A incrível evolução das próteses na medicina moderna

Por Renato Tagliari

Como já estamos acostumados a ver na história, toda guerra impulsiona de forma significativa a criação de novas tecnologias e pesquisas. Mais tarde esses avanços acabam sendo apropriados pela população civil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um nome muito importante para o design surgiu. Charles Eames foi contratado pela Marinha dos EUA para desenvolver novas talas para pernas e braços, que fossem baratas, leves, resistentes e fáceis de manipular.

As talas de madeira usadas na imobilização de fraturas de antebraço, já haviam surgido na Grécia Antiga. As palavras prótese e próstese foram empregadas pela primeira vez por Hipócrates. Já a palavra órtese, também oriunda da etimologia grega, significa tornar algo reto, retificar.

Na terminologia médica atual considera-se prótese a peça ou dispositivo artificial utilizado para substituir um membro, um órgão, ou parte dele, como por exemplo, prótese dentária, ocular, articular, cardíaca, vascular etc. Órtese tem um significado mais restrito e refere-se unicamente aos aparelhos ou dispositivos ortopédicos de uso externo, destinados a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo.

O surgimento da ergonomia, na Segunda Guerra, foi outro fator importante para o desenvolvimento e a preocupação com os amputados e inválidos. Na época, os Estados viram que com algumas melhorias na relação homem-máquina diminuíam drasticamente a perda de homens que levavam meses para serem treinados.

Com toda a tecnologia que temos hoje, o número de mortes em guerra caiu vertiginosamente, porém o número de amputados só aumenta. Atualmente, quando se fala em próteses ortopédicas e reabilitação de amputados, os EUA é o país que retém a tecnologia mais avançada, juntamente com a Europa que desenvolve outros projetos de mesmo caráter. Nesses países, além das pesquisas privadas, há um grande incentivo governamental para que sempre haja novas pesquisas.

Entendese daí por que a DARPA, a agência de pesquisas do Pentágono, investe no programa Prostética Revolucionária: a meta é simplesmente criar um novo padrão de próteses que restabeleçam as funções e a percepção sensorial do membro biológico amputado.

A empresa islandesa Össur, por exemplo, produz as próteses usadas pelos corredores das Para-Olimpíadas. Entre eles, podemos citar o famoso corredor sul-africano Oscar Pistorius (capa) que não possui as duas pernas e recentemente começou a dar trabalho aos corredores normais. Em uma corrida classificatória para as Olimpíadas de Pequim, ele chegou em segundo lugar, porém seu tempo ficou 1 minuto acima do tempo mínimo exigido para correr as Olimpíadas.

BRASIL – Em nosso país, entretanto, a situação é outra. Os números da produção nacional de próteses ortopédicas são tímidos. Segundo a Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (Abotec), o Brasil possui apenas uma fábrica de próteses, a Ortho Gen, fundada em 2004. Outras 180 empresas ligadas à associação fazem apenas a montagem das peças. Enquanto isso dados do IBGE apontam que 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência e, com o envelhecimento da população, esse número tende a aumentar só que a indústria nacional, ainda não tem condições (em quantidade e nem em qualidade) para competir com os produtos importados.

As próteses nacionais ainda não foram submetidas a testes e estudos suficientes que comprovem a eficácia de seus produtos. A grande maioria dessas próteses têm sua arquitetura copiada de próteses importadas, não tem um estudo prévio como na Europa ou nos EUA de 15, 20 anos para ser lançado um material de qualidade.

Henrique Grego, presidente da Abotec, diz que “o problema está na hora de fornecer o produto para o Sistema Único de Saúde”. Nem sempre quem possui o melhor serviço e a melhor qualidade ganha. Na maioria das vezes, quem ganha é quem coloca o menor preço, e essa empresa normalmente não tem condições de ter a mesma qualidade que os produtos mais caros.

Para suprir a demanda de cerca de um milhão de pessoas que procuram a
rede pública em busca desses produtos, o governo pretende implantar dez oficinas ortopédicas até o final de 2009, sete delas nos estados da região norte e nordeste. A medida faz parte do plano social de inclusão de pessoas com deficiência. Porém, nesse ritmo, o avanço do Brasil na área, tende a manter-se incipiente.

Quanto ao paciente, há outro fato que muitos não estão cientes, é a chamada dor do membro fantasma. Pessoas que perderam um braço ou perna frequentemente percebem o membro como se ele ainda estivesse lá. Alguns sentem, concomitantemente a isso, fortes dores associadas ao mesmo – a dor do membro fantasma.

Esses fenômenos foram observados por volta do século 15, quando pacientes amputados sentiam fortes dores na parte perdida. Estes casos eram interpretados por algumas pessoas como prova da imortalidade da alma. O membro fantasma é uma natural conseqüência da amputação. Mas eventualmente o fantasma se torna o lugar de uma insuportável dor, sendo o maior obstáculo para o sucesso da reabilitação.

Embora seja conhecida as seqüelas pós-amputatórias, o mecanismo da dor fantasma e fenômenos relatados são ainda hipotéticos. As próteses mioelétricas ajudam a diminuir essas sensações desagradáveis, além de facilitarem muito mais no dia-a-dia. Elas possuem eletrodos nas extremidades que reagem aos estímulos musculares do amputado. Outras próteses biônicas de joelho e pé tentam simular o movimento natural do corpo e se adaptam ao ambiente. Algumas dessas podem até ser ajustadas pelo amputado, através de um palmtop.

Fonte: O próximo passo

Passo Firme – 11.03.2011
“Quando sua realidade muda… seus sonhos não precisam mudar”

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5 comentários em “A incrível evolução das próteses na medicina moderna

  1. sou amputado perna direita (supracondiliana). procuro um centro de ortopedia para estadia e compra de uma protese boa, leve e moderna.
    sou de Angola e facilmente encontrado no email acima ou, nos terminais +244 912 666 202 ou 923 604 269.

    agradeco a vossa ajuda.

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    1. Paulo

      Aqui no Brasil existem diversas empresas especializadas na confecção de próteses. Não me sinto à vontade para indicar nenhuma especificamente, até porque até o momento não testei nenhuma delas ainda. Dê uma olhada no próprio blog nos links de oficinas ortopédicas. Geralmente as localizadas na região sudeste do país (Rio, Minas e São Paulo) são as mais conhecidas. Espereo ter ajudado! Abraço forte

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    2. Boa Tarde Paulo!
      Aqui no Rio de Janeiro conheço algumas que fornecem protese gratuitamente. Também sou amputado acima do joelho e ganhei uma prótese de última geração.
      Entre em contato comigo:
      Email: welingtonmaciel.rj@gmail.com
      55 21 865569782
      55 21 75059543
      Rio de Janeiro Brasil.

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