente foi a vida. Tive que reaprender a andar, fiquei um ano internada por causa da reabilitação. Após sair do hospital, precisei voltar a viver. Eu precisava viver! E era uma nova vida onde eu tinha que adaptar tudo. Três anos após o casamento, chegou meu filho Felipe. O casamento acabou após alguns anos.

Na prática, minha vida se tornou “normal”. Vivo em função das próteses, me aposentei e nunca mais pude trabalhar.

Tive contato com a arte na terapia ocupacional. Sempre fui professora da rede municipal de Piúma, trabalhando com educação infantil. A nova vida fez com que eu me apaixonasse pela arte. Isso me levou a pintar as telas que hoje são o meu sustento. Especializei-me e dou aulas em meu ateliê, em casa. Durante vários anos ministrei cursos na Associação das Famílias de Pescadores de Piúma e hoje, graças a Deus, levo uma rotina normal e sou muito feliz. Para muitos, a vida acaba quando uma tragédia ocorre na vida delas, para mim, foi um recomeço”.

Na companhia do Dr. Marco Guedes, fundador do CMW, em uma confraternização promovida todo fim de ano pela clínica | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Na companhia do Dr. Marco Guedes, fundador do CMW, em uma confraternização promovida todo fim de ano pela clínica | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

BARREIRAS – Valdete bateu esse papo na praia, tomando água de coco, de bem com a vida. Mas, nem tudo são flores para a artista. O preconceito e a falta de acessibilidade são barreiras que ela precisa transpor diariamente. Segundo ela, não há calçadas adaptadas e os prédios acabam por excluir as pessoas com necessidades especiais, inclusive a Prefeitura e demais órgãos públicos, que deveriam dar o exemplo.

“Piúma é um problema para quem tem deficiência. Se eu tiver de sair de casa de cadeiras de rodas, não tenho como andar. Os bares não têm rampas, os hotéis não são adaptados. Tenho amigos que gostariam de passar uma temporada aqui, mas não há hotel adaptado. Já fiz uma pesquisa e no momento não tem nada. Para vir à praia é outro problema, não temos um calçadão, rampas. Outro dia uma amiga me perguntou se aqui não tinha a cadeira anfíbia (uma cadeira de rodas para o deficiente entrar na água). Eu disse: ‘aqui não tem nem um calçadão apropriado… quem dirá uma cadeira anfíbia!’”, brincou.

Valdete vai além: “Sem direito de entrar no mar, de curtir um show na orla. Se houver um show não dá para vir, não tem vagas de estacionamentos para pessoas com necessidades especiais, é um problema para estacionar. Eu tenho carro adaptado, posso me locomover para alguns lugares, mas quem não tem, fica impossível. Não tem como andar de cadeira na rua”.

Desta vez, na companhia de Jenifer Patricia e Mônica Yamaoka, enfermeira e fisioterapeuta do CMW, respectivamente | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme
Desta vez, na companhia de Jenifer Patricia e Mônica Yamaoka, enfermeira e fisioterapeuta do CMW, respectivamente | Foto: Lázaro Britto / Blog Passo Firme

PRECONCEITO É O PIOR – Solteira, a professora afirma que o pior não é conviver com a deficiência e a falta de acessibilidade. Valdete sente na pele o preconceito velado da sociedade. Ela relata uma experiência que mostra o despreparo do ser humano para conviver com as diferenças. Um dia, em um barzinho, um rapaz a paquerava. Ela estava sentada. Quando se levantou e pegou as muletas, ele se transformou, passou a olhá-la de outra forma.

“Sempre tem preconceito. Às vezes as pessoas acham que, por não ter as pernas, sou incapaz de fazer alguma coisa, até mesmo de ter namorados. Outras vezes quando chego a algum lugar as pessoas param, olham, acham que é uma coisa de outro mundo. Quando estou sem as próteses, as pessoas se impressionam mais ainda”, segredou.

A artista deixa uma lição. “Uma coisa eu aprendi: A gente deve sempre olhar para o lado e para trás, porque sempre há alguém em situação pior que a nossa. Muitas das vezes sempre reclamamos que não temos algo. Conheço pessoas que não tem os quatro membros e são felizes. Eu só não tenho dois, eu tenho meus braços, minha cabeça boa. Existem pessoas que não conseguem nem se locomover e também são felizes. Aos acomodados, digo que devem agradecer pelo que tem e não reclamar do que não tem”.

Val ao lado de algumas das pinturas em tela que ensina em seu ateliê, em Piúma-ES | Foto: Arquivo Pessoal
Val ao lado de algumas das pinturas em tela que ensina em seu ateliê, em Piúma-ES | Foto: Arquivo Pessoal

Atualmente Valdete ministra aulas de pintura em tela e tecido, três horas diárias, na própria casa. Para os interessados, o ateliê fica na Rua Manoel Português, 950, no Centro de Piúma.

Fonte: Espírito Santo Notícias

Passo Firme – 05/11/2013
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Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 3 – A influência do fator emocional no processo de reabilitação

O apoio emocional por parte da família é essencial para o êxito da recuperação do paciente
O apoio emocional por parte da família é essencial para o êxito da recuperação do paciente

Por Marilda Pires e Simone Bastos (*)

Como dissemos no início (veja a parte 1 do artigo), a dor tem uma memória e sofre grande influência do fator emocional como nos estados de depressão, ansiedade, etc. e pela proximidade das áreas cerebrais. Pesquisadores têm investigado o modo como estes estados alteram ou estimulam o retorno da dor fantasma.

Nesta fase de luto, deve-se dar uma atenção especial ao tratamento
Nesta fase de luto, deve-se dar uma atenção especial ao tratamento

Cabe a observação que ocorre um luto pela perda daquele segmento e nesta fase deve se ter uma atenção especial no tratamento. Tem sido também relacionado que em datas próximas ao evento do acidente ou da doença que levou a amputação com o aparecimento das sensações e de transtornos emocionais, com relatos dos amputados de sentirem novamente dor, câimbras, tristeza, depressão, mal estar e alteração da pressão arterial.

No nosso dia a dia de trabalho como terapeutas ocupacionais, é comum que no momento de receber a prótese, mesmo passando pelas provas na confecção e modelagem para a mesma, ainda não tenha sido superado o conflito da amputação e comumente há a lembrança do trauma novamente, acontecendo um novo luto.

O processo é longo para absorver a tecnologia assistiva, fazer as adaptações pessoais e para o ambiente que ajudarão na realização das atividades de vida diária e Instrumentais, produtivas e de lazer, incorporando a prótese ao seu cotidiano, para que ela faça parte dos seus movimentos e ações de maneira natural.

Para quem se interessou sobre o assunto, segue alguns links de leituras recomendadas:

Amputados de membros superiores e Terapia Ocupacional | por Eliana Queiroz.

A atuação da terapia ocupacional em Traumato-ortopedia, enfatizando as intervenções em casos de amputações e fraturas | por Janne Azevedo.

Membro Fantasma | por Percepto.

Uma Nova Mão para Bruno | por Mariana Fulfaro.

Cérebro “reconhece” nova mão após 35 anos | por Ana Cristina.

Autoconhecimento: Conheça a história de um campeão anônimo | por Mariana Uchôa.

Como dar apoio psicológico a pacientes amputados | por Mariane Boanato.

(*) Autoras:

20130826 - Marilda PiresMarilda Coelho Barçante Pires | Terapeuta Ocupacional do grupo de amputados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), centro de referência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades.

20130826 - Simone BastosSimone Maria de Bastos | Terapeuta Ocupacional pela Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Mottae; coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Funcional da Terapia Ocupacional, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 2); e coordenadora nacional do Grupo de Saúde Funcional da Associação Brasileira de Terapia Ocupacional (Abrato).

Leia também:

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 1 – O que são e como acontecem

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 2 – Como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos comuns a vida da pessoa amputada

Passo Firme – 29/08/2013
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Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 2 – Como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos comuns à vida da pessoa amputada

Como recursos de reabilitação são utilizados a eletroterapia, termoterapia, hridroterapia, barras paralelas, cinesioterapia, entre outras.
Como recursos de reabilitação são utilizados a eletroterapia, termoterapia, hridroterapia, barras paralelas, cinesioterapia, entre outras.

Por Marilda Pires e Simone Bastos (*)

O que temos identificado durante o atendimento na Terapia Ocupacional com evidências de um bom prognóstico ocupacional demanda além dos componentes físicos, o componente subjetivo, ou seja, como a pessoa amputada reage e enfrenta as novas situações de vida. O tratamento na Terapia Ocupacional dependerá da avaliação e dos objetivos específicos para cada pessoa na modalidade de participação grupal.

O entendimento e a inteligência emocional são fatores fundamentais e fazem toda a diferença para compreensão do amputado dos fatos que antecederam o trauma. O terapeuta ocupacional deve orientá-lo quanto aos procedimentos técnicos que foram realizados e os que podem ainda ser necessários como uma nova avaliação médico cirúrgica em casos como excesso de peles no coto ou algum desconforto, buscando recursos sempre que precisos na equipe multidisciplinar.

As atividades dirigidas e intencionais, através do aprendizado de habilidades contra lateral ao membro amputado e muitas vezes não correspondente ao lado dominante estimulam e permitem o aparecimento de novas redes de conexões de células nervosas. As atividades terapêuticas ocupacionais têm essa propriedade e especificidade de proporcionarem estes mecanismos. Um novo esquema do corpo estará sendo construído pelos procedimentos terapêuticos tendo como objetivos gerais, prevenir efeitos nocioceptivos no membro amputado e tratá-lo promovendo o máximo de sua independência.

Na técnica do espelho de de Ramachandran, o reflexo do membro intacto engana o cérebro para que ele enxergue dois membros saudáveis. Isso permite que ele volte a enviar comandos para esse membro, para que ele se “mexa”, aliviando a dor.
Na técnica do espelho de de Ramachandran, o reflexo do membro intacto engana o cérebro para que ele enxergue dois membros saudáveis. Isso permite que ele volte a enviar comandos para esse membro, para que ele se “mexa”, aliviando a dor.

As atividades da vida diária fazem parte do tratamento na Terapia ocupacional assim como as adaptações necessárias no coto para a alimentação, vestuário, higiene pessoal, cuidados com a cicatriz, enfaixamento e modelagem do coto, cinesioatividade que propiciem as contrações isométricas, relaxante produzido pelo calor úmido no coto, uso de pré-prótese e da prótese com a utilização da técnica do espelho para o tratamento da dor e da imagem corporal e a troca da lateralidade sempre que precisa através do treinamento técnico para as habilidades manuais (coordenação motora fina e de aprendizado motor).

É através do planejamento e organização de etapas terapêuticas, ou seja, desde o tratamento do coto até o treinamento da prótese, que serão contempladas no programa de reabilitação e de protetização onde se pretende que a pessoa amputada tome “posse” do seu corpo e conquiste com propriedade sua independência e autonomia.

Observamos que para alguns amputados existe uma determinação em dizer para eles mesmos que sua perna ou seu braço não estão mais ali. Sabiamente movimentam o coto, fazem massagem ou contraem a musculatura residual do coto como recurso para eliminação das sensações e do membro fantasma. Um simples contato manual já ajuda neste desconforto.

20130827 - Citação Simone Bastos

Nas situações reflexas, de se apoiar na perna ou tentar pegar algo que caiu ou na realização de um jogo, a sensação do membro fantasma pode voltar porque está na memória funcional ainda presente. Dando um exemplo: na quadra de esporte um amputado de membro inferior procura onde está seu outro pé de sapato. Para alguns, esta sensação permanece e, se não incomodar, pode facilitar a coordenação da marcha com a prótese, da marcha com o andador ou com as muletas canadenses, assim como no uso de uma prótese mioelétrica ou biônica de membros superiores.

Quando solicitamos que pense no membro perdido ao dar o passo, colocando “o calcanhar” no início da marcha com a prótese ou sem ela, “andar como se estivesse com a sua perna”, tem possibilitado um caminhar mais leve e coordenado. Dessa forma promove menor esforço físico e menor consumo energético para a locomoção. Pensar nos alcances e padrões manuais também favorece o mecanismo de acionamento dos eletrodos e a coordenação das próteses de membros superiores.

Amanhã: A influência do fator emocional no processo de reabilitação

Leia também:

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 1 – O que são e como acontecem

(*) Autoras:

20130826 - Marilda Pires Marilda Coelho Barçante Pires | Terapeuta Ocupacional do grupo de amputados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), centro de referência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades.

20130826 - Simone BastosSimone Maria de Bastos | Terapeuta Ocupacional pela Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Mottae; coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Funcional da Terapia Ocupacional, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 2); e coordenadora nacional do Grupo de Saúde Funcional da Associação Brasileira de Terapia Ocupacional (Abrato).

Passo Firme – 28/08/2013
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Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 1 – O que são e como acontecem

dor fantasma

Entre as pessoas amputadas fala-se muito em “dor fantasma”, “sensação fantasma” e “membro fantasma”. Tratam-se dos mesmos fenômenos ou cada manifestação possui suas especificidades e formas de tratamento? Eles são benéficos ou prejudiciais no processo de reabilitação do amputado? E como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos, interferindo positivamente no processo de reabilitação da pessoa amputada?

Estas perguntam começam a ser respondidas a partir de hoje através da série especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma: o que são, quando acontecem e como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos comuns a vida da pessoa amputada”, em três partes. Eles foram extraídos de um artigo escrito pelas terapeutas ocupacional Marilda Coelho Pires, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), e Simone Bastos, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 2), em colaboração ao Blog Passo Firme. Vale a leitura e a reflexão!

20130827 - Dor Fantasma

Série Especial “Dor fantasma, sensações fantasma e membro fantasma” | Parte 1 – O que são e como acontecem

Por Marilda Pires e Simone Bastos (*)

A dor fantasma, as sensações fantasmas e o membro fantasma são sintomas geralmente presentes após a perda parcial ou total de um segmento do corpo.

A dor fantasma pode aparecer no pós-operatório imediato, durante o período da internação, sendo esta referente ao trauma cirúrgico, ocorrendo em 80% dos casos. Também decorre de um processo inflamatório, infeccioso, por gangrena ou alterações circulatória ou venosa, anteriores a amputação, que causaram muita dor ao membro.

A sensação da dor fantasma pode se assemelhar com a dor sentida no membro antes da amputação. Geralmente há um registro da memória da dor e esta pode permanecer por algum tempo ou desaparecer completamente. É comum que reapareça quando existe algum acontecimento que lembre a época do trauma ou da perda física.

20130827 - Sensação Fantasma

O membro fantasma pode ser definido como uma experiência de uma pessoa possuir um membro ausente que se comporta similarmente ao membro real.

Já a sensação do membro fantasma é uma experiência vivida pela maioria dos amputados. Com o tratamento tende a desaparecer, levando em média de três a quatro meses para a remissão (abrandamento ou diminuição) dos sintomas. Em algumas situações, porém, a sensação do membro fantasma pode persistir por longa data.

20130827 - Membro Fantasma

Relacionam-se ao membro ausente vários tipos de sensações (Rohlfs, Zazá, 2000, apud Demidoff et al., 2007) e as principais delas são descritas como: dor fantasma, dormência, queimação, câimbras, pontadas, ilusão vivida do movimento ou a sensação da existência do membro fantasma. (Giraux e Sirigu, 2003 apud Demidoff et al., 2007) Estas sensações fazem parte da fisiologia das células cerebrais que ainda estão se reestruturando nas novas conexões no cérebro.

Amanhã: Como a Terapia Ocupacional reconhece e trata estes transtornos comuns a vida da pessoa amputada

(*) Autoras:

20130826 - Marilda PiresMarilda Coelho Barçante Pires | Terapeuta Ocupacional do grupo de amputados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), centro de referência no tratamento de doenças e traumas ortopédicos de média e alta complexidades.

20130826 - Simone BastosSimone Maria de Bastos | Terapeuta Ocupacional pela Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Mottae; coordenadora da Câmara Técnica de Saúde Funcional da Terapia Ocupacional, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito 2); e coordenadora nacional do Grupo de Saúde Funcional da Associação Brasileira de Terapia Ocupacional (Abrato).

Leia também:

VOCÊ SABIA QUE NÃO-AMPUTADOS TAMBÉM SENTEM MEMBRO FANTASMA?
COMO AMPUTADOS PODEM LIDAR COM A DOR E A SENSAÇÃO FANTASMA

Passo Firme – 27/08/2013
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Um resumo breve e sucinto da função da fisioterapia na reabilitação do amputado

Como recursos de reabilitação são utilizados a eletroterapia, termoterapia, hridroterapia, barras paralelas, cinesioterapia
Como recursos de reabilitação são utilizados a eletroterapia, termoterapia, hridroterapia, barras paralelas, cinesioterapia

A reabilitação do amputado é formada basicamente de quatro etapas fundamentais: pré-amputação, pós-amputação, pré-protetização e pós-protetização. Conheça as principais técnicas de fisioterapia utilizadas em cada uma dessas fases.

Na pré-amputação a reabilitação consiste na mobilidade no leito, no fortalecimento muscular, em manter ou aumentar a ADM (amplitude de movimentos) e, nos treinos de transferências, trabalhar equilíbrio e marcha.

Na pós-amputação a reabilitação consiste em prevenir contraturas articulares, fortalecer o membro amputado, em fortalecer e mobilizar o membro não afetado e o tronco, em controlar o edema do coto, em estimular independência, e na deambulação com auxiliares de marcha.

Na pré-protetização os objetivos de reabilitação são estimular as habilidades para realização de atividades sem uso de prótese, preparar o coto para ser protetizado, desenvolver programa de alongamento, propriocepção, fortalecimento, equilíbrio, coordenação e deambulação.

Como recursos de reabilitação são utilizados a eletroterapia, termoterapia, hidroterapia, barras paralelas, cinesioterapia.

Para uma melhor cicatrização são utilizadas a massoterapia, eletroterapia e a hidroterapia.

Para redução do edema é importante a orientação postural, a hidroterapia, a massoterapia e a cinesioterapia.

Em relação ao neuroma, a massoterapia, a eletroterapia (Ultrassom e TENS), a hidroterapia, a percussão, a aplicação de materiais de diferentes texturas são utilizados.

O uso do enfaixamento irá evitar o edema, irá modelar o coto, diminuir as sensações fantasmas, e proteger a pele. Ele deve ser utilizado durantes 24 horas por dia até a protetização, porém deve-se ter cuidado com alergias, isquemia, constrição ou ferimentos.

O enfaixamento transtibial deve ser realizado com o paciente sentado com o coto semifletido, já o transfemural deve ser relizado com o paciente em pé.

Para as dores e sensações fantasmas são utilizados o enfaixamento e a eletroterapia (Ultrassom e TENS).

A cinesioterapia consiste em alongamentos, mobilizações das articulações proximais e no fortalecimento das musculaturas. Nos membros superiores ela é importante para a realização das transferências e para o uso de muletas. No tronco ela objetiva evitar desvios posturais e desequilíbrios. No membro inferior não amputado deve-se trabalhar a realização dos decúbitos.

A pós-protetização consiste na avaliação da prótese, na colocação da mesma, na transferência sentado para em pé, equilíbrio e transferência de peso, treino de marcha, marcha em escadas e rampas, atividades esportivas e recreacionais.

Fonte: Blog de Fisio | Com edição do Blog Passo Firme.

Leia também:

OS BENEFÍCIOS DO TRATAMENTO NA ÁGUA PARA AMPUTADOS
A REABILITAÇÃO DO AMPUTADO DO PONTO DE VISTA FISIOTERÁPICO

COMO AMPUTADOS PODEM LIDAR COM A DOR E A SENSAÇÃO FANTASMA

Passo Firme – 14/08/2013
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Próteses ortopédicas em promoção no CMW

Alguns dos joelhos com condições especiais este mês no CMW
Alguns dos joelhos com condições especiais este mês no CMW

INFORME PUBLICITÁRIO – Para os amputados que estão em vias da primeira protetização – e mesmo aqueles que já usam próteses e desejam substituir componentes – o Centro Marian Weis (CMW), em São Paulo, está com promoções em diversas próteses este mês de julho.

Segundo o diretor administrativo do CMW, Ian Guedes, estão sendo oferecidos, por preços extremamente competitivos, kits com os joelhos 3R80, 3R60, 3R106 e C-Leg, para amputados transfemorais, e kits para transtibiais com o novo pé Triton, da Ottobock.

Os kits das próteses transfemorais são compostos de encaixe, tubos e adaptadores em titânio, joelho, pé e cosmética. “Não inclui liner, pois depende de cada paciente a solução que indicaremos”, informa. Os pés dos kits transfemorais variarão entre Axtion, Trias e Triton, dependendo do perfil do paciente, altura do mesmo e grau de mobilidade.

AVALIAÇÃO – Os pacientes interessados deverão entrar em contato com a clínica e agendar uma avaliação médica com o Dr. Marco Guedes, ortopedista fundador do Centro. “Tal avaliação é necessária para indicar os componentes mais adequados para cada paciente”, afirma Ian Guedes.

Segundo o diretor, o valor da consulta (R$600) só será cobrado caso o paciente opte em não fechar nenhum serviço com clínica. Já para quem comprar algum dos kits promocionais, além da consulta médica, ganhará de graça uma avaliação com a fisioterapeuta Mônica Yamaoka, além de cinco sessões de fisioterapia.

Ficou interessado e deseja mais informações? Entre em contato pelo (11) 3034-5110 e agende uma visita ao CMW!

(Com informações do CMW)

Passo Firme – 08/07/2013
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Primeiras impressões do encaixe Siocx

siocx

Como estava meio sem tempo para escrever desde que cheguei à São Paulo para manutenção da prótese, resolvi gravar o vídeo abaixo sobre minhas primeiras impressões do SiOCX, o novo encaixe de ‘silicone’ da Ottobock. Como muitos já leram em posts anteriores sobre o assunto, trata-se de um produto em fase de testes e ainda não comercializado nas demais ortopedias do Brasil.

Uma ressalva é válida no momento: tive meu primeiro contato com o produto na terça-feira (14), de modo que ainda é muito… muito cedo para conclusões precipitadas, principalmente comparações mais agressivas com o liner Seal-In, da Ossur, um dos sistemas de suspensão mais utilizados pelas ortopedias para próteses de membro inferior. Porém, já dá para adiantar que a “sensação” e completamente diferente. Muitos irão gostar, acredito!

Veja o vídeo:

Para outras informações sobre o SiOCX, leia também:

A cada novo encaixe… um recomeço

Passo Firme – 15/05/2013
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Você sabia que não-amputados também sentem membro fantasma?

Perna mecânica: a sensação de um "membro fantasma" é muitas vezes dolorosa e difícil para os amputados, e não pode ser aliviada com medicação porque é uma invenção da imaginação.
Perna mecânica: a sensação de um “membro fantasma” é muitas vezes dolorosa e difícil para os amputados, e não pode ser aliviada com medicação porque é uma invenção da imaginação.

Resultados de estudo mostram que o fato do cérebro ter ou não visto uma mão não tem nenhuma importância na criação da sensação física deste membro

Cientistas sabiam que, muitas vezes, pessoas amputadas têm a impressão de sentir um membro fantasma, mas um estudo sueco publicado nesta quinta-feira mostra que pessoas não-amputadas também podem experimentar esta sensação.

“Nossos resultados mostram que o fato do cérebro ter ou não visto uma mão não tem nenhuma importância na criação da sensação física desta mão”, explicou à AFP o principal autor do estudo, Arvid Guterstam, do Instituto Karolinska de Estocolmo.

Sua equipe realizou 11 experimentos diferentes durante os quais, cobaias, que ignoravam a finalidade do estudo, tinham a ilusão de ter um braço a menos. Este membro foi tornado invisível por um painel.

Em um dos experimentos, cada participante permanecia sentado em uma mesa, com o braço direito invisível para eles, escondido atrás de um painel. Suas mãos foram colocadas na mesa, uma escondida pelo painel, a outra em seu campo de visão.

Um pesquisador acariciava simultaneamente com uma escova a mão direita escondida, e o local onde esta mão deveria estar sobre a mesa.

“Nós descobrimos que a maioria dos participantes em menos de um minuto transferiu para o espaço à frente de seus olhos (onde sua mão direita deveria se encontrar) a sensação de toque e tinham a sensação de ter uma mão invisível neste lugar”, explicou Guterstam.

“Pesquisas anteriores mostraram que não podemos identificar como nossa própria mão objetos materiais, como um bloco de madeira, por isso ficamos muito surpresos em perceber que o cérebro pode aceitar uma mão invisível como parte do corpo”, acrescentou.

Dos 234 voluntários, 74% experimentaram sensações fantasmas durante as experiências, indicou o pesquisador.

A sensação de um “membro fantasma” é muitas vezes dolorosa e difícil para os amputados. Ela não pode ser aliviada com medicação porque é uma invenção da imaginação.

A equipe de Guterstam espera que o estudo abra caminho para futuras pesquisas sobre a sensação de dor criada pelos amputados.

Os resultados do estudo foram publicados nesta quinta-feira nos Estados Unidos pelo Journal of Cognitive Neuroscience.

Fonte: Exame \ Via AFP

Leia também:

CÉREBRO HUMANO TRATA MEMBROS AMPUTADOS COMO SE AINDA EXISTISSEM
COMO AMPUTADOS PODEM LIDAR COM A DOR E A SENSAÇÃO FANTASMA
JOGO EM 3D PODE AJUDAR A CONTROLAR SÍNDROME DO MEMBRO FANSTAMA

Passo Firme – 24/04/2013
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Cérebro humano trata membros amputados como se ainda existissem

Segundo a Universidade de Oxford, a dor fantasma num membro amputado pode estar associada a quão vívido o cérebro ainda representa o membro ausente
Segundo a Universidade de Oxford, a dor fantasma num membro amputado pode estar associada a quão vívido o cérebro ainda representa o membro ausente

Anos após perderem uma perna ou um braço, o cérebro de vítimas de amputação ainda possui a imagem do membro perdido, que pode ser exatamente igual à imagem do membro real, segundo um novo estudo no Reino Unido. Um grupo de 18 amputados colaborou no estudo. Por meio de ressonância magnética, foi comprovado que pessoas com sintomas fortes de dor fantasma são precisamente as pessoas que possuem a imagem cerebral mais realista de seus membros ausentes.

“Quase todas as pessoas que perderam um membro ainda têm alguma sensação de que ele está presente e acredita-se que cerca de 80% dos amputados ainda sofrem de algum grau de dor associado com o membro perdido”, afirmou Tamar Makin, coordenador do estudo da Universidade de Oxford, num comunicado de imprensa.

Os investigadores observaram o que acontecia quando o cérebro dos participantes movimentava seus dedos fantasma. Muitos deles representaram os membros amputados em seus cérebros exatamente como um membro normal. A parte do cérebro que controlava o membro ausente era menor do que o normal em amputados, mas para indivíduos que sofriam de intensa dor fantasma não havia quase diferença, sendo a área representada praticamente da mesma forma.

Ainda não é claro se são alterações no cérebro que provocam a dor fantasma ou vice-versa. Os investigadores esperam que suas descobertas possam contribuir para descobrir um tratamento à dor fantasma, que pode ser debilitante.

“Imagine que você está usando uma luva que se estende desde os dedos até o cotovelo”, explica Lynn Ledger, uma participante do estudo, no comunicado. “Mas em toda a extensão coberta pela luva, a sensação é de que ela está constantemente esmagando seu braço. Existe também dores agudas intensas e forte sensação de queimação que aparece e desaparece, contudo a dor de forte esmagamento é constante.”

No entanto, apesar da estrutura e função na região cerebral do membro amputado permanecer, outras ligações no cérebro parecem ter sido perturbadas. “Esta desconexão entre o mundo físico e o que eles estão experimentando parece estar relacionada a uma desconexão funcional no cérebro”, diz Makin. “Parece haver uma débil conexão entre a área do cérebro associado ao membro ausente e o resto do córtex envolvido no movimento.”

A pesquisa foi publicada no jornal Nature Communications em 5 de março.

Fonte: Epoch Times / Via Nature Communications

Leia também:

Como amputados podem lidar com a dor e a sensação fantasma

Passo Firme – 09/03/2013
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A cada novo encaixe… um recomeço

siocx

Passado o afã do evento de premiação do Top Blog, no último dia 26 de janeiro, na semana subsequente (de 28/01 a 1º/02) dei início no Centro Marian Weiss (CMW) ao processo de confecção do SiOCX (foto), um novo tipo de encaixe que começou a ser testado em alguns pacientes da clínica. Foi tirado um novo molde do coto que servirá de base para o interior do encaixe, que dispensa o uso do liner.

Como só poderei voltar a São Paulo em abril, darei o “ok” ao pessoal da clínica – se tudo estiver bem, é claro! – com 30 dias de antecedência, para que eles possam finalizar o encaixe. “Este tempo é necessário porque a fabricação do silicone anatômico da parte interna do SiOCX é feita na fábrica da Ottobock, em Campinas”, informa o ortopretesista do CMW Rodrigo Moura.

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Minha estadia em SP serviu para identificar também que não houve reduções significativas nas proporções do coto. A perna estava soltando devido a entrada de ar pela válvula de expulsão. Substituída a peça por outra de modelo diferente, o problema sanou. Além disso, não preciso mais  usar aquele “cinto de castidade” (risos) cedido pela amiga Valdete para auxiliar na fixação da prótese. Além de desnecessário, apertava demais a barriga – creio que tenha ficado pequeno para os meus 92 cm de circunferência abdominal!.

O SISTEMA – Com relação ao sistema SiOCX, o representante da Ottobock que atende os pacientes no CMW o define como mais uma alternativa em substituição ao liner Seal-In, com a vantagem da confecção personalizada e anatômica do silicone de acordo com o coto do paciente.

“Enquanto o ‘liner’ é fabricado em tamanhos e diâmetros pré-definidos para os quais o paciente precisa se ajustar, o SiOCX oferece a possibilidade de personalização de acordo com a anatomia do coto”, explica, que ressalta ainda a fixação mais eficiente da prótese, por envolver todo o coto, diferente do liner, cuja sucção funciona apenas das membranas (anéis) para baixo.

sacolinhaVANTAGENS/DESANTAGENS – Por um lado, o sistema inova por combinar uma espécie de “duplo encaixe”, no qual a parte interna é toda confecciona a base de uma resina semelhante a silicone, porém, mais resistente, podendo ser flexível nas bordas. A parte externa é feita em fibra de carbono, permitindo abertura de ‘janelas’ no encaixe, criação de áreas flexíveis na parte superior. A proposta é oferecer o máximo de conforto, higiene e funcionalidade para o usuário.

Por ficar preso à parte rígida do encaixe, o sistema SiOCX, por outro lado, traz de volta a necessidade daquelas sacolinhas (foto) para a colocação da prótese. Lembram delas? Este “retrocesso”, por assim dizer, é visto como uma desvantagem em relação ao liner Seal-In, que aboliu o uso do acessório e consagrou-se como um dos sistemas mais usados pelas ortopedias para confecção das próteses de membros inferiores – tanto tibiais quanto transfemurais.

Enfim, a proposta do novo produto é boa. Se vai funcionar… só o tempo dirá.

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Passo Firme – 15.02.2013
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“A peleja é longa…”

siocxÉ incrível como, mesmo após um ano, as pessoas ainda me cobram notícias de minha adaptação à prótese. Constantemente recebo e-mails, comentários pelo blog ou sou abordado nas redes sociais por pessoas interessadas em saber como lido com os percalços comuns ao processo de reabilitação com prótese. Isso é um sinal de que, de certo modo, virei referência, pois além do interesse por parte de quem acompanha o blog com frequência,  passei a ser constantemente monitorado, sobretudo por amputados em situações semelhantes.

Estive no Centro Marian Weiss (CMW) em agosto, para confecção do terceiro encaixe de prova desde que iniciei o processo, em novembro do ano passado. Na ocasião, em razão da redução de medidas no coto – é bom deixar claro que não houve perda ou ganho de peso, apenas o coto atrofiou um pouco mais – tive que substituir o liner Seal-In tamanho 36 que usava por outro tamanho 28 (veja a matéria).

Mesmo com o liner novo, porém, cerca de três meses depois o coto voltou a soltar do encaixe, principalmente quando ficava muito tempo sentando. Qualquer contração muscular e puff!… o liner se desprendia do encaixe, me obrigando a levantar, descarregar o peso do corpo sobre a prótese para tê-la novamente presa ao coto. Volto a salientar que, neste período, não perdi peso e nem sentia entrada de ar quando caminhava, como das outras vezes.

Cópia de Lázaro 004Será que não me adaptei ao sistema? Não sei. O pessoal da clínica, ao ficar a par da situação, solicitou minha minha presença para reavaliar o que está acontecendo e ajustar o encaixe e/ou o alinhamento da prótese, mas até agora não ajustei minha agenda para esta esta viajem, prevista agora para o final de janeiro, por conta da premiação do blog. Se não resolver, a proposta é a confecção de um novo encaixe, seja no mesmo sistema (Seal-In) ou em um novo sistema que a clínica começou a usar recentemente, desta vez da Ottobock, chamado SiOCX (foto acima), que dispensa o uso do liner.

Para lidar com a situação até encontrar tempo para retornar a São Paulo, estou usando um acessório (foto ao lado) gentilmente cedido por Val, uma amiga biamputada que mora no interior do Espírito Santo. A peça, em neoprene e elastano reforçado, lembra um cinturão, mas comprime demais o abdome – não sei se por razão de tamanho – mas mesmo assim tem se revelado uma verdadeira “mão na roda” no que se refere à auxiliar na fixação da prótese.

É meus amigos, como bem disse o Bial na mensagem “Filtro Solar” (veja o vídeo)…

…“A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.”

O importante é não desistir!

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“Uma verdadeira drenagem linfática…”

Passo Firme – 14.12.2012
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Como evitar cãibra durante a atividade física

Você que está iniciando na prática de atividades físicas para fortalecer alguns músculos e ganhar mais condicionamento físico, saiba como evitar essa indesejada dor muscular.

O assunto é polêmico, principalmente nas rodas de praticantes de atividade física. Isso porque as câimbras fazem parte do dia a dia dos atletas e estão diretamente ligados aos hábitos de vida. Porém, essas contrações involuntárias e dolorosas podem ser facilmente evitadas com movimentos simples de alongamento.

É o que explica a professora de alongamento Mônica Valladão, da Bio Ritmo Academia. Alongamentos podem contribuir para evitarmos o desconforto das câimbras. Quando a câimbra ocorre, “massagear a área atingida a fim de estimular a circulação, atenua a dor e evita que ela volte”, afirma Mônica.

Os movimentos feitos no alongamento aumentam a circulação de sangue, e por isso, conseguem aliviar a contração súbita do músculo. Assim, com a melhora da circulação, os nutrientes perdidos são repostos, o que diminui a incidência do problema.

A profissional ressalta que reservar alguns minutos do dia para se alongar ajuda, e muito, no resultado do treino. “A prática regular diminui os espasmos e a tensão, alterando a percepção da dor e recuperando os músculos cansados do exercício”, conclui Mônica.

Há uma grande discussão sobre a origem das cãibras. Mas uma coisa é certa: seja por falta de vitaminas, fadiga muscular ou até diabetes, fato é que ninguém gosta de sentir a dor causada pela contração brusca do músculo. Por isso, antes de inciar o treino, é fundamental ter orientação e acompanhamento profissional para o alongamento que deve ser realizado antes e depois da atividade física.

Fonte: CMW

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Passo Firme – 26.10.2012
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“Uma verdadeira drenagem linfática…”

Creio que posso definir desta forma o que aconteceu com o meu coto após nove meses de protetização. Em consequência da redução de medidas, entre os últimos dias 22 e 24 deste mês estive novamente no Centro Marian Weiss (CMW), em São Paulo, para confecção de outro encaixe de prova, o terceiro desde que iniciei o processo de reabilitação com prótese, em novembro do ano passado. O último encaixe foi feito em fevereiro, quando se mexeu no alinhamento e eixo de gravidade da prótese.

Desta vez a principal surpresa foi a substituição do liner Seal-In (foto) – um revestimento em polímero/silicone utilizado no coto sob o encaixe – por outro três números menor: usava um liner tipo cônico tamanho 36 e, após medidas feitas pelo ortoprotesista do CMW, Rodrigo Moura, chegou-se à conclusão de que o mais indicado seria a troca do liner por outro tamanho 28. As principais reduções ocorreram na ponta e no meio do coto, o que inviabilizou a substituição por liners em tamanho 32 ou 30, conforme inicialmente previsto.

Minhas principais queixas em relação à protetização ainda referem-se à insistente atrofia do coto, chegando a ficar flácido devido à perda de massa muscular, e à antiga sensação de instabilidade quanto à fixação da prótese. Apesar de não ter folgado a ponto de soltar do coto, o encaixe voltou a rodar para trás quando caminhava, chegando a marcar sob a roupa, ficando visivelmente perceptível. Além disso, assim como aconteceu com o primeiro soquete, o segundo também passou a abrir na região do fêmur, me jogando para fora. O eixo do joelho foi novamente perdido. Sequelas normais de toda folga de encaixe, acredito.

No decorrer de todo o processo de protetização reconheço minha parcela de culpa em algumas das dificuldades enfrentadas. Na medida em que o tempo foi passando, deixei de praticar diversos exercícios e atividades recomendados pela fisioterapeuta Mônica Yamaoka para o fortalecimento muscular do coto, abdome e o condicionamento físico de forma geral. O pilates e o treino funcional sequer foram iniciados, confesso. A única atividade que conseguir manter foi a musculação, porém com raros exercícios voltados especificamente para o coto. Tudo isso, aliado à falta de pressão por conta da folga no liner e no encaixe, colaborou para a perda de musculatura.

Além da confecção do novo encaixe, o alinhamento foi novamente ajustado a fim de corrigir o eixo de gravidade da prótese. Agora é hora de testar as mudanças efetuadas e reaprender a andar, pois pelo menos para mim cada alteração feita equivale a um recomeço. É desafiador, mas faz parte do processo.

Veja abaixo dois vídeos que mostram os testes iniciais e finais de deambulação com o terceiro encaixe de prova:

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Passo Firme – 27.08.2012
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Entendendo os joelhos protéticos para amputação de coxa

Dr. Marco Antonio Guedes de Souza Pinto*

Determinar o joelho mecânico a ser usado por um paciente amputado no nível de coxa nem sempre é uma tarefa fácil, em grande parte, devido à diversidade de mecanismos hoje disponíveis no mercado. Por outro lado, é muito bom ter essa possibilidade de escolha, coisa que não ocorria em um passado ainda recente. Se forem respeitadas certas regras fundamentais, a decisão é em muito facilitada.

Vamos dividir os joelhos mecânicos em duas categorias iniciais: joelhos com articulação funcional e joelhos com articulação bloqueada. Os com articulação funcional serão utilizados em pacientes com condição física que lhes permita controlar o mecanismo de flexão e extensão do joelho. Isso vai exigir um bom equilíbrio, visão e reserva de energia, pois o joelho funcional requer um maior consumo de energia pelo paciente para caminhar.

ARTICULAÇÃO FUNCIONAL X BLOQUEADA – Como regra geral, pessoas idosas, frequentemente diabéticas, são os principais candidatos para usar os joelhos bloqueados. Também amputados bilaterais podem ser beneficiados pelo uso de um joelho bloqueado pelas razões já discutidas (consumo de energia e equilíbrio). Já a escolha do tipo de joelho bloqueado vai ser fortemente influenciada pelo recurso econômico disponível.

Os joelhos funcionais podem ser divididos em duas categorias quanto à maneira como dobram a junta (movimento de flexão): joelhos de um só eixo e joelhos de movimento policêntrico. Os joelhos de um só eixo (foto ao lado) possuem mecanismo de flexão que funciona como uma dobradiça simples, tipo a dobradiça de uma porta. Já os policêntricos (foto abaixo) possuem um movimento que procura reproduzir o movimento da articulação do joelho humano. De passagem, estes joelhos, os policêntricos, são os únicos que podem ser usados em pacientes com desarticulação de joelho, devido ao fato de necessitarem de muito pouco espaço acima da articulação, consequentemente, não aumentando muito o tamanho da coxa.

Ainda hoje, os melhores mecanismos de controle das diferentes fases da marcha estão montados em joelhos de um só eixo e são hidráulicos ou pneumáticos. Por outro lado, os joelhos policêntricos geram uma marcha mais harmoniosa pelo fato de funcionarem de maneira semelhante ao joelho humano.

Muito provavelmente, no futuro, os joelhos de movimento policêntrico deverão prevalecer aos de um só eixo, faltando, para isso, um pouco mais de desenvolvimento em relação à segurança na fase de apoio da marcha, quando o paciente tem o peso do corpo concentrado todo sobre o lado amputado (fase de apoio unilateral).

Fonte: CMW

* Marco Guedes é ortopedista e traumatologista formado pela USP e fundador do Centro Marian Weiss (CMW), clínica especializada no tratamento de pessoas portadoras de problemas nos pés, pé diabético e amputados dos membros superiores e inferiores.

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A reabilitação do amputado do ponto de vista fisioterápico

Passo Firme – 10.07.2012
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A reabilitação do amputado do ponto de vista fisioterápico

Dr. Marco Antonio Guedes de Souza Pinto*

A reabilitação do paciente amputado do ponto de vista fisioterápico é uma reabilitação funcional, com ou sem a indicação do uso de prótese, onde o paciente participa plena e conscientemente da equipe multidisciplinar, que basicamente envolve: médico, técnico protesista, fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional, a depender do nível de amputação do paciente. Todos os profissionais têm que, preferivelmente, ter experiência no trabalho com amputados, o que faz grande diferença no resultado alcançado.

O sucesso implica na interação de muitos fatores: paciente, cirurgia, equipe e prótese. A atuação precoce da equipe de reabilitação é muito importante, visando prevenir a instalação de deformidades, atrofias musculares, ganho de mobilidade, independência para realizar tarefas de autocuidado e locomoção. Infelizmente, ainda hoje, a abordagem fisioterápica no paciente hospitalizado depende do cirurgião responsável, que pode desconhecer seus benefícios, quer em nível de prevenção ou da reabilitação propriamente dita.

O trabalho do fisioterapeuta com o paciente amputado está em conexão direta com a qualidade da cirurgia e com o conhecimento do funcionamento e confecção dos diferentes sistemas protéticos. Uma cirurgia bem sucedida significa menos dor e sofrimento, menor estresse emocional, menor atrofia muscular e um processo reabilitacional mais ágil e dinâmico. Atualmente as técnicas cirúrgicas mudaram muito em função do conhecimento da biomecânica das próteses, da localização dos pontos de apoio do coto de amputação no encaixe e dos possíveis pontos de atrito das estruturas ósseas e função do coto.

CIRURGIA MAL FEITA – O uso de técnica cirúrgica inadequada pode favorecer a presença e a permanência prolongada da dor fantasma; comprometer a liberação de cicatrizes, e a localização de neuromas numa área de fibrose cicatricial exige um trabalho maior de dessensibilização; pode haver formação de espículas ósseas, determinando maiores cuidados com o enfaixamento elástico, manipulação do coto e na adaptação à prótese.

A ocorrência de bolhas, esfoladuras, espessamentos de pele também é mais frequente nesses casos; o excesso de partes moles prejudica a suspensão da prótese e no caso da alavanca óssea estar diminuída, implicará em maior esforço muscular com maior gasto energético, num coto provavelmente flácido, sem reinserção muscular com tensão, etc. Esses fatores podem determinar uma nova intervenção cirúrgica para adequação do paciente.

O conhecimento dos diferentes sistemas e do funcionamento protético implica diretamente na programação cinesioterápica indicada para o comando da prótese e o consequente treino/ajuste dinâmico da prótese x marcha. A cinesioterapia nada mais é que a parte da fisioterapia que utiliza o movimento provocado pela atividade muscular do paciente com uma finalidade precisamente terapêutica. Neste caso, o fisioterapeuta tem que estar sempre atualizado quanto aos avanços tecnológicos dos aparelhos protéticos e seu funcionamento para que o paciente possa desenvolver ao máximo o seu potencial.

Fonte: CMW

* Marco Guedes é ortopedista e traumatologista formado pela USP e fundador do Centro Marian Weiss (CMW), clínica especializada no tratamento de pessoas portadoras de problemas nos pés, pé diabético e amputados dos membros superiores e inferiores.

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Passo Firme – 26.06.2012
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