Diabetes é maior causa de amputações no Brasil

A perda de um braço, de uma perna, de movimento – poucas tragédias mudam tanto a vida das pessoas quanto uma mutilação. Elas lembram guerras – ou acidentes violentos. Um amputado é quase sempre vítima de um trauma assim.

Mas a maior causa de amputações no Brasil é uma doença previsível e tratável. Os números são assustadores. O alerta é da Sociedade de Diabéticos.

Na sala de fisioterapia, há um jovem engenheiro que foi vítima de um acidente de moto. Já o motorista profissional bateu com o carro. Mas eles são exceções no centro da Associação Brasileira de Reabilitação (ABBR) do Rio de Janeiro.

A maior parte das amputações no Brasil não se deve a acidentes como poderia se imaginar. O número é oficial. Segundo o Ministério da Saúde, 70% das cirurgias para retirada de membros no Brasil são por causa do diabetes. Esse número poderia ser bem menor.

São 55 mil amputações por ano no Brasil de pacientes diabéticos. O trauma chega em um momento da vida em que a idade faz a mutilação ficar ainda mais difícil. A aposentada Maria Figueiredo, aos 66 anos, sonha com a possibilidade de usar uma prótese: “Não vejo a hora de poder andar em casa”.

Os médicos chamam a atenção para os primeiros sintomas da doença: sede e fome exageradas; vontade constante de urinar; cansaço; perda de peso; visão embaçada e, principalmente, dificuldade de cicatrização de machucados.

O motorista Roberto Barreto se arrepende de não ter se preocupado quando os sinais apareceram: “Estava fazendo tratamento, parei de tomar remédio. Estava dirigindo, feri o dedo, abafei com o sapato. Deu gangrena”.

O presidente da Sociedade de Diabéticos do Rio de Janeiro, Jackson Caiafa, diz que não são só os pacientes que precisam ficar atentos. Para ele, a falta de conhecimento dos próprios médicos dificulta a identificação dos primeiros sintomas: “Trabalhos internacionais mostram que quando se aplica um modelo de educação, de cuidado precoce, pode-se diminuir em até 80% as amputações”.

Os médicos dizem que apesar das dificuldades a amputação não deve ser encarada como uma condenação. É o que o que prova o motorista Roberto. Ele aos poucos está voltando a andar e até a jogar futebol: “Caminhando bem, subo morro, desço escada. Tomo o remédio certinho agora”.

Leia também: Veja orientações sobre o pé diabético e o diabetes

Fonte: Bom Dia Brasil

Passo Firme – 18.05.2011
Existem razões para acreditar. Os bons são maioria.

Lázaro Britto testa próteses em ortopedias de Belo Horizonte

Como ficou sabido por todos por meio do meu relato da experiência traumática de voar pela Webjet – quando tive minha câmera digital furtada da bagagem – passei os três últimos dias na charmosa capital mineira, a cidade de Belo Horizonte (BH). O objetivo? Visitar duas ortopedias (OrtoSolutions e Shopping Ortopédico) onde realizei orçamento da C-Leg no início do ano para uma avaliação do coto e fazer um teste drive em três tipos de joelhos ortopédicos e outras opções de componentes não tão caros quanto uma prótese computadorizada. ‘Foi uma viagem a negócios’, poderia dizer.

Fiquei hospedado em casa de uma amiga de trabalho, situada no bairro Funcionários (foto acima), localizado na região centro-sul de BH. Com arquitetura repleta de casarões imponentes, edifícios antigos em meio as outros que se erguem e traçado de ruas arborizadas, além de uma grande variedade de comércio e serviços, a localização privilegiada da região pode ser comparada aos bairros Graça e Vitória, em Salvador.

3R92
3R80

Na quarta-feira (11) passei o dia na OrtoSolutions, localizada no bairro Serra, na companhia do técnico ortopédico Win Stynen, fundador da empresa. Após avaliação do coto pelo fisioterapeuta da casa, conversamos bastante sobre algumas opções de componentes indicados para o meu caso, em especial tipos de encaixe (o item mais importante de uma prótese), joelho (pneumáticos, hidráulicos e computadorizados) e (dinâmicos e os de fibra de carbono). Na parte da tarde, fiz um test drive em dois joelhos disponíveis na casa: 3R92 e 3R80 (foto), ambos da Otto Bock.

Já no dia seguinte foi o dia de conhecer a estrutura do Shopping Ortopédico, que fica no Funcionários, bairro onde fiquei hospedado. Nesta ortopedia, além da avaliação do coto pelo fisioterapeuta especializado em próteses Fabrício Daniel, pude realizar um exame chamado Baropodômetro Computadorizado, que avalia a pressão do corpo sobre o pé existente por meio de plataforma de força. Segundo o fisioterapeuta, o exame permite avaliar os pés em função da marcha, possibilitando a compreensão das diversas repercussões que influenciam no caminhar e na postura corporal do usuário de prótese.

Rheo Knee

Tive ainda a oportunidade de testar o joelho computadorizado Rheo Knee, da Ossur (foto), concorrente do C-Leg. Pretendo escrever adiante um post exclusivo sobre minhas impressões sobre os joelhos testados, mas adianto que mesmo utilizando um encaixe de resina, consegui andar e ter boas impressões.

Veja abaixo um vídeo promocional da Ossur sobre o Rheo Knee e outros joelhos da Ossur:

A conclusão preliminar é que, apesar do furto da câmera digital na Webjet (vou lamentar o ano inteiro… rsrs), a viagem à BH valeu muito a pena justamente por cumprir o propósito a que se destinava…, que era minha avaliação física como futuro usuário de perna mecânica, além de conhecer pessoalmente algumas das ortopedias que fazem próteses hi-tech em diferentes regiões do país.

Como dizem os mineiros… foi bom demais da conta!

Passo Firme – 14.05.2011

Existem razões para acreditar. Os bons são maioria.

Primeira deputada tetraplégica exige mudanças no plenário

A chegada da deputada federal Mara Gabrilli (foto), do PSDB-SP, à Câmara dos Deputados exigiu uma série de adaptações ao plenário da construção projetada por Oscar Niemeyer. As mudanças permitem que a parlamentar, que não tem movimentos do pescoço para baixo, participe das votações e discurse.

Uma das primeiras propostas apresentadas pela deputada é voltada para o público que tem algum tipo de deficiência. O projeto altera o Código de Trânsito Brasileiro para agravar a punição ao motorista que para o veículo em vaga reservada a idoso ou deficiente físico e determinar a fiscalização em estacionamentos de locais como shoppings e supermercados.

Aos que estacionarem sem autorização em vagas reservadas, o projeto prevê infração grave, 5 pontos na carteira, com multa de R$ 127,69 e remoção do veículo. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito que regulamenta as vagas reservadas prevê hoje inflação leve, com multa de R$ 53,20, 3 pontos na carteira e remoção do carro. Pela lei, 2% do total de vagas em estacionamentos devem ser destinadas a veículos que transportem pessoas com deficiência física ou visual e 5%, para idosos.

A proposta também acrescenta às competências dos órgãos de trânsito fazer a fiscalização do uso dessas vagas em “edificações de uso público ou edificações privadas de uso coletivo”, incluindo aí hotéis, clubes, teatros, escolas, igrejas, hospitais, entre outros.

“Diversos órgãos de trânsito municipais têm se recusado a autuar automóveis indevidamente estacionados em vagas reservadas, sob o argumento de que não lhes é permitido fiscalizar áreas privadas”, diz o texto do projeto.

“Hoje, as pessoas entram nessas vagas sem nenhum tipo de fiscalização. Não há como multar, o segurança do local não tem poder de polícia e assim, mesmo se quiser, não consegue deixar a vaga livre”, acrescenta a deputada.

A parlamentar também quer que o cumprimento à cota de funcionários com deficiência seja critério obrigatório para a participação em processos de licitação de empresas públicas.

Pretende ainda criar uma comissão permanente na Câmara dos Deputados para tratar dos direitos das pessoas com deficiência. “Seria uma forma de trabalhar os assuntos com todos os partidos e levar a causa para toda a Casa, tentando deixá-la acima de questões partidárias”, defende.

Fonte: 3IN

Passo Firme – 07.05.2011
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Passo Firme apoia Movimento “Esta vaga não é sua”

O uso indevido de vagas destinadas a pessoas com deficiência em estacionamentos de estabelecimentos – que resultou no lançamento da campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto” em meados de março deste ano – é o foco do vídeo que a agência TheGetz colocou no ar neste fim de semana nas redes sociais.

Como a principal desculpa para a ocupação de vagas exclusivas para deficientes e idosos é sempre a do pouco tempo de permanência no estabelecimento, o “apenas um minuto”, a TheGetz colocou cadeiras de rodas em vagas normais e registrou a reação das pessoas em um estacionamento de Curitiba. O resultado é o vídeo que pode ser visualizado nas páginas da campanha no Facebook, Twitter, Youtube e Vimeo. O filme também pode ser acessado pelo blog do movimento.

O MOVIMENTO – Concebido para circular nas redes sociais, o movimento “Essa vaga não é sua nem por um minuto” foi uma iniciativa de mobilização da TheGetz para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de respeito às vagas de estacionamento para pessoas com deficiência depois de um episódio de desrespeito a uma deficiente em um estacionamento de supermercado em Curitiba. Em pouco mais de um mês, o movimento ganhou mais de mil adeptos no Facebook e se propaga por outras mídias online. O selo do movimento também ganhou pontos fixos na capital paranaense.

Segundo o diretor institucional da TheGetz, o propósito da campanha, além de mobilizar pessoas para esta causa, é provocar ações efetivas por parte dos governantes. “Com o movimento, o que se pretende é ampliar a visibilidade para a necessidade do respeito à figura do deficiente, que em nada se diferencia, em direitos e deveres, das pessoas tidas como normais. Para isso, o apoio das esferas políticas é fundamental para que causas como essas possam ser vistas e ampliadas”, completa.

APOIO – O projeto Passo Firme apoia a causa e, a partir desta sexta-feira (6), mantém no ar o selo da campanha (veja ao lado), em substituição ao anterior que trazia a imagem do perna mecânica computadorizada C-Leg.

Veja como participar da Campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto!

Fonte: http://www.adnews.com.br

Passo Firme – 06.05.2011
Existem razões para acreditar. Os bons são maioria

“Operação realizada com sucesso!”

Um debate de ideias. Esta foi a tônica da sétima edição da Pré-Sinco, evento que reuniu profissionais da área de comunicação e educação para um bate papo com os alunos da Faculdade Unibahia, na última terça-feira, dia 3. A palestra, que este ano tratou do tema Acessibilidade e cidadania: contribuição do profissional de comunicação para a sociedade civil e organizada, foi aberta ao publico e contou com a presença e participação de muitos estudantes.

O evento contou com a presença dos palestrantes Patrícia Silva de Jesus, especialista em Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e consultora da Unesco, Ricardo Guimarães, escritor e consultor visual, além do jornalista Lázaro Britto, que falou sobre acessibilidade – aonde queremos chegar?. Entre os temas abordados o preconceito aos vários tipos de pessoas com deficiências e violação de seus direitos, além da falta de acessibilidade aos seus direitos enquanto cidadãos.

A mesa redonda, que precede a Sinco – Semana Integrada de Comunicação da Unibahia, discutiu também como o profissional de comunicação pode contribuir no exercício da sua função para modificar esse quadro, além de serem apresentadas novas técnicas e tecnologias para a inclusão dos deficientes visuais e físicos no exercício da cidadania.

Na entrevista abaixo, concedida à estudante de jornalismo Lygia Martins, Lázaro fala sobre os pontos principais abordados em sua apresentação, como os principais obstáculos enfrentados por quem tem algum tipo de deficiência e o que é necessário esclarecer à sociedade sobre a temática da acessibilidade e cidadania.

O que é preciso esclarecer para a sociedade?

É preciso esclarecer que a pessoa com deficiência – assim como qualquer outra – possui limitações, mas não em um grau que a impeça de levar uma vida normal, apesar de todos os obstáculos estruturais, preconceito e discriminação, que tendem a delimitar as potencialidades do deficiente.

Quais as maiores reclamações dos portadores de necessidades especiais?

As maiores reclamações das pessoas com deficiência giram em torno do preconceito em relação às suas potencialidades (de estudar, trabalhar, ter vida social, realizar atividades físicas e outras…); da violação dos direitos adquiridos (como acesso a saúde, educação, trabalho, lazer e cultura) e da falta de acessibilidade nos espaços públicos, nos meios de transportes, bem como a falta de conscientização e sensibilização de algumas pessoas.

O que houve de mudanças no serviço público baiano?

Como servidor público, posso afirmar que as mudanças foram poucas, vem acontecendo de forma ainda lenta, porém progressivas como o crescimento de uma árvore. Por conta da legislação, os órgãos públicos estão aos poucos se adaptando às necessidades das pessoas com deficiência, e promovendo formas de acessibilidade, principalmente nas unidades que possuem atendimento ao público. No TRT da Bahia, por exemplo, já existem servidores capacitados em LIBRAS, para atender deficientes auditivos, já se pensa em um novo site acessível para quem tem deficiência visual…, enfim, as coisas estão melhorando neste sentido.

Conte uma situação constrangedora que vivenciou.

Certa vez subi em um ônibus cheio tarde à noite e ninguém me cedeu o lugar. Percebi que duas estudantes (aparentemente sem qualquer problema físico) ocupavam os acentos reservados e mesmo assim não me senti à vontade para pedir o lugar, pois esperava que por conta própria uma delas o fizesse, o que não aconteceu. Elas fingiam estar dormindo. Percebendo a situação, o motorista falou em alta voz que só seguiria viagem quando “algum abençoado” (termos utilizados por ele) me cedesse o lugar. Após alguns segundos de um silêncio estarrecedor, um homem sentado próximo ao cobrador gritou “senta aqui, velho!”. Tive que deixar o orgulho de lado e aceitar o que tinha para aquele dia: um assento, mesmo que praticamente no fundo do ônibus.

Esta situação foi apenas um de diversas semelhantes que já vivi, mas a destaco como constrangedora porque, além de ter um direito cruelmente violado, tive a nítida impressão de que o deficiente físico, assim como o idoso, a gestante…, incomoda muita gente dentro de um transporte público. Percebo em diversas situações que as pessoas estão intolerantes, insensíveis, sem solidariedade. Isso é chato porque além de ter de lidar com as barreiras estruturais de uma cidade não adaptada, temos que lidar com a falta de consciência das pessoas.

Como surgiu a ideia para criar o blog passo firme? Existe alguma parceria ou apoio?

A ideia de criar o blog surgiu inicialmente para promover o projeto Passo Firme, desenvolvido em fevereiro deste ano, que nada mais é que uma campanha de arrecadação de fundos para a compra de minha perna mecânica moderna – uma C-Leg, da Otto Bock – orçada em aproximadamente R$ 100.000,00 (Cem mil reais) nos principais centros de reabilitação física do país. Como não tenho condições de arcar sozinho com o custo da prótese, desenvolvi o projeto na modalidade de cotas de patrocínio, o mesmo utilizado por ONGs. No meu caso, o recurso total do orçamento foi dividido em 200 cotas de patrocínio no valor de R$ 500,00 (Quinhentos reais) cada, que poderão ser doadas por amigos, artistas, políticos, empresários… e quem mais quiser e puder ajudar.

Inicialmente enviei o projeto para deputados da bancada baiana, tanto estaduais como federais, depois enviei para senadores e vereadores, além de alguns empresários baianos. Até o momento não existe oficialmente nenhuma parceria ou apoio, somente promessas em fase de análise.

Nesse meio termo o blog cresceu, tornou-se conhecido em diversas comunidades na internet, o que tem sido muito bom.

Fale um pouco da falta de acesso a postos de saúde para cadeirantes, ausência de sinalização adequada nas ruas para a mobilidade dos deficientes visuais, a carência de veículos coletivos apropriados para cadeirantes e sobre a dificuldade em acessar serviços básicos como emissão de documentos civis no SAC, por exemplo.

No que diz respeito às duas partes iniciais de sua pergunta (falta de acesso a postos de saúde para cadeirantes, ausência de sinalização adequada nas ruas para a mobilidade dos deficientes visuais), sugiro bater um papo com um cadeirante e um cego, pois eles têm mais propriedade para falar sobre o que passam.

Na questão da falta de acessibilidade no transporte coletivo, é mais ou menos aquilo que expus em minha apresentação. Segundo dados da Secretaria de Transporte e Infraestrutura (Setin), o sistema de transporte coletivo por ônibus na capital baiana é composto por 564 linhas de ônibus operadas por 18 empresas, com uma frota de 2.557 veículos que transportam em média 1,3 milhões de passageiros por dia útil. Da frota existente, apenas 346 ônibus são adaptados para as pessoas com deficiência, os quais circulam em 152 linhas. Fica óbvio a carência de transporte público adaptado para quem sofre de alguma dificuldade de locomoção.

Uma pesquisa realizada em 2009 pela Escola de Engenharia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) constatou que o transporte público é o meio de locomoção utilizado por 96% da população com algum tipo de deficiência. Só em Salvador estima-se que sejam 600 mil pessoas, segundo dados do Censo (2000) realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o mesmo recenseamento, existem no Brasil 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5% da população. Destes, estima-se que dois milhões estejam na Bahia.

Embora o panorama nacional de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade revele alguns avanços, a maioria delas ainda enfrenta situação de violação de direitos que obstruem a inclusão e participação do deficiente na sociedade.

Passo Firme – 05.05.2011 (Com informações da Unibahia)
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Acessibilidade – aonde queremos chegar?

Na manhã desta terça-feira (3), enquanto os rodoviários de Salvador ameaçam entrar em greve, o Governo da Bahia, através da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), apresenta à população os resultados de alguns projetos preliminares que estão sendo desenvolvidos para o novo modelo de mobilidade urbana da região metropolitana de Salvador.

De acordo com o secretário do Planejamento, Zezéu Ribeiro, trata-se de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) com estudos de viabilidade técnica, avaliação ambiental, jurídica e econômico-financeira, visando a estruturação de um projeto de concessão comum, patrocinada ou administrativa, para transporte público metropolitano entre os municípios de Salvador e Lauro de Freitas.

Segundo o Governo, o PMI busca apontar uma solução sustentável para os problemas de tráfego entre Salvador e Lauro de Freitas.  “O objetivo é trazer as melhores soluções de integração entre os sistemas de transportes atuais e o metrô, promovendo a acessibilidade entre os bairros populosos do Acesso Norte até o centro da cidade e a Arena Fonte Nova”, ressalta o secretário.

Iniciativas dessa natureza são necessárias não apenas em razão da Copa de 2014, mas também para atender uma parcela da população soteropolitana que só cresce a cada dia: as pessoas com deficiência. A carência de transporte público adaptado para quem tem algum tipo de deficiência está entre os principais obstáculos relacionados à falta de acessibilidade.

Segundo dados da Secretaria de Transporte e Infraestrutura (Setin), o sistema de transporte coletivo por ônibus na capital baiana é composto por 480 linhas de ônibus operadas por 19 empresas, com uma frota de 2.557 veículos que transportam em média 1,5 milhões de passageiros por dia útil. Da frota existente, apenas 346 ônibus são adaptados para as pessoas com deficiência, os quais circulam em 152 linhas, o que reflete a carência de transporte público adaptado para quem sofre de alguma dificuldade de locomoção.

Uma pesquisa realizada em 2009 pela Escola de Engenharia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) constatou que o transporte público é o meio de locomoção utilizado por 96% da população com algum tipo de deficiência. Só em Salvador estima-se que sejam 600 mil pessoas, segundo dados do Censo (2000) realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o mesmo recenseamento, existem no Brasil 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5% da população. Destes, estima-se que dois milhões estejam na Bahia.

Embora o panorama nacional de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade revele avanços significativos, a maioria delas ainda enfrenta situação de violação de direitos, associada à falta de acesso à escola, saúde, trabalho, transporte, lazer e cultura. O preconceito e a falta de acessibilidade são os principais problemas, pois obstruem a participação do deficiente na sociedade, o que aumenta a exclusão, observa Luíza Câmara, presidente da Associação Baiana dos Deficientes Físicos (Abadef), que tem deficiência física e usa cadeira de rodas para se locomover.

ACESSIBILIDADE – A falta de acessibilidade dificulta e impossibilita o convívio social, aumentando os níveis de exclusão social. Segundo um estudo realizado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a questão está muito mais ligada à conscientização e à sensibilidade do que às leis e normas. Grande parte dos investimentos realizados para adequações de edificações ou espaços públicos não encontra a devida funcionalidade, pois o enfoque está apenas no cumprimento da legislação.

“É comum encontrarmos pela cidade adaptações para deficientes completamente inadequadas”, observa Edmundo Xavier, membro da Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador (Cocas), que, em parceria com a ONG Associação Vida Brasil, mapeou as deficiências da cidade de Salvador na questão da falta de acessibilidade e adaptações inadequadas. O trabalho resultou no Guia de Acessibilidade e Cidadania de Salvador, lançado em junho do ano passado pela Vida Brasil, em, em parceria com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (CREA-BA) e a organização francesa Handicap International.

O guia é um material de consulta que contém informações sobre os locais que oferecem condições de visitação para todas as pessoas, em especial para aquelas com deficiência ou dificuldade de locomoção. As dicas sugerem desde lugares de passeio como praças, museus, restaurantes a locais públicos que prestam serviços à população da cidade.

MERCADO DE TRABALHO – De acordo com a Lei nº 10.098, de 2000, e o Decreto nº 3.298, de 1999, toda empresa com mais de cem funcionários é obrigada por lei a reservar parte das suas vagas para pessoas com deficiência. Apesar da obrigatoriedade, há empresas que até hoje não cumprem a legislação. A fiscalização pelo cumprimento das cotas é de responsabilidade da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), autua e multa as empresas que não cumprem a lei.

Por conta da legislação, o número de pessoas com deficiência incluídas no mercado de trabalho vem aumentando progressivamente, mas as ofertas de vagas ainda são maiores que a disponibilidade de profissionais com os requisitos exigidos pelas empresas. Segundo a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), a falta de capacitação é um dos fatores que dificultam o acesso das pessoas com deficiência ao mercado de trabalho.

No entanto, segundo o estudo realizado pela Febraban sobre acessibilidade e mercado de trabalho, atribuir a exclusão dos deficientes do mercado de trabalho à falta de capacitação profissional é simplificar demais as coisas, uma vez que tal problema afeta também as pessoas sem deficiência. É necessário tomar cuidado para não subestimar ou superestimar o desempenho desses profissionais, inventando mitos que, em vez de contribuir para a inclusão, acentuem as diferenças e gerem novas formas de preconceito e discriminação.

O QUE ELES PENSAM – Para o cobrador de ônibus Rubens Nascimento, 31 anos, que perdeu a perna devido a um acidente de carro, embora o preconceito seja uma barreira para a inserção no mercado de trabalho, ele nunca se fez “coitadinho” e mesmo antes de conseguir emprego com carteira assinada através do sistema de cotas, já trabalhava no mercado informal como vendedor ambulante e ajudante de pedreiro.

Na questão da locomoção, é consenso entre as pessoas com deficiência que a falta de transporte público adaptado é o principal obstáculo. Os ônibus equipados para deficientes são poucos e não atendem à demanda da população com deficiência. “Como trabalho no centro da cidade, tenho que sair de casa bem mais cedo, para chegar ao trabalho no horário, sem falar na condição dos ônibus urbanos, completamente inadequados para o deficiente”, afirma Rosimeire Silva, 26 anos, que teve paralisia infantil, anda de muletas e todo o dia enfrenta uma maratona para chegar ao trabalho.

Para quem tem deficiência visual, o problema é ainda mais grave. Na opinião da estudante Mara Barreto, 28 anos, que perdeu a visão aos 18 por causa de glaucoma, a cidade não é estruturada, principalmente para os deficientes visuais. Além da falta de infraestrutura em Salvador, Mara aponta a discriminação como outro grande problema para a inserção do cego não só ao mercado de trabalho, mas à sociedade como um todo.

Já para quem tem deficiência auditiva, a principal dificuldade é a comunicação. Tatiane Souza, 22 anos, que trabalha como empacotadora em um grande supermercado da cidade, afirma que as pessoas relutam em se comunicar com o deficiente auditivo, por concluir que não serão compreendidas. Diante do impasse, é comum presenciar deficientes auditivos conversando apenas entre si, através da língua brasileira de sinais (libras), ou usando mímicas e gestos ao se comunicar com as demais pessoas.

Apesar de todos os obstáculos estruturais, preconceito e discriminação, que tendem a delimitar as potencialidades do deficiente, levar uma vida normal é possível. A experiência de Rubens, Rosimeire, Mara e Tatiane são exemplos que comprovam que a pessoa com deficiência, como qualquer outra, pode levar uma vida comum e ser um bom profissional, tão ou mais competente que os demais.

DEBATE – Para aprofundar um pouco mais a questão, estudantes de Comunicação da Unibahia, em Lauro de Freitas, promovem às 19 horas desta terça-feira (3) uma mesa redonda sobre o tema Acessibilidade e cidadania: contribuição do profissional de comunicação para a sociedade civil e organizada. O encontro contará com a participação do jornalista Lázaro Britto, portador de necessidade especial e responsável pelo blog Passo Firme, e da apresentadora Patrícia Abreu, madrinha do IBR – Instituto Baiano de Reabilitação. O evento é aberto ao publico, através da inscrição pelo e-mail: marketing@unibahia.edu.br.

Passo Firme – 03.05.2011
Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar

Hoje foi o dia da Câmara e outros mais…

Passei todo o dia da última quarta-feira (27) enviando por e-mail vias do projeto para algumas empresas baianas, bem como para alguns dos vereadores da Câmara Municipal de Salvador (foto), em razão do aumento das cotas de patrocínio de 100 para 200 (veja a matéria).

Apesar do empenho, até o momento nenhuma proposta concreta de patrocínio ou ajuda de custo foi oferecida. Empresas ortopédicas que confeccionam pernas mecânicas estão prometendo o que chamo de patrocínio indireto, que são descontos sobre o valor final da prótese, cujos valores [dos descontos] variam de R$ 2 a 5 mil. Porém, até o momento apenas uma Ortopedia de Belo Horizonte (MG) confirmou a proposta. As outras duas apresentarão algo até o final do próximo mês.

Agora eu vou dormir porque são quase 2h da manhã!

Passo Firme – 28.04.2011
Quando sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar

Exemplo de superação…

Nascido em 4 de dezembro de 1982 na cidade australiana de Melbourne, Nicholas James Vujicic (veja o vídeo) é um pregador e palestrante motivacional e diretor fundador da organização sem fins lucrativos Life Without Limbs, que em português significa Vida sem Membros. Nascido sem pernas e braços devido à rara síndrome Tetra-amelia, Vujicic viveu uma vida de dificuldades e provações ao longo de sua infância. No entanto, ele conseguiu superar essas dificuldades e, aos dezessete anos, iniciou sua própria ONG. Depois da escola, Vujicic frequentou a faculdade e se formou com uma bidiplomação em Contabilidade e Planejamento Financeiro. Deste ponto em diante, ele começou suas viagens como um palestrante motivacional e sua vida atraiu mais e mais a cobertura da mídia de massa. Atualmente, ele dá palestras regularmente sobre vários assuntos tais como deficiência, esperança e o sentido da vida.

Projeto Passo Firme – 25.04.2011
Quando sua realidade muda… seus sonhos não precisam mudar