Da ficção científica à realidade: o futuro da inteligência artificial e a fisiologia humana

Concebido para devolver a força dos músculos perdidos e conferir uma maior simetria de movimentos, o joelho Power Knee permite aos utilizadores percorrerem distâncias maiores e adapta-se a vários tipos de terreno.
Concebido para devolver a força dos músculos perdidos e conferir uma maior simetria de movimentos, o joelho Power Knee permite aos utilizadores percorrerem distâncias maiores e adapta-se a vários tipos de terreno.

É o tipo de tecnologia que temos visto nos filmes ao longo dos anos: a fisiologia humana torna-se sobre-humana, com membros biônicos que utilizam inteligência artificial. Mas os desenvolvimentos na biomecatrônica significam que as próteses que em tempos pareciam pura ficção estão agora a ajudar pessoas amputadas a levar uma vida sem limitações. Richard Hirons, especialista em próteses clínicas da Össur, fala-nos de alguns dos mais recentes produtos biônicos desta empresa e de até onde a tecnologia nos pode levar no futuro.

A Össur é especialista em dispositivos protésicos externos de substituição dos membros inferiores e em órteses, tais como reforços e suportes. “Definimo-nos a nós próprios como fornecedores de equipamentos, mas também trabalhamos com estabelecimentos clínicos para aperfeiçoarmos os produtos”, explica Hirons. “As próteses são, em alguns aspectos, como sapatos grandes. E nem todos os sapatos conseguem fazer tudo. Trata-se de adaptá-los às diferentes necessidades”.

As próteses normais são dispositivos passivos que respondem aos movimentos do corpo. “Os outros músculos das pessoas amputadas têm de trabalhar arduamente”, prossegue Hirons. “Mas, se são os músculos que fornecem a força necessária para o movimento das articulações, então por que não recorremos a motores para gerar essa força, diminuindo assim a carga fisiológica sobre o utilizador? Mas as articulações têm de receber a energia na altura certa, com a velocidade certa, com a força certa e com a amplitude de movimento certa”.

“As próteses são, em alguns aspectos, como sapatos grandes. E nem todos os sapatos conseguem fazer tudo. Trata-se de adaptá-los às diferentes necessidades”, afirma Hirons
“As próteses são, em alguns aspectos, como sapatos grandes. E nem todos os sapatos conseguem fazer tudo. Trata-se de adaptá-los às diferentes necessidades”, afirma Hirons

INOVAÇÃO BIÔNICA – Durante a última década, o portfólio de investigação e desenvolvimento da Össur tem-se concentrado na aplicação de sistemas de engenharia ao campo da biologia, com o objectivo de desenvolver produtos que respondam de uma forma humana a fim de restaurar as funções anatômicas perdidas através da amputação. O resultado é a tecnologia biônica, uma inovadora gama de membros inferiores protésicos que combinam a inteligência artificial com a fisiologia humana.

Os produtos biônicos aliviam as pessoas amputadas ao calcularem a forma como os seus membros deveriam mover-se controlando os movimentos por eles. Permitem assim que as pessoas se concentrem na sua atividade, em vez de terem de pensar na forma como estão a caminhar.

Rheo Knee
Rheo Knee

Os dois produtos biónicos da Össur para os joelhos, o Rheo Knee (foto) e o Power Knee (no destaque), começaram por ser projetos de investigação externos, que a empresa depois chamou a si. Originariamente desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o Rheo Knee recorre à inteligência artificial, que inclui microprocessadores, para controlar os movimentos. Consegue assim restaurar a capacidade de andar ao “aprender” e adaptar-se ao modo de andar da pessoa amputada, à sua velocidade e ao tipo de terreno em questão.

“Para que um joelho funcione correctamente, é necessária a conjugação de dois factores: a velocidade certa e o nível de amortecimento certo, para garantir o abrandamento dos movimentos”, refere Hirons. “A velocidade do andar determina a carga e o amortecimento necessários. Pense nisto como uma caixa de velocidades automática: o joelho controla-se automaticamente a si próprio, pelo que o utilizador não tem de se preocupar com ele”.

FUNCIONAMENTO – Mas como é que o joelho sabe o que fazer? Hirons explica: “O Rheo Knee recorre a sensores e a algoritmos de computador para identificar a fase de marcha (oscilação ou paragem) em que o utilizador se encontra. Quando detecta a localização do joelho, aplica força ou amortecimento, consoante as necessidades. Com os joelhos passivos, apenas pode ser utilizada uma configuração de amortecimento, pelo que os joelhos biónicos são muito mais versáteis”.

O Power Knee é ainda mais fascinante: concebido para devolver a força dos músculos perdidos e conferir uma maior simetria de movimentos, permite aos utilizadores percorrerem distâncias maiores e adapta-se a vários tipos de terreno. “Tem um motor incorporado, que faz com que o joelho vá buscar a sua própria energia ao aplicar a extensão e a flexão activas”, esclarece Hirons. “Basicamente, o Power Knee possibilita ao utilizador fazer mais com o mesmo esforço, ou o mesmo com menos esforço”.

Tal como o Rheo Knee, também o Power Knee recorre a sensores e tem um microprocessador para “aprender” o modo de andar do utilizador, ajustando-se automaticamente com base na velocidade, no terreno e na amplitude da passada. Mas também tem um giroscópio, que actua como um sensor de movimento, pelo que sabe sempre onde se encontra a articulação no “espaço”, bem como o respectivo ângulo de inclinação.

Proprio Foot
Proprio Foot

COMBINAÇÃO DE TECNOLOGIAS – A tecnologia biónica da Össur não se limita aos joelhos: o Proprio Foot foi desenvolvido no seio da empresa, e Hirons esteve envolvido nos primeiros ensaios. “A tecnologia do Proprio Foot foi sem dúvida inovadora”, recorda. “As pessoas precisavam de ter melhores respostas em diferentes tipos de terreno. Mesmo uma inclinação numa estrada, a adaptação a novos sapatos ou andar descalço sem comprometer o alinhamento da prótese podem ser difíceis para um amputado.”

O Proprio Foot substitui o tornozelo e foi concebido para pessoas com amputações abaixo do joelho. Permite ao utilizador ajustar a altura do calcanhar e adaptar-se a diferentes tipos de terreno. Tal como o Power Knee, possui um giroscópio no interior, que localiza o pé no espaço, bem como um motor incorporado, que muda o ângulo do pé.

A Össur já combinou também a sua tecnologia de ponta para conceber a Symbionic Leg (foto abaixo), a primeira perna biônica completa alguma vez criada. Conjugando as vantagens do Rheo Knee com as do Proprio Foot, esta perna artificial consegue também levantar ativamente os dedos dos pés, para reduzir os tropeções, e protege os utilizadores contra eventuais quedas ao fornecer um apoio de paragem instantâneo. Todos estes dispositivos tornam a vida com um membro protésico muito mais fácil e permitem uma maior mobilidade aos seus utilizadores.

20130826 - SYMBIONIC-LEGO FUTURO DA BIÔNICA – Conseguirá a tecnologia biônica levar os limites da ciência ainda mais além?

“Acredito que as melhorias na tecnologia dos sensores e o controle neural direto dos membros protésicos estarão entre os principais alvos da nossa atenção no futuro”, refere Hirons. “E a criação de músculos artificiais já está a ser explorada. Por outro lado, os produtos já existentes também podem ser aperfeiçoados: próteses com mais força, alternativas aos motores, redução do calor ou descoberta de fontes de energia alternativas. Atualmente, os utilizadores recarregam os seus membros durante a noite, como fazem com os seus telemóveis”.

“O caminho a seguir no futuro é descobrir formas de melhorar os mecanismos de controlo para produtos como a nossa Symbionic Leg”, conclui Hirons. “Atualmente, estamos a tentar adivinhar o melhor que podemos aquilo que o utilizador está a fazer e quer fazer, mas o controlo neural direto permitir-nos-ia deixar de tentar adivinhar”.

E os membros biônicos controlados automaticamente pelos nossos nervos, algo que parece fazer parte de um futuro distante, podem estar para breve: o Professor Gordon Blunn, de quem falamos em agosto, tem uma patente pendente para a sua tecnologia que combina o controlo neural com a tecnologia ITAP. Por isso, não perca de vista os nossos próximos artigos.

Fonte: Medtronic EUreka

Passo Firme – 26/08/2013
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Cientistas criam orelha biônica com impressora 3D

A orelha é criada por células, polímero e nanopartículas de prata |  Foto: Mel Evan | AP
A orelha é criada por células, polímero e nanopartículas de prata | Foto: Mel Evan | AP

Órgão é capaz de captar frequências mais amplas que ouvido humano. Técnica une células, polímero e nanopartículas de prata.

Cientistas da Universidade de Princeton, nos EUA, usaram a técnica de impressão em 3D para criar uma orelha composta de células de cartilagem, um tipo de polímero e nanopartículas eletrônicas capaz de captar frequências num espectro mais amplo que o ouvido humano.

Com uma impressora 3D comum, capaz de criar objetos tridimensionais por meio da aplicação de finas lâminas de matéria-prima, os estudiosos depositaram células de bezerro sobre uma base de material polimérico. As células viraram cartilagem. Simultaneamente, a impressora inseriu partículas de prata na estrutura, formando uma antena capaz de “ouvir” variadas frequências.

Os pesquisadores, liderados por Michael McAlpine, iniciaram a pesquisa porque a orelha é uma das estruturas mais difíceis de recriar por meios cirúrgicos. O modelo criado na universidade americana ainda precisa de mais testes para poder ser de fato usado.

Mas, na opinião dos autores da pesquisa, publicada na revista “Nano Letters”, a técnica é promissora para a substituição de órgãos humanos com problemas ou mesmo para a criação de partes corporais artificiais com capacidades que excedem as naturalmente e encontradas.

Fonte: G1

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Passo Firme – 05/07/2013
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Australianos desenvolvem ‘olho biônico’ que pode ajudar até 85% dos cegos

Protótipo do 'olho biônico' desenvolvido na Universidade Monash: primeiro teste com a tecnologia deve acontecer em 2014 (Divulgação)
Protótipo do ‘olho biônico’ desenvolvido na Universidade Monash: primeiro teste com a tecnologia deve acontecer em 2014 (Divulgação)

Dispositivo é formado por chip implantado no cérebro e óculos com câmera, processador digital e transmissor wireless. Tecnologia deve ajudar pessoas com deficiência visual causada por doenças como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. Primeiro teste em paciente será feito em 2014

Um grupo de cientistas e designers australianos desenvolveu um protótipo de “olho biônico” para devolver a visão a pessoas cegas. Os testes em pacientes começarão no próximo ano. O dispositivo é composto por óculos que captam, com a ajuda de uma câmera digital, a imagem ao redor do indivíduo e enviam esses estímulos visuais a um chip implantado no cérebro. Se os experimentos envolvendo a tecnologia correrem como o esperado, ela terá o potencial de devolver a visão a até 85% das pessoas classificadas como clinicamente cegas (com pouca visão e percepção de luz ou então sem visão alguma).

A tecnologia está sendo desenvolvida por especialistas do Grupo de Visão da Universidade Monash, na Austrália. Em seu site oficial, o grupo informa que o olho biônico está sendo desenvolvido para “pessoas com deficiência visual causada por uma série de condições, como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética. Ele também pode ajudar pessoas com danos em seus nervos ópticos ou em seus olhos causados por um trauma ou uma doença.”

Monash University
Monash University

O modelo desse olho biônico é formado por óculos e chip. Na parte da frente dos óculos, há uma câmera digital embutida que capta as imagens. Na parte interna dos óculos, existe um sensor que percebe os movimentos dos olhos e é utilizado para direcionar corretamente a câmera. Na lateral dos óculos, os especialistas inseriram um processador digital que recebe as informações visuais da câmera e as envia a um chip que deve ser inserido na parte de trás do cérebro do paciente. Esse chip, por sua vez, emite sinais elétricos ao córtex visual, que interpreta esses sinais como a visão.

“O que nós acreditamos que o paciente enxergará é uma espécie de imagem de baixa resolução, mas suficiente para identificar, por exemplo, a borda de uma mesa, a silhueta de um ente querido, um degrau na calçada ou algo do tipo”, disse Mark Armstrong, professor da Universidade Monash, ao programa de rádio PM, da Australian Broadcasting Corporation (ABC).

OUTROS TESTES — Em agosto de 2012, essa mesma equipe anunciou a implantação do protótipo do que chamou de “olho pré-biônico”. A abordagem consistiu em implantar eletrodos na retina de uma paciente com retinite pigmentosa degenerativa, um tipo de degeneração da retina que leva à perda da visão. A ideia era a de que os eletrodos enviassem impulsos elétricos para as células nervosas dos olhos e devolvessem parte da visão à paciente. De acordo com o grupo, esse método é adequado a pessoas com retinite pigmentosa e também degeneração macular relacionada à idade.

Veja outras matérias sobre o assunto:

Fonte: Veja Ciência

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Passo Firme – 11/06/2013
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Já viu uma libélula biônica? Pois ela existe!

Empresa alemã Festo, uma das líderes mundiais na área da robótica, apresentou recentemente ao mundo a sua última novidade: uma libélula biônica de 175 gramas que já provou que sabe voar.

Denominado “BionicOpter”, o robô tem uma envergadura de asas de 70 centímetros e um comprimento de 48 centímetros. As suas quatro asas são independentes, o que dá ao inseto robótico a capacidade de acelerar em qualquer direção e também para cima e para baixo. O BionicOpter, que pode ser controlado através de um simples smartphone, consegue ainda pairar e deslizar pelo ar sem bater as asas, além de que conta com sensores e outros componentes mecânicos inovadores.

libélula biônica

Num comunicado, um dos responsáveis da Festo, Heinrich Frontzek, afirma que se trata “de uma forma única de voar”, apenas possibilitada pela construção leve da libélula biônica. De acordo com a Canadian Manufacturing, a Festo planeja apresentar o novo brinquedinho na feira de tecnologia e automação Hannover Messe, que acontece de 8 a 12 de abril, em em Hannover, Alemanha.

(Com informações do site português Tecnologia)

Passo Firme – 31/03/2013 
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‘Ela faz coisas que facilitam sua vida’, diz ex-metalúrgico sobre mão biônica

Uma das próteses mais avançada do mundo, a Bebionic tem motores individuais para cada dedo.
Uma das próteses mais avançada do mundo, a Bebionic tem motores individuais para cada dedo.

Lançada em setembro do ano passado, uma das próteses mais modernas do mercado devolve não só os movimentos, mas também a autoestima dos pacientes.

Já imaginou viver sem o movimento de uma das mãos? Para minimizar a perda física, que também afeta a autoestima e a independência, uma empresa de Leeds, na Inglaterra, investe em tecnologia de ponta. A RSL Steeper criou a mão biônica mais moderna do mercado, que está sendo usada por 300 pessoas pelo mundo.

A Bebionic Three, como é chamada, foi lançada em setembro do ano passado. Cada dedo tem um motor individual, o que permite 14 tipos de movimentos, dos mais delicados e precisos, como segurar um cartão, aos mais vigorosos, como levantar peso. Foram precisos quatro anos de pesquisa para que os cientistas chegassem à última versão da prótese.

A mão biônica é controlada pela contração de dois músculos do braço que ficam logo abaixo do cotovelo. “Temos os sensores que ficam na pele, dentro da manopla. Um é responsável por fechar a mão e outro, por abri-la”, explica o gerente de produtos Bruce Rattray.

Uma das principais preocupações da empresa é evitar cópias. Para isso, a prótese está protegida por quatro patentes e tem uma equipe dedicada de cerca de 40 pessoas para melhorar suas funcionalidades. “Estamos sempre tentando produzir algo mais silencioso, mais rápido, mais forte e mais robusto para o paciente”, destaca o engenheiro mecânico sênior Jake Goodwin. A maioria das sugestões de melhoria parte dos próprios clientes.

Junto com engenheiros, uma dupla fica responsável pela parte eletrônica. Na tela do computador, códigos definem os movimentos da mão e são testados na hora. “Podemos ver as bordas em 3D, assim podemos transferir para o pessoal da mecânica verificar se ela se encaixa antes de construí-la”, diz a chefe de design eletrônico Courtney Medynski.

"Usuário quer poder confiar totalmente na mão biônica", diz Bruce Rattray
“Usuário quer poder confiar totalmente na mão biônica”, diz Bruce Rattray

FUNCIONALIDADES – Para segurar uma bola, o trabalho é mais simples, porque os dedos fecham todos juntos. O difícil é programar os movimentos em que cada dedo tem uma função diferente. Como se trata de um quebra-cabeça que não pode ter erros, as equipes lideradas pelo britânico Dean Kevin trabalham juntas e definem limites. “Temos uma colaboração bem próxima para garantir que o processo de desenvolvimento do produto seja o mais eficiente possível”, aponta o chefe de design de produtos.

A empresa promove reuniões frequentes para acompanhar os avanços da tecnologia. Os funcionários checam se existem novos materiais ou jeito de melhorar o encaixe das peças. O próximo passo é criar uma versão menor, para atender as mulheres de baixa estatura.

Não basta desenhar tudo no computador, é preciso ver se as ideias vão funcionar de fato. “A durabilidade é muito importante para nós e para o usuário final. Ele quer poder confiar totalmente na mão biônica que estiver usando”, avalia Rattray, responsável pelos testes para garantir a eficiência do produto.

Com tudo aprovado, é hora de montar a Bebionic Three, um trabalho completamente artesanal que leva aproximadamente quatro horas e meia. São 240 peças, incluindo parafusos, motores que vêm da Alemanha e outras peças que são fabricadas na própria Grã-Bretanha.

Desde o lançamento, já foram vendidas mais de 300 unidades da prótese, a maioria para os Estados Unidos. Antes de criar expectativa, a empresa alerta que é preciso fazer exames e checar se o paciente tem condições físicas de controlar a prótese que, no Brasil, varia entre US$ 25 e US$ 30 mil, sem incluir atendimento médico e treinamento.

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Bebionic Three ajudou o britânico Nigel Ackland a recuperar a autoestima. Com a prótese, o ex-metalúrgico consegue fazer tanto movimentos simples quanto complexos.

O METALÚRGICO QUE SUPEROU A AMPUTAÇÃO – A mão biônica não serve apenas para suprir a falta física. Os amputados perdem muito mais do que uma parte do corpo e alguns não conseguem retomar a confiança que tinham antes. Foi o que aconteceu com o britânico Nigel Ackland. Em 2006, ele se acidentou na metalúrgica onde trabalhava. Durante seis meses, tentou curar o braço que havia ficado preso dentro da máquina.

Os médicos disseram que ele passaria quase dez anos fazendo cirurgias para garantir apenas movimentos restritos. “Então eu pedi para amputarem. Eu sabia que a tecnologia chegaria lá em algum momento, esperava que chegasse lá para me ajudar e, durante um bom tempo, isso não aconteceu”, relembra o ex-metalúrgico.

Segundo Kevin, é possível reproduzir todos os movimentos de uma mão real. “Isso é uma questão de programação, mas acho que devemos continuar concentrados em quais movimentos são mais importantes para cada paciente. Temos que garantir que os principais movimentos funcionais tenham o máximo de eficiência para aquilo que o paciente quer fazer no dia a dia”, afirma.

Logo depois do acidente, Nigel buscou ajuda do sistema público de saúde britânico, mas percebeu que não teria acesso à tecnologia de ponta. A saída foi recorrer ao próprio bolso. Com a indenização que recebeu da metalúrgica, comprou uma Bebionic quando o produto ainda estava em fase de testes. Aos poucos, ajudou o fabricante a modernizar a prótese para que ela ficasse mais rápida e confortável. “Ela faz coisas que facilitam sua vida”, afirma o britânico.

Aos 53 anos, Nigel também usa a mão biônica para fazer exercícios que fortalecem o antebraço. Tudo sem exageros, para não aumentar demais os músculos, o que o obrigaria a trocar a meia da prótese, como é chamada a parte interna que permite o encaixe no corpo.

Assim como a tecnologia, o apoio da família fez toda a diferença. Foi a esposa Vanessa quem ajudou Nigel a combater a depressão. A mão biônica era o que faltava para devolver a alegria ao casal. Depois do acidente, o britânico aprendeu a dar mais valor a tarefas que a maioria das pessoas nem presta atenção no dia a dia. “São essas pequenas coisas que os seres humanos fazem que ela nos devolve, coisas em que você nem pensa, como vestir as calças”, destaca.

O mercado de próteses não para de crescer e, em 2015, deve chegar ao equivalente a R$ 50 bilhões. Entre os motivos estão o aumento da expectativa de vida, uma população cada vez mais idosa que sofre de problemas de articulação e o avanço dos países emergentes, como o Brasil e a Índia, que têm investido cada vez mais na área da saúde. O maior desafio, no entanto, é o acesso a essa tecnologia, cara demais para a maioria dos pacientes.

Assista aqui a reportagem completa da Globo News sobre o assunto.

Fonte: Globo News

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MÃO BIÔNICA NÃO É BRINQUEDO NÃO

Passo Firme – 27/03/2013
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“Não podemos alimentar falsas esperanças”, diz inventor de olho biônico

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Pesquisadores brasileiros ajudaram a criar o primeiro olho biônico, aprovado no mês passado nos EUA, e agora colaboram em outro projeto que usa células-tronco da retina para recuperar a visão.

A revelação é do inventor do olho biônico, o engenheiro biomédico Mark Humayun, 50, que mantém uma parceria de 15 anos com o departamento de oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Em entrevista exclusiva à Folha, o professor da Universidade do Sul da Califórnia afirma que seu maior desafio tem sido administrar a expectativa das pessoas sobre a nova tecnologia. “Não podemos alimentar falsas esperanças”, alertou o pesquisador.

Veja um pouco mais sobre o novo olho biônico na matéria abaixo:

O olho biônico Argus II não restaura completamente a visão, mas permite que pessoas com uma doença rara que leva à cegueira (retinose pigmentar) detecte faixas de pedestres, presença de pessoas e grandes números e letras.

Ao menos 60 pessoas na Europa e nos EUA já usam o aparelho, a maioria subsidiada por programas governamentais. A tecnologia aguarda registro da Anvisa para ser comercializada no Brasil.

Mark Humayun

Espécie de Professor Pardal, Humayun (foto) tem cem patentes registradas em seu nome, entre elas bombas de insulina para diabéticos e dispositivos cerebrais.

Folha – O que o inspirou na criação do olho biônico?

Mark Humayun – Minha avó ficou cega por complicações da diabetes e, naquela época, pensei que poderia fazer algo para ajudá-la.

Quando foi isso e quais obstáculos o sr. enfrentou?

Há 25 anos, quando começamos com essa ideia, colocar um computador dentro dos olhos era ficção científica. Nos primeiros anos, havia pouco dinheiro, pouco apoio.

Para mudar isso, passamos a colocar o aparelho por 30, 45 minutos nos olhos de cegos, com anestesia local, e perguntar o que eles estavam vendo. O fato é que puderam ver um eletrodo dentro do olho e, então, acreditamos que poderíamos construir uma retina artificial.

O olho biônico custa US$ 100 mil. O sr. acredita que, com o tempo, ficará mais acessível?

O aparelho possibilita a visão por ao menos dez anos. São US$ 10 mil por ano. Por esse prisma, não é tão caro. Mas acredito que, com melhores técnicas de fabricação, poderemos torná-lo mais barato. Temos que lembrar que foram investidos US$ 200 milhões para desenvolvê-lo. Então, US$ 10 mil dólares por mês não é muito.

O aparelho não restaura completamente a visão. Ele deve ser aprimorado?

Ele permite identificar objetos grandes, como portas, contorno de corpos. Isso é uma grande coisa. Mas os usuários não podem reconhecer um rosto ou ler como nós lemos. A tecnologia deve melhorar cada vez mais.

Ele poderá ser usado em pessoas com outras doenças, como a degeneração macular?

Não temos essa resposta. Teoricamente, só precisamos melhorar a tecnologia.

Em quanto tempo?

O primeiro modelo do aparelho levou 15 anos para ser desenvolvido. O segundo, sete. Estamos aprendendo rápido e, em três ou quatro anos, teremos um novo modelo.

Qual o principal desafio ainda a ser enfrentado?

Administrar a expectativa das pessoas. Todo mundo ouviu sobre o olho biônico e todo mundo quer. Precisamos ser muito claros sobre o perfil de pessoas que serão beneficiadas com ele. Não podemos alimentar falsas esperanças. Ele não pode ser usado em doenças em que o nervo óptico foi lesionado ou em condições em que não há mais células viáveis da retina.

O Brasil teve participação neste projeto?

O Brasil tem um grande papel na pesquisa. Tenho recebido pesquisadores brasileiros no meu laboratório nos EUA, e eles contribuíram muito desde o início.

O sr. desenvolve outra pesquisa, em parceria com a Unifesp, que envolve uso de células-tronco. Do que se trata?

O olho biônico tenta restaurar a visão perdida, já as pesquisas com célula-tronco pretendem recuperar a retina que está morrendo.

São células-tronco que se diferenciam in vitro em células do epitélio pigmentar e são colocadas numa membrana. A hipótese é que colocar essas células debaixo da retina vai dar a nutrição para as outras células se manterem ou melhorarem. Estamos na fase pré-clínica. Os primeiros pacientes precisam ser aprovados pelo FDA. Isso deve acontecer em 2014.

Fonte: Folha de S.Paulo

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LER BRAILE SEM TOCAR?
‘OLHO BIÔNICO’ DEVOLVE A VISÃO A PACIENTES CEGOS NA INGLATERRA

Passo Firme – 17/03/2013
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Paciente recebe prótese biônica ‘inteligente’ no lugar de antebraço

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Avaliado em R$ 150 mil, aparelho é acionado com movimentos do cotovelo

Um paciente de 58 anos no Reino Unido recebeu uma prótese biônica “inteligente”, com eletrodos que captam movimentos dos músculos do cotovelo e acionam os dedos eletronicamente. Chamada de “Michelangelo”, a prótese pioneira na tecnologia mioelétrica é avaliada em 47 mil libras (cerca de R$ 150 mil). Seu formato é similar ao de uma mão humana, com dedos e polegar, e ela permite segurar objetos pesados, amarrar cordas, subir escadas, entre outras atividades, de acordo com o jornal britânico “Daily Mail”.

O engenheiro Chris Taylor (foto), que recebeu o “antebraço biônico” da clínica particular Dorset Ortopédica como teste, perdeu parte do membro direito há quatro anos, em um acidente de moto aquática.

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O objeto foi desenvolvido na Alemanha e nos Estados Unidos e usa um software para controlar a mão e fazê-la abrir, fechar, segurar objetos e outros movimentos, baseando-se na contração dos músculos do cotovelo captados pelos eletrodos. “É uma sensação estranha mover [a prótese] e sentir que eu sou capaz de fazer coisas que eu não podia por muito tempo”, disse Taylor ao jornal britânico. “Obviamente não é tão boa quanto uma mão normal, mas é melhor que outras próteses que eu tive.”

A prótese usa uma bateria que dura 20 horas, e precisa ser recarregada por quatro horas ininterruptamente. Ela é formada com ligas de metal, plástico e outros materiais. “O que diferencia esta prótese de outras é o fato de ela ser ‘inteligente’ e ter um polegar móvel. A mão tem um software que faz o mesmo que uma pessoa comum, como ao pensar ‘feche sua mão’ – ela fecha automaticamente. Há sensores que enviam as mensagens dos músculos do cotovelo para a mão”, afirmou ao “Daily Mail” o diretor da clínica, Bob Watts.

Fonte: Bem Estar / Via  Daily Mail

Passo Firme – 24.01.2013

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Ler braile sem tocar?

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Empresa americana cria Braille que não precisa ser tocado – implante na retina faz com que cegos leiam de fato com os próprios olhos

Uma recente descoberta promete mudar (pra melhor, é claro) radicalmente a maneira como deficientes visuais se relacionam com o mundo. Ao adaptar uma conhecida tecnologia que permite que cegos consigam enxergar rudemente, cientistas conseguiram dar um passo além: fazer com que eles consigam ler. Sem as mãos, sem precisar tocar no Braille – tudo na base da boa e velha visão.

Com o sistema Argus II, o usuário tinha uma versão pixelizada do mundo: um par de óculos com uma câmera acoplada manda sinais eletrônicos diretamente para a retina da pessoa. Essa espécie de mini-monitor era visualizado na forma de um quadrado com 60 eletrodos; fazendo com que fosse possível distinguir claro e escuro, além de coisas como a passagem por uma porta e a mudança de um ambiente para o outro.

Acontece que essa tecnologia é rudimentar demais para que se consiga ler, a fonte da palavra tinha que ser grande demais e mesmo assim levaria minutos até que o conteúdo dela fosse totalmente compreendido. Com pequenos ajustes, mas partindo do mesmo princípio, pesquisadores da empresa americana Second Sight, lapidaram a tecnologia e chegaram a resultados bastante animadores.

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OS AVANÇOS – Como o Braille é baseado num padrão de seis pontos, recombinados de maneiras diferentes pra cada letra, número ou símbolo (vírgula, ponto final, etc.) eles perceberam que os eletrodos usados no Argus II poderiam ser utilizados para representar esses pontos, como se fosse uma analogia ao Braille propriamente dito. Ao estimular seis dos 60 eletrodos, a pessoa consegue ler sem precisar encostar em nada. Um implante com os tais eletrodos é colocado atrás do olho do usuário, bem em cima da retina, e as letras em Braille são enviadas via wireless para o dispositivo. Quer dizer, isso ainda não permite que um cego leia um livro no ônibus, mas certamente fará ele chegar com muito mais tranqüilidade no seu destino final.

Esse é o verdadeiro avanço do novo Argus II: fazer com que deficientes visuais consigam interpretar placas e outros sinais que facilitam a locomoção nas ruas. Para pessoas com a visão boa, isso passa batido, mas nosso cotidiano é orientado por esse tipo de aviso – desde qual rua virar até a qual estação de metrô descer. Adaptando esses locais públicos à tecnologia recém-descoberta, a vida dos cegos ficará consideravelmente mais fácil.

Durante os primeiros testes, a eficiência do sistema provou-se bem alta. Quando vistas individualmente, o índice de acerto das letras foi de 89%. Palavras com duas letras tiveram uma taxa de 80% e as de 4 chegaram a 70%. Apesar desses números, os pesquisadores acreditam que palavras longas são mais fáceis de serem interpretadas, já que, nesse caso, errar uma letra implica em menos dificuldade de adivinhar o significado total.

Fonte: Revista Galileu

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Passo Firme – 28.11.2012
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Mão Biônica não é brinquedo não

Nos anos 80 dois dos brinquedos preferidos da molecada eram a Mão Biônica e a Super-Garra (foto). Na prática era muito desajeitado, e você precisava usar a sua mão biológica para acionar a mecânica, então do ponto de vista funcional não fazia muito sentido, mas era legal. Imaginávamos que no futuro aquilo poderia ser usado como base de um braço mecânico para amputados, ou mesmo para robôs.

O que ninguém imaginava era que em uma geração a tecnologia evoluiria nossos devaneios se tornariam realidade. Que o diga esse cidadão aqui, Nigel Ackland (foto). Ele perdeu o braço em um misturador industrial (não deve ter sido bonito) e, se fosse uma pessoa comum (ou um pirata), estaria usando um gancho. Para sorte dele, foi escolhido para testar a Bebionic, uma prótese biônica que usa tecnologia mioelétrica, sendo controlada pelos sinais musculares no membro amputado.

A mão tem movimentos impressionantemente naturais, e é programada para um monte de atividades cotidianas. No vídeo abaixo Nigel faz o tradicional truque de pegar um ovo, depois aparece catamilhografando um texto e até… usando um mouse. Sim, a diaba da mão tem um programa que reconhece o comando para clique e duplo-clique.

Lindo, não? Agora uma melhor ainda: A Bebionic tem representantes no Brasil: a Conforpés e a Orthogen, ambas de Sorocaba (SP),sendo que a Orthogen representa também as empresas “Endolite” e a “RSL Steeper” , além de possuir uma linha própria de produtos ortopédicos. Não é mais um projeto de pesquisa, é uso real. E entre vários usuários, há o Celso Mascarenhas. Ele usa DUAS próteses. Pior, mesmo (ou talvez por causa delas) com duas mãos biônicas esse filho de uma taturana DESENHA, e melhor do que eu.

Meu lado geek se emociona, tecnologia vai muito além do smartphone da semana, e quem ama tecnologia quer vê-la saindo do gueto, quer ver seu uso disseminado, fazendo parte do dia-a-dia de todo mundo.

Não pesquisei o custo da Bebionic, imagino que seja uma fortuna, mas sinceramente preferia ver meus impostos usados para montar uma fábrica desse negócio do que sendo gastos em subsídio pra Foxconn ou construindo estádio de futebol pra FIFA ganhar dinheiro.

Fonte: Site Meio Bit

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Passo Firme – 10.11.2012 (atualizada em 14.11.2012)
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Britânico recebe mão biônica do serviço público de saúde

Um homem de Hull, na Inglaterra, tornou-se a primeira pessoa na Grã-Bretanha a ser equipada com uma mão biônica paga pelo sistema de saúde pública.

Mike Swainger perdeu um braço e uma perna depois de ser atropelado por um trem quando tinha 13 anos de idade. Vinte anos depois e ele diz ter uma nova chance de desfrutar a vida com sua mão a pilhas.

Ele se ofereceu para ser cobaia em uma empresa que desenvolvia o produto.

Veja o vídeo em: BBC 

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Passo Firme – 08.10.2012
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Próteses vintage – a ortopedia técnica de séculos passados (parte 2)

Modelos retrôs à base de madeira e ferro primavam pela funcionalidade como principal objetivo

Na segunda matéria da série especial Próteses vintage – a ortopedia técnica de séculos passados, novas fotos de próteses, todas do século 19. Mesmo rudimentares, natural para a época em que foram criadas, confeccionadas e/ou adaptadas, elas sinalizavam a funcionalidade como principal objetivo dos componentes protéticos, produzidos basicamente à base de madeira e ferro fundido.

1. Perna de madeira, século 19

Fonte: ebay.com

2. Perna de madeira e ferro, século 19

Fonte: rádio-guy.net

3. Prótese-órtese de ferro e madeira com pé articulado, século 19

Fonte: rádio-guy.net

4. Braço de madeira feito com cano de espingarda, século 19

Este braço artificial data de meados do século 19 e revela a existência de um projeto de engenhosidade e oportunidade. Ele foi formado a partir do barril de madeira de um rifle ou espingarda. Para ativar o mecanismo de agarrar na ponta da prótese, o usuário pressionava uma alavanca ao lado do braço contra a lateral do próprio corpo.

Fonte: invention.smithsonian.org

5. Mão articulada de madeira, século 19

Uma mulher, provavelmente usava essa mão de meados do século 19. A prótese escorregou sobre o coto de seu braço e foi atado firmemente. A abertura lateral indica que a usuária tinha seu próprio polegar. Os dedos de madeira, embora articulados e flexíveis, não tinham mecanismo de bloqueio que permitisse que a pessoa segurasse um objeto.

Fonte: invention.smithsonian.org

6. Mão articulada de madeira, século 19

Já essa mão foi moldada a partir de madeira compensada. Os dedos articulados eram ativados por um cabo interno que ligavam o dedo polegar ao dedo indicador.

Fonte: invention.smithsonian.org

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Passo Firme – 07.10.2012
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Próteses vintage – a ortopedia técnica de séculos passados (parte 1)

Como eram alguns braços e pernas mecânicos antes das atuais tecnologias

Hoje fala-se tanto em robótica, tecnologia biônica, nanotecnologia… como sendo o futuro das tecnologias que brevemente estarão equipando as órteses e próteses ortopédicas. Mas como eram os braços e pernas mecânicos antes do advento das tecnologias?

A partir desta semana o Blog Passo Firme estreia Próteses vintage – a ortopedia técnica de séculos passados, uma série especial de três matérias que mostrarão como era a ortopedia técnica de séculos passados. A maioria das imagens é do Museu de Ciência de Londres (Science Museum, London). Vale o passeio e a reflexão: poderia se imaginar usando um dos componentes abaixo?

1. Braço de metal articulado, 1500

Este braço artificial de ferro fundido data de 1500, ano do descobrimento do Brasil. Ligado ao corpo por meio de correias e dobradiças de metal, a prótese permitia certa gama de movimentos. A mão, virada para dentro, possuía uma articulação no pulso que possibilitava o usuário movê-la verticalmente, como se fosse apertar a mão de alguém. Um globo de metal oco funcionava como a articulação do cotovelo substituto

Nesta época, o médico militar francês Ambroise Paré (1510-1590) ganhou experiência como cirurgião privado para generais do exército francês. Ele produziu livros sobre cirurgia em que ele descreveu novas operações e tratamentos. Estes escritos descrevem substitutos artificiais que desenvolveu para substituir membros amputados. Alguns eram simples. Outros foram elaborados com dispositivos altamente mecanizados para simular o movimento natural e função do membro.

Fonte: sciencemuseum.org.uk

2. Braço de ferro, 1560-1600

Nesta prótese para um braço esquerdo, o antebraço e a mão são totalmente articulados. Ela foi adquirida da coleção particular de Noel Hamonic (1850-1928) por Henry Wellcome, em 1928. Quando Hamonic recolheu o braço, ele foi pensado para ter pertencido a Götz von Berlichingen, que viveu entre 1480 e 1562. Berlichingen era um cavaleiro alemão que ficou famoso porque perdeu um braço na batalha de Landshut, em 1503.

Fonte: sciencemuseum.org.uk

3. Perna bota de couro, 1891

Esta perna artificial, que mais parece uma bota de couro atada ao joelho, foi projetada para alguém que teve seu pé direito amputado logo acima da articulação do tornozelo. O pé de madeira e o tornozelo são articulados. A fixação da perna é suportada pela barra de aço forte.

Fonte: sciencemuseum.org.uk

4. Perna mecânica transfemoral, 1918

Fonte: pinterest.com

5. Perna para desarticulação de quadril, 1928

Prótese projetada para alguém com uma desarticulação do quadril, quando a amputação é alta à altura do quadril, envolvendo a remoção da perna e quadril. Observe que a parte interna do encaixe é acolchoada. A prótese é de metal oco e leve e a articulação do joelho bloqueia por meio de um mecanismo de roldana. Esta prótese, montada no Hospital Queen Mary, em Roehampton, Surrey, pode ter sido feita para um paciente que perdeu a perna durante a Primeira Guerra Mundial, conflito onde cerca de 41 mil militares britânicos perderam um ou mais membros.

Fonte: sciencemuseum.org.uk

6. Braço mecânico para alimentação

Este braço protético, à base de aço e couro, foi feito para um amputado abaixo do cotovelo e, como diferencial, possui uma mão removível para acoplagem de garfo e faca para alimentação, para que o usuário possa alimenta-se sem auxílio.

Fonte: madametalbot.com

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Passo Firme – 30.09.2012
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Homem recebe prótese de orelha ultrarrealista na Inglaterra

Quando foi com seus filhos assistir a uma apresentação de fogos de artifício, em novembro de 2009, o britânico Thomas Tracey (foto) não imaginava que sofreria uma bizarra agressão: um estranho surgiu de repente e arrancou sua orelha esquerda com uma dentada. “Esse lunático surgiu do nada, devia estar drogado, e me atacou”, conta.

“Ele arrancou minha orelha inteira. Paramédicos conseguiram encontrá-la, mas estava danificada demais para ser costurada de volta”. No susto, Tracey só conseguiu pensar na segurança dos filhos (sabe-se lá o que mais o agressor poderia fazer), e diz que sequer sentiu dor. O cara que o atacou fugiu e não foi capturado. Tracey seguiu em frente.

Mais de dois anos depois, ele recebeu uma prótese feita por especialistas do Departamento de Próteses Maxilo-faciais do Hospital Rainha Elizabeth, em Edgbaston, Inglaterra. “Fiquei chocado ao ver quão realista era ela. Depois que você coloca, não dá pra notar que é diferente”, conta.

No hospital, Tracey se considerou um cara de sorte, não apenas por causa da prótese, mas porque, ao ver soldados que haviam perdido pernas ou braços, pôde “colocar as coisas em perspectiva”.

Ele passou a usar a prótese ao sair de casa, o que rendeu uma situação, no mínimo, curiosa. “Na primeira vez em que a usei para ir a um clube, alguém acidentalmente a acertou – e ela saiu voando para o meio da pista de dança! Achei hilário, peguei-a de volta e guardei na bolsa da minha namorada”, lembra Tracey. Imagine a cara de espanto do cidadão que acertou a prótese.

Veja no link abaixo o vídeo do Departamento de Próteses Maxilo-faciais do Hospital Rainha Elizabeth:

Father-ear-bitten-attack-fitted-ultra-realistic-prosthetic-replacement.html

Fonte: Hypescience [Via Daily Mail UK]

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Passo Firme – 23.09.2012
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Avanços tecnológicos que ajudam a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Enquanto o mundo celebra as extraordinárias conquistas dos atletas paralímpicos nos Jogos de Londres, pessoas com deficiências em todo o mundo enfrentam desafios cada vez mais sérios na luta por espaço no mercado de trabalho. As limitações físicas, aliadas ao preconceito e ignorância, ficam ainda mais difíceis de superar em tempos de recessão econômica.

Muitos acreditam que a tecnologia – que auxiliou tantos atletas durante as Paralimpíadas – tem um papel importante em permitir que o portador de necessidades especiais se destaque também fora do Parque Olímpico, realizando seu potencial nas mais diversas profissões. A BBC ouviu alguns dos profissionais que trabalham para isso.

REVOLUÇÃO BIÔNICA – Um dos líderes na batalha para que a tecnologia abra os caminhos do mundo aos portadores de deficiências é o americano Hugh Herr (foto), professor do Media Lab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos. Ele acredita que os avanços da tecnologia biônica podem liberar o potencial de uma força de trabalho que, até agora, vinha sendo subutilizada. “Eu prevejo uma revolução de biônicos”, diz Herr. “Estamos entrando em uma era biônica, onde começamos a ver tecnologia que é sofisticada o suficiente para imitar funções fisiológicas importantes”, acrescenta.

Como diretor da companhia iWalk – que fabrica próteses robóticas que imitam as funções de membros do corpo humano – Herr trabalha com biônicos diariamente. Além disso, o professor personifica a revolução que prevê. Durante uma mal sucedida expedição de alpinismo em 1982, Herr sofreu ulcerações tão graves provocadas pelo frio que suas pernas tiveram de ser amputadas abaixo dos joelhos. Hoje, graças aos produtos que ele próprio desenvolveu, Herr continua a praticar alpinismo.

As próteses biônicas que produz são tão avançadas que não apenas imitam as funções de uma perna humana normal – elas são, em vários aspectos, superiores. E estão disponíveis comercialmente em outros 50 centros espalhados pelos Estados Unidos. Um cliente da iWalk, um trabalhador de uma fábrica em Ohio, conseguiu voltar ao trabalho apenas duas semanas após ter suas novas pernas ajustadas.

“Podemos colocar as pessoas de volta no trabalho, o que é (uma conquista) imensa. Só isso custaria ao Estado milhões de dólares”, explica Herr. Na opinião dele, quando uma pessoa manca, há efeitos colaterais, como dor nas costas e nas juntas. E eles tendem a aumentar com o passar dos anos. “Tivemos pacientes cuja dor foi cortada pela metade, ou em 75%, o que é bastante.”

COMBATENDO O ESTIGMA – Para alguns, no entanto, não se trata de retornar ao antigo emprego e, sim, de conseguir um trabalho. Barbara Otto (foto) é diretora da ONG Think Beyond the Label (Pense além do rótulo, em tradução livre), que tenta auxiliar empresas a contratar pessoas com necessidades especiais. “Estamos entrando em uma era biônica, onde começamos a ver tecnologia que é sofisticada o suficiente para imitar funções fisiológicas importantes”, avalia.

A ONG criou um portal digital que funciona como uma rede social, permitindo que empregadores e força de trabalho façam contato e organiza feiras online onde empresas e candidatos a empregos podem se encontrar. “A grande vantagem dessas feiras profissionais online é que não há necessidade de que as empresas viajem, e não há a necessidade de que as pessoas com deficiências viajem para um determinado local. Isso acaba com quaisquer inibições que um empregador possa ter, ou que uma pessoa portadora de deficiência possa ter, ao entrar em contato.”, explica.

Bárbara acredita que empresas têm muito a ganhar ao empregar pessoas com necessidades especiais. “Sempre digo, se você quiser contratar alguém que pense diferente, empregue uma pessoa com alguma deficiência. Quando buscamos inovações em design, tecnologia ou em usos de softwares, pessoas com deficiências são sempre capazes de oferecer essa inovação que faltava porque precisam inovar na sua vida diária”, afirma.

CRÍTICAS – Outra importante frente de batalha na luta para colocar pessoas com deficiências no mercado profissional é garantir a eles o acesso ao local de trabalho. “A tecnologia terá um papel central nesse processo”, disse Alan Roulstone, professor de inclusão da Northumbria University, no norte da Inglaterra. Ele acredita que a grande estrela nesse palco são as tecnologias de navegação adaptadass para uso em prédios de escritórios.

“Tendo em vista a maneira como a telefonia e as tecnologias de GPS estão se desenvolvendo, acho que é apenas uma questão de tempo para que você tenha apps para celulares que permitam que pessoas com deficiências visuais, declínio cognitivo ou dislexia naveguem pelo ambiente.”

Alguns observam com cautela a emergência de tecnologias capazes de nos levar além das fronteiras da natureza – particularmente no caso dos biônicos, que podem ser usados para aumentar as capacidades do corpo humano.

No entanto, essas questões não preocupam Hugh Herr, do MIT Media Lab. “Existe tanta dor e sofrimento no mundo hoje por causa de corpos que não funcionam muito bem. A narrativa dominante é construir uma sociedade onde essa dor e sofrimento sejam reduzidos. As pessoas, em geral, não acham que isso não seja ético, mas eu não consigo ver um problema em irmos além do que a natureza pretendia. Nós já fazemos isso, com celulares, bicicletas, carros e aviões.”

Fonte: BBC Brasil

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Passo Firme – 14.09.2012
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Amputar: uma escolha impensável para muitos que precisam dela

Há cinco anos, Ann Kornhauser (foto) estava andando com seu cachorro em Hicksville, NY, quando os ossos em seu pé esquerdo racharam de forma repentina. Os médicos descobriram que ela tinha um raro tumor, amputaram metade do pé e deram-lhe uma prótese, mas o equipamento a deixava com dores constantes. Muitas vezes Ann Kornhauser chorava em seu carro depois de idas ao supermercado porque temia levar os sacos de compra para casa. Foi então que seu protesista propôs uma solução: amputar a perna em nível abaixo do joelho.

“‘Membros artificiais tinha melhorado muito’, disse ele, e eu poderia me beneficiar de novos modelos de alta tecnologia”, recorda-se Kornhauser. A ideia de perder o resto de sua perna – que estava saudável o bastante – parecia absurda e assustadora. Mas após dois anos de desconforto, a senhora Kornhauser decidiu fazer a cirurgia. “Toda a minha família disse foi: ‘Você vai ficar sentada lá sem uma perna!’ Mas eles não sabiam o que eu sabia”, disse ela. “Pessoas correram maratonas sobre próteses. Eu sabia que teria uma vida novamente”.

Durante uma recente entrevista, a avó de 63 anos, alegre puxou as calças para mostrar uma prótese de perna, com uma superfície muito parecida à da perna sã. A perna mecânica que Kornhauser utiliza tem uma aparência realista, com uma pele de silicone personalizada e um tornozelo que pode ser ajustado para várias alturas de salto; vários pés protéticos nos EUA possuem sistemas de tornozelo com microprocessadores, incluindo sensores de movimento, que são uma verdadeira maravilha. “Eu era capaz de andar novamente”, disse ela. “E parece real”, acrescenta.

Aproximadamente dois milhões de pessoas nos Estados Unidos estão vivendo com amputações, de acordo com a Amputee Coalition of America (Coalizão de Amputados das América), um grupo de defesa nacional daquele país. Mas, como membros artificiais são infundidos com tecnologia cada vez mais sofisticada, muitos amputados estão fazendo uma escolha, uma vez impensável. Em vez de fazer todo o possível para preservar e viver com o que resta de seus membros, alguns estão optando por amputar mais extensivamente para recuperar o máximo possível a funcionalidade do membro perdido.

Ocasionalmente, essa escolha é feita por alguém com uma mão ou braço ausente. Mas o mais comum são as amputações abaixo do joelho, que permitem pacientes – como a citada no início da reportagem – tirar proveito de próteses robóticas modernas e realistas, com capas personalizadas, motores e microchips que reproduzem movimentos humanos naturais. O Sul Africano corredor Oscar Pistorius, um biamputado, foi até mesmo acusado de ter uma vantagem injusta sobre concorrentes, por utilizar próteses de corrida feitas de fibra de carbono.

A DIFÍCIL DECISÃO – “Amputados estão percebendo que podem fazer tudo o que eles fizeram antes”, afirma Amy Palmiero (foto), 39 anos, ultramaratonista célebre que perdeu sua perna esquerda em um acidente de moto quando ela tinha 24 anos. Ela agora trabalha em uma clínica protética em Long Island, EUA. “Embora a perda de um membro ainda seja um trauma médico, muitos amputados passaram a aceitar as melhorias biônicas advindas da tecnologia”, observa Palmiero.

Um dia, no verão de 2003, David Rozelle (foto), um capitão do Exército, estava em um hospital de Bagdá com o pé direito mutilado por uma mina terrestre. Os médicos o amputaram um pouco acima do tornozelo. Com um pé artificial, o capitão Rozelle, que vive perto de Boulder, no Colorado, conseguiu recuperar parte de sua antiga vida. Ele competiu no triatlo e retornou ao serviço no Iraque, ele é agora um dos principais capitães. Após dois anos e meio de sua amputação, ele disse ao seu cirurgião que queria amputar mais nove centímetros de sua perna para que ele pudesse se beneficiar de uma nova prótese abaixo do joelho. O médico ficou horrorizado.

“A comunidade médica está completamente focada em resgatar membros”, disse o major Rozelle, atualmente com 39 anos. “Há realmente uma desvantagem de ter o comprimento do membro extra, porque você não pode caber corretamente em dispositivos protéticos”, explica. Ele fez a operação e agora é dono de vários modelos sofisticados de pernas robóticas, que ele usa para as atividades cotidianas e para seus esportes favoritos, como o esqui. Muitos amputados optam por cirurgias mais extensas são atletas como Rozelle Maior e têm esperança de recuperar a vida ativa.

Familiares do paciente que recebe do médico ou protesista a indicação de amputar um membro ou parte dele para se adaptar melhor a um membro artificial ficam compreensivelmente confusos, preocupados e raramente são tão entusiasmados com os procedimentos drásticos propostos. Michael Laforgia (foto), que inicialmente perdeu os dedos do pé esquerdo devido uma bactéria contraída após meningite – conta que levou muito tempo para se convencer, após recolher testemunhos de outros amputados que tinham feito o mesmo.

Apesar da aparência natural de algumas, funcionalidade parece ser o aspecto mais importante para a decisão de usar as próteses modernas. Hugh Herr, que lidera o grupo de pesquisa biomecatrônicas no Media Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT) diz que muitos “têm pouco desejo de que o membro artificial pareça humano”.

AVANÇOS – Novas pesquisas estão fazendo a tecnologia evoluir rapidamente. Herr fundou um centro de pesquisas chamado iWalk, que produzirá próteses de nova geração. O artigo do NYT revela que o primeiro produto da empresa será um pé e tornozelo biônico, resultante de meticulosa modelagem de músculos, tendões e reflexos nervosos usados no andar humano. O pé artificial pode perceber as ações do usuário e do terreno onde a pessoa está andando e se ajustar de acordo (veja a matéria).

Na Universidade Johns Hopkins, pesquisadores estão trabalhando em criar próteses de membros superiores mais modernas para soldados amputados. O objetivo é que os novos modelos não apenas sejam semelhantes a membros naturais em destreza, força, tamanho e peso, mas que também possam ser comandadas pelo cérebro através de uma rede de eletrodos implantada no córtex cerebral ou em nervos periféricos. Esses eletrodos captariam sinais nervosos e os transmitiriam ao membro artificial.

O preço das próteses modernas, no entanto, não é barato. A de Herr deverá custar cerca de 70 mil dólares e as seguradoras geralmente cobrem apenas as próteses básicas e não membros artificiais de ponta. Algumas dessas próteses ainda estão há anos de serem lançadas, mas a tecnologia atual já está permitindo grandes avanços na qualidade de vida dos amputados.

Fonte: The New York Times

Passo Firme – 23.05.2012
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